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Holanda

Wadlopen: uma caminhada especial

Wadlopen: uma caminhada especial.

“Você precisa comprar um tênis tipo All-Star de cano alto”. Essas foram as palavras do meu namorado sobre a atividade surpresa do fim de semana. Não entendi nada, mas fui até a loja e comprei os sapatos que deveria. Alguns dias depois, quando levantei as 6h do sábado, descobri para que serviam: para fazer a travessia a pé do continente até uma das ilhas aqui da Holanda. Mas Roberta, o que isso tem a ver com os sapatos de cano alto? Isso eu explico daqui a pouco, primeiro um pouco de contexto.

A parte costeira do norte da Holanda é banhada por um mar chamado Wadden e nele encontramos cinco ilhas: Texel, Terschelling, Vlieland, Ameland e Schiermonnikoog. Apesar das ilhas estarem um pouco afastadas (bem ao norte do país), o acesso é fácil já que ferry-boats estão disponíveis em diversos horários do dia e os precos giram em torno 20 euros ida e volta (depende da época do ano, da idade e do que você está levando com você, como por exemplo animais de estimacão). Ok, opcão do ferry parece ótima, mas porque não inovar?

Para aqueles que tem um bom prepare físico, não tem medo de água fria, de se sujar e adoram uma atividade diferente, se arriscar e ir caminhando até uma das ilhas vale muito a pena e é uma experiência totalmente diferente de qualquer coisa que eu já tenha feito. O nosso caminho foi de Holwerd até Ameland e contarei um pouquinho dessa experiência.

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Primeira dica: você precisa contratar um guia. E olha, prestando atenção no caminho que eles fizeram durante o percurso, eu fiquei bem da feliz que aquela pessoa estava me guiando, porque todos os lados parecem o mesmo lado quando você está no meio do mar. Além disso, os guias conhecem tudo sobre as mares e vão te dizer que horas você deve começar o passeio e isso muda a cada semana. Nós começamos as 7h, o grupo do dia anterior as 6h, o grupo do dia seguinte as 7h e o da semana seguinte começaria só na parte da tarde. Eu aconselho a ir de manhã para poder aproveitar o dia todo na ilha que é bem linda!

Segunda dica: sim, os sapatos de cano alto são essenciais, porque o percurso é praticamente todo no meio da lama e, caso você esteja usando sapatos baixos, eles podem ficar presos e adeus sapatos. E assim, no mar não tem achados e perdidos. Fica a dica. Então, por favor, providencie qualquer sapato de cano alto, pode ser tênis, bota, galocha. Vai de cada um, mas LEVE! E sobre roupas, use roupas leves e que podem molhar e sujar. Agora prestem atenção: NÃO VÁ FAZER ESSE PASSEIO COM SEU SAPATO E SUA ROUPA FAVORITOS. Eles não terão a mesma coloração e aparência de antes. Era uma vez uma vestimenta bonita.

Terceira dica: você precisa estar disposto a andar 10km durante 3h na lama. Recebi muitos olhos arregalados quando contei isso para as pessoas. Não é fácil, é um pouco Indiana Jones na areia movediça no começo, mas com o tempo você acostuma.

Agora que temos as dicas principais preciso dizer que quando você chega ao ponto em que está no meio do mar com água abaixo dos joelhos e olha para os lados, a visão é maravilhosa. Tem partes que você passa por cima de ostras e mariscos, muitas gaivotas sobrevoam o mar, existem partes com água, partes com apenas lama. De verdade, é uma vista impressionante. Infelizmente só tenho esse momento guardado na minha memória, porque não levamos celular já que não era recomendado. Mas, melhor ainda, assim deixo vocês descobrirem com os próprios olhos.

No fim da trilha, quando você está sentindo todos os músculos do seu corpo, você sobe uma montanhinha (aqui não tem muita montanha né, então vamos chamar de um relevo) e a vista é muito legal, porque de um lado está o mar Wadden e do outro o mar do Norte. É bem bonito! Depois da trilha, o caminho te leva até a praia, onde você se lava na água gelada do mar mesmo e depois um trator enorme (sim, eu disse trator), para e leva todo mundo na “boleia”. Super divertido!

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Chegando ao ponto final, você pode andar até o centro da primeira vila chamada Nes. Na ilha existem quatro vilas (Hollum, Nes, Buren e Ballum) e vale a pena dar uma passada por mais de uma delas, porém como um bom holandês, do que você precisa? De uma bicicleta! Nós alugamos uma de duas pessoas, mas é preciso um equilíbrio. Se não tiver, será no mínimo engraçado. Antes de subir na bicicleta, fomos almoçar em um dos restaurantes do centrinho que tinha um terraço sucesso com sofás. Você não faz ideia de como suas pernas agradecerão o momento em que você encontra um sofá. Pode ser até feito de madeira que você fica feliz igual.

Agora com energia depois dos alimentos, pedalamos por cima do dique (com um vento absurdo na cara. Eu achei que ia falecer, mas sobrevivi!), fomos até o farol (achei um pouco forte subir até o topo entã pulamos essa parte) e depois paramos em um restaurante na praia para tomar alguma coisa e descansar as pernocas. Mas assim, tome cuidado com os horários dos ferrys, porque eles param em um determinado momento e ai você precisa ficar na ilha, o que é possível, mas acaba encarecendo o passeio. Como nossa ideia era voltar e já estava relativamente tarde, pedalamos para o porto como se não houvesse amanhã no meio de uma vegetação que eles chamam de “vegetação de dunas” que tem bastante plantas secas, com cores diferentes e relativamente esvoaçantes. É bem bonito na verdade apesar da descrição parecer exótica.

Após pedalar de volta chegamos na balsa, pegamos o ferry e capotamos. Morte. Dia leve com uma pequena dose de exercícios físicos dá nisso. E sabe do melhor? Esse passeio me fez conhecer músculos do meu corpo que eu nem sabia que existiam e que por alguns dias continuaram me lembrando que eles estavam lá.

Resumindo: se tiver a oportunidade faca esse passeio. É demais, diferente e divertido. E para ser bem sincera, nem parece que você anda por tanto tempo assim de tanto que te impressiona. O tempo passa bem rápido! E sabe do que mais? Perto da cidade que é o ponto inicial da caminhada, fica uma cidade chamada Leeuwarden que foi considerada o centro cultural da Europa em 2018 e é bem legal de visitar. E pelo amor de Jesus não deixe de comer o Suikerbrood, o kruidkoek e a linguica famosa que são comidas típicas da região da Frislândia. Os pães salvaram na trilha, afinal, acúcar é vida.

E para aqueles que acham que o norte da Holanda é muito longe, também é possível fazer esse passeio no sul na região da Zeeland. Sério, essa é uma experiência para colocar na lista de “o que fazer antes de morrer”. E pode ficar tranquilo, você vai sobreviver para poder completar a lista depois. Talvez com algumas dores musculares, mas isso faz parte, não é mesmo?

Bedankt en tot ziens!

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