Vulcões ativos na Itália

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Vulcão Stromboli. Crédito imagem: Simon. Licença: CC0 Public Domain
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Nem todo mundo sabe, mas tem vulcões ativos na Itália. Para você ter uma ideia, só o arquipélago das Eólias (situado ao norte da Sicília) é composto por sete pequenas ilhas vulcânicas. Mas os principais por serem ativos são três. Neste texto, contarei um pouquinho mais sobre essa fascinante curiosidade da Itália.

A Itália possui um grande número de vulcões.  Estão ao sul os três dos mais famosos, míticos e  mortais do mundo: Vesúvio, Etna e Stromboli.

O Vesúvio está localizado no golfo de Nápoles, a nove quilômetros da cidade homônima e do litoral; o Etna fica na ilha da Sicília, entre as cidades de Messina e Catania; e Stromboli é uma das pequenas ilhas vulcânicas que junto com Lipari, Vulcano, Alicudi, Filicudi, Salina e Panarea compõem o arquipélago das Eólias.

Vulcão Vulcano. Crédito imagem: FA.Serra Licença: Creative Commons Atribuição-Não Comercial.
Vulcão Vulcano. Crédito imagem: FA.Serra Licença: Creative Commons Atribuição-Não Comercial.

Vesúvio

O Vesúvio, com uma altitude máxima de 1.281 metros, é o único vulcão ativo que está localizado na parte continental do país e é o único vulcão na Europa continental a ter entrado em erupção nos últimos cem anos. Ele entrou em atividade diversas vezes, sendo considerado atualmente um dos mais perigosos do mundo, em razão de sua tendência a erupções explosivas e por conta do grande número de habitantes em suas proximidades; esta é a região vulcânica mais populosa do mundo. Alguns especialistas o classificam como um vulcão misto, pois mesmo sendo explosivo, leva-se em conta que, ao longo do seu período de atividade, ocorreram erupções alternadas. Este fato aumenta ainda mais os perigos caso venha ocorrer algum tipo de explosão no futuro, pois supõe-se que, quanto mais tempo ele permanecer adormecido, pior será a erupção.

O histórico do Vesúvio nos mostra que esse perigo é realmente grande. A erupção ocorrida em 79 d. C. resultou na destruição das cidades romanas de Pompeia e Herculano, colocando o vulcão na história mundial como personagem de um dos casos mais emblemáticos de destruição e morte causados por uma erupção vulcânica.

As cidades de Pompeia e Herculano jamais foram reconstruídas e suas localizações ficaram completamente esquecidas até o século 18, quando um único homem, de modo acidental, em meio a uma escavação despretensiosa, começou a achar pedaços de telhas e restos de utensílios dos habitantes de Pompeia. Essas escavações acabaram por revelar ruas, paredes de edifícios, casas destruídas onde ainda havia resíduos de pessoas inteiras (cascas de pele petrificadas) e até pinturas completas. Dizem que foi uma das maiores descobertas arqueológicas do mundo. Hoje, as “faces desfiguradas das vítimas, cujos corpos foram reproduzidos em gesso a partir dos originais, dão a vívida ideia dos últimos momentos da destruição causada por gases, cinzas e calor emitidos pelo poderoso vulcão”.

Etna

Vulcão Etna. Crédito imagem: FA.Serra Licença: Creative Commons Atribuição-Não Comercial.
Vulcão Etna. Crédito imagem: FA.Serra Licença: Creative Commons Atribuição-Não Comercial.

O Etna é o mais alto vulcão da Europa e um dos mais altos do mundo, superando em quase três vezes o tamanho do Vesúvio. É também a mais alta montanha da Itália ao sul dos Alpes. É considerado um vulcão ativo (o mais ativo da Europa), já que está em constante erupção. Normalmente suas erupções não oferecem grande risco à população que vive nas localidades próximas, mas, ocasionalmente, elas podem ser bastante destrutivas. Cinzas de algumas das suas erupções altamente explosivas foram encontradas em lugares longínquos como Roma, que fica a 800 km ao norte do Etna.

Devido a essas recentes atividades vulcânicas e ao fato de estar numa região densamente povoada, o Etna foi designado como um dos 16 Vulcões da Década pelas Nações Unidas.

