Canadá – Meu primeiro inverno

0
419
Advertisement

Desde que me entendo por gente, o mês de janeiro sempre foi o meu preferido. Janeiro significava sol e calor. Férias e chopp gelado. Encontros com amigos e sambas. Pele bronzeada e chinelo de dedo. Viagens para praia e passeio de barco.

Este ano, está tudo ao contrário. O sol e calor deram lugar ao frio e à chuva. Substituí o suco de tangerina pelo café quente na mão. O chapéu de praia pelo guarda-chuva. Os vestidos de alcinha pelas tantas camadas de roupa. Escrevo de Vancouver, onde o inverno é considerado um dos mais amenos do Canadá, mas para uma carioca, como eu, ainda é duro e pesado.

Vivi algumas contradições neste inverno. No início foi muito difícil e dolorido me acostumar com a temperatura desabando e tudo mudando. Mas aos poucos, meu corpo e mente foram aceitando as diferenças. É como se diz por aí: já que não posso vencê-lo, resolvi juntar-me a ele. Segue, na minha opinião, alguns prós e contras do inverno em Vancouver.

  • Muita chuva – Em Vancouver chove muito. Mas muito, muito mesmo. São quase 4 meses de chuva constante e ininterrupta. Eu já não gostava de chuva, misturada com o frio então, é um coquetel para o meu humor azedar. A chuva, na verdade, não atrapalha a rotina dos vancouverites, pois já estão acostumados com ela. Capa de chuva, bota a prova d’água e vida que segue.
  • Pouca luz do dia – Para nós brasileiros isso é muito impactante. Nos primeiros dias eu estranhei muito, achei agressivo, forte demais andar no escuro. Amanhece às 8h30 e escurece por volta das 16h. Eu saio de casa para trabalhar ainda escuro e quando saio do trabalho, já está escuro novamente. O corpo sente muito a falta da vitamina D. Sentia um cansaço, falta de energia, por isso é tão importante complementar com vitamina D em cápsulas ou líquida. Nos finais de semana (quando não está chovendo), mesmo com frio, as pessoas vão às ruas para aproveitar um pouquinho da luz solar.
  • Esportes de inverno – Está sendo tão bacana aproveitar o inverno de outra forma e fazer coisas diferentes e inusitadas! Patinar no gelo já virou uma paixão. Alguns centros comunitários tem rinque de patinação. É só ver no site os horários disponíveis. Tem horário aberto ao público em geral ou só para crianças de 1 a 5 anos (tem até mãe que vai patinar empurrando o seu carrinho de bebê). O valor é $3 para entrar no rinque mais $3 de aluguel de patins. Se você tiver os seus patins, então, só paga o valor da entrada. Programa bom, barato e super divertido. No coração da cidade, também tem a Robson Square que abre sua pista de patinação para quem quiser patinar, de graça. Além da patinação, também experimentei jogar curling. Para quem não conhece, procure no google, porque é bem interessante. É um esporte coletivo praticado em uma pista de gelo cujo objetivo é lançar pedras de granito o mais próximo possível de um alvo utilizando, para isso, a ajuda de varredores. Foi super divertido e nos garantiu boas risadas.
  • Neve – Já que não tem praia, vamos de neve! Em Vancouver quase não neva na cidade e quando acontece, é rápido e passageiro. Não somos como Toronto ou Montreal que fica com neve na altura dos carros, com aquela linda paisagem branquinha. Mas se não tem neve na cidade, é só correr para as montanhas que lá tem de sobra. A vantagem é que Vancouver é cercada por várias delas: 30 min, chega-se em Grouse Mountain; 45 min, em Cypress Mountain; 50 min, no Mount Seymour. E se quiser ir um pouco mais longe, tem a charmosa e linda vila de Whistler, que fica a quase 2 horas da cidade. Além da prática de esqui e snowboard, que é a grande sensação do inverno, pode-se fazer vários outros programas como Tubing ou Sliding (escorregar na neve com uma prancha ou então com boia inflável) ou simplesmente se divertir com a neve, fazendo guerra de bola de neve, construindo um boneco de neve e muito mais. Na Grouse Mountain, no mês de dezembro, é montada a cidade do Polo Norte, com a casa do Papai Noel, renas e tudo mais que tem direito. É encantador não só para as crianças, mas um programa para todas as idades.
  • Cultura e tradições  – Como as quatro estações do ano são muito definidas por aqui, é bacana ver como a população se comporta em cada uma delas. A tradição da neve no inverno, o Papai Noel com suas renas e com aquela roupa pesada morando no Polo Norte, tudo começa a fazer muito mais sentido. Montar uma Gingerbread House (casa de biscoito de gengibre) com a minha filha foi pura diversão. Além disso, há as comidas, os cafés com Egnogg, as casas todas decoradas e iluminadas, a expectativa pela neve.
  • Programas indoors – Com a chuva e o frio lá fora, é essencial encontrar programas indoors para fazer. Ficar em casa o inverno todo não é uma alternativa. Vancouver é uma cidade que vive muito ao ar livre, mas no inverno ela ganha uma nova cara. Restaurantes, passeios em shoppings, parquinhos indoor (até parque aquático indoor tem por aqui), atividade nos communities centres e muitos encontros em casa com os amigos para manter o calor humano.

Viver em um outro país tem seu lado bom e o seu lado ruim, não é sempre fácil ou divertido, mas tem suas recompensas, ah isso tem. E poder vivenciar tudo isso e colecionar estas memórias é a melhor parte.

Compartilhe
Texto anteriorSistema de saúde no Uruguai
Próximo textoGreen Card através de visto de trabalho
Isabel é carioca e inquieta. Jornalista por formação e produtora de televisão por vocação. Já morou nos Estados Unidos e na Austrália e atualmente mora em Vancouver, no Canadá com marido e a filha. Resolveu mudar de vida e não apenas de país. Está em busca de uma vida mais significativa e no que te dá prazer, como escrever. É autora do blog Nós3.

Deixe um comentário

Por favor inclua o seu comentário
Por favor escreve o seu nome aqui