Cinco motivos porque eu gosto de morar em Munique

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Desde que me mudei para Munique, na Alemanha, tento tirar o melhor proveito desta experiência única que é morar no exterior. O Brasil é sem dúvida um país maravilhoso, lindo, de clima invejável e que tem a maior riqueza que um país pode ter, seu povo. Mas morar num país dito de primeiro mundo tem grandes vantagens e, não posso negar, se tivesse que voltar para o Brasil, ou para qualquer outro lugar, levaria na bagagem muito do cotidiano alemão.

Morar em Munique é um sonho, e quem já a visitou sabe do que eu estou falando. Eleita a quarta melhor cidade do mundo para se viver, segundo a consultoria realizada pela Mercer, Munique, além de ser uma cidade linda, é organizada, limpa e bastante segura. Vou listar cinco itens que gosto morando aqui há pouco mais de um ano, que facilitam nosso dia a dia e que, sem dúvida nenhuma, deveríamos encontrar em qualquer lugar do mundo:

Transporte

O sistema de transporte é extremamente eficiente. Você consegue fazer praticamente tudo de metrô ou de ônibus. A cidade é totalmente interligada, sem falar da pontualidade. É praticamente impossível chegar atrasado a um compromisso por conta do transporte (com exceção, claro, em caso de acidentes), essa desculpa não cola! Para morar confortavelmente em Munique você não precisa, necessariamente, ter carro. Além do transporte público lhe atender muito bem, existe a possibilidade de se locomover de bicicleta. A cidade possui ótimas ciclovias, atendendo praticamente a cidade inteira. E não pense que é perigoso, os ciclistas e pedestres são muito respeitados. Se tem faixa, a prioridade é deles. A educação impera.

Mültrennung – Separação do lixo

Na Alemanha lixo é coisa séria. Toda a população é obrigada a separar o lixo e armazená-lo de forma consciente até a coleta, e isto se aprende desde criança.

Em Munique, cada bairro recebe um calendário anual com os dias de coleta específicos para cada tipo de lixo. Existem cinco tipos de lixo que separamos diariamente: orgânico, comum, plásticos e alumínio, papel e papelão, e vidros.

Em casa precisamos separar o lixo orgânico em saco biodegradável. Não podemos de forma alguma colocar em outro tipo de saco, e o armazenamento é no tonel marrom. A prefeitura disponibiliza determinados sacos, que aqui são amarelos, para o descarte de material plástico e alumínio, que também só podem ser utilizados para este fim. No lixo comum é depositado o que não poderá ser reaproveitado, como por exemplo papel sujo e fralda de bebê – não tem um saco específico e é armazenado no tonel preto. O papel e papelão limpos também não têm um saco específico e são armazenados no tonel verde. Os vidros são depositados pelos próprios moradores em containers específicos espalhados por diversos pontos da cidade, e são separados por cor: vidros transparentes, esverdeados e marrons.

Cada tipo de lixo, além do seu saco específico e seu cesto, com cores diferentes, tem seu dia programado de coleta, e só pode ser colocado na rua neste dia. As multas para quem descumprir o calendário ou não fizer a separação corretamente são bem salgadas.

Pfand

A Alemanha tem um sistema de reciclagem simples e eficiente. Ao comprarmos produtos em garrafas pets, de vidros ou latinhas com a marca Pfand (sistema de retorno), pagamos uma taxa, que é devolvida em dinheiro quando levamos de volta o recipiente. Praticamente todos os supermercados possuem máquinas onde depositamos esse material e recebemos de volta um cupom, cujo valor pode ser retirado em dinheiro ou abatido na compra no supermercado. Não é obrigatório, mas a maioria da população faz.

Filas em supermercados

Se tem uma coisa que sempre me irritou muito no Brasil eram as longas e intermináveis filas em caixas de supermercado. Quando eu chegava no mercado a primeira coisa que observava eram as filas, se estivesse “daquele jeito”, eu dava meia volta. Aqui dificilmente vemos longas filas no mercado, e se acontecer, imediatamente, um caixa novo é aberto. Além disso, o caixa é extremamente rápido e você também aprende a ser, porque se você demorar, vai aparecer alguém de cara feia ou até mesmo reclamando da sua demora, já que não existe empacotador, você mesmo coloca suas compras no carrinho para depois colocá-las em sacolas para serem levadas para casa. Mas a recompensa é valorosa, a fila é super rápida!

País do faça você mesmo

Desde pequenas, as crianças aprendem a importância de realizar suas tarefas para a manutenção da ordem da casa. Guardar brinquedos, colocar seu prato na máquina de lavar são ações executadas desde muito cedo. No Brasil estamos acostumados a sermos “servidos” o tempo inteiro. Temos o porteiro, o zelador, a empregada doméstica, a babá, o jardineiro e por aí vai. Aqui não! Não temos esses “luxos”. Você mesmo cuida da sua casa, do seu jardim, dos seus filhos em tempo integral. Claro, em alguns momentos seria bom ter alguém para colocar o lixo na rua para você ou limpar a sua casa, mas é tão libertadora esta independência. É verdade! Ter sempre alguém, principalmente dentro de casa, pelo menos para mim, era sufocante. Descobrir que certos serviços não são tão necessários assim, muda radicalmente sua maneira de encarar a vida. Além disso, os alemães adoram colocar a mão na massa, fazendo reparos, montando móveis, pintando a própria casa, consertando o carro… E vou repetir, isto é libertador. Gera uma grande satisfação após a conclusão, além do que, passamos a dar mais valor a qualquer tipo de trabalho.

Poderia listar aqui uma infinidade de itens sobre o que gosto em Munique e que levaria para onde quer que eu fosse. Afinal de contas, morar na quarta cidade do mundo em qualidade de vida, dá um leque de bons exemplos e do que deveríamos ter em qualquer lugar do mundo, começando pelo respeito ao cidadão.

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