Igualmente pelo seu histórico de frequentes e destrutivas erupções, a montanha do Etna se tornou um tema recorrente na mitologia clássica, onde se traçou paralelos entre o vulcão e vários deuses e gigantes das lendas do mundo romano e grego. Outro fato interessante é que os solos vulcânicos propiciam bons campos para a agricultura, com vinhedos e hortas espalhados nas superfícies da montanha e em toda planície da Catania.

Enfim, pela sua localização icônica, por ser a maior montanha localizada em uma ilha e o vulcão mais ativo do mundo, bem como aos variados ecossistemas em seus arredores, o vulcão Etna é considerado Patrimônio Mundial da UNESCO.

Stromboli

Como comentei, Stromboli é uma das ilhas Eólicas que ficam no mar Tirreno. Esta ilha tem quase toda a sua área ocupada pela impressionante magnitude da formação geológica e borbulhante do vulcão homônimo. A sua população não ultrapassa quinhentas almas, mas no verão, com os visitantes, se chega até a quatro mil habitantes.

Há treze mil anos este vulcão está em constante atividade – motivo pelo qual a ilha é conhecida como o ‘Farol do Mediterrâneo’.  A atividade cotidiana do Stromboli consiste em explosões de média energia que duram de poucos segundos a dez, vinte minutos. A atividade normal pode ser periodicamente interrompida por breves e violentas explosões, chamadas “explosões maiores”. As erupções mais violentas foram registradas em 1919 e 1930; em ambas ocorreu grande emissão de vapor e materiais vulcânicos acompanhados de violentos terremotos. Na primeira – e até agora única vez na história do vulcão – as lavas escorreram também fora da “Sciara del Fuoco”, chegando a atingir o centro habitado, causando grandes danos e muitas vítimas, originando, além disso, um pequeno tsunami que gerou ondas de dois e três metros que chegaram até Capo Vaticano, na Calábria.

Períodos de total inatividade, sem lances de lavas e escórias, são muito raros. O período mais longo já registrado foi de dois anos, de 1908 a 1910. Todavia, alguns períodos prolongados de inatividade que duram alguns poucos meses foram notados inúmeras vezes.

O interessante é que, por conta da formação do vulcão, existe uma ‘rampa’ chamada “Sciara del Fuoco” que força o escorrimento das lavas e das escórias expelidas pela cratera em direção ao mar, assim, ele não representa um perigo para a população da ilha.

Sciara del Fuoco do vulcão Stromboli. Crédito imagem: FA.Serra Licença: Creative Commons Atribuição-Não Comercial.
Placa indicativa da Sciara del Fuoco do vulcão Stromboli. Crédito imagem: FA.Serra Licença: Creative Commons Atribuição-Não Comercial.

Turismo no vulcão

Uma dica legal é que nestes três vulcões é possível fazer passeios turísticos. Como não se fascinar por uma montanha cuspindo fogo? Acho que essa é uma das manifestações da natureza que mais nos proporciona experiências inesquecíveis. Ao menos foi assim quando conheci de perto o Stromboli, um dos vulcões mais ativos da Itália. E também quando eu andei pelo Parco dell’Etna, onde pela primeira vez subi o monte de um vulcão. Parecia como caminhar sobre terrenos de Ovomaltine. Caso tenha se interessado e queria saber mais, aqui eu conto um pouco de como foi a minha viagem para o Etna, Stromboli e Vulcano.

Alla prossima!

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Citações, fontes e fontes de inspiração:

Vesúvio | Geografia da Itália | Etna | Vulcões da Itália | Vesúvio: o maior vulcão ativo da Itália | Stromboli | Isola di Stromboli | Isola di Stromboli

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Farah vive em Gênova, na Itália. Ela é uma daquelas pessoas que pegou o avião para, audaciosamente, chegar lá onde estão as histórias… e, sem querer, descobriu que as ama contar. E porque quem escreve deve fazê-lo em um espaço e em um tempo, deve viver um espaço e um tempo, ela está sempre por aí, no seu caminho – entre os seus blogs Pelos campos de trigo, Tempos de gestão,Observações sobre o belo e o sublime (Obvious) e @peloscantosdomundo (Instagram). Além disso, ela é Bacharel em Administração Hoteleira. Possuí dois MBAs, em Gestão de Pessoas e em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios. E um Master em Inovação na Administração Pública. Em 2005, foi publicado o seu primeiro livro "Fator Humano da Qualidade em Empresas Hoteleiras".

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