Cinco razões para não morar na Dinamarca

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Já escrevi um texto falando sobre 10 razões para morar na Dinamarca. Agora resolvi escrever esse texto porque toda semana – ou quase – recebo e-mails e comentários de pessoas que sonham em se mudar para cá, muitas delas sem mesmo nunca terem saído do Brasil, e vejo muita gente iludida com a ideia de perfeição dos países escandinavos que é mostrada pela mídia brasileira constantemente.

Porém, perfeição é ilusão, e os países do norte europeu podem virar um desafio muito grande para quem vem dos trópicos; por isso, achei vital dar um panorama sobre as coisas ruins que a gente encontra por aqui.

A minha intenção não é de desencorajar ninguém que deseje morar na Dinamarca, pelo contrário; acredito que é preciso a gente se preparar bem para mudar de país, e parte da preparação inclui conhecer as coisas ruins que nos esperam.

Duas das minhas colegas de Escandinávia já escreveram sobre as dores e as delícias de se morar nessa região do mundo, e eu complemento os dados de Suécia e Finlândia com esse texto, mostrando o que considero as 5 maiores dificuldades que você pode encontrar e que podem ser decisivas na hora de pensar em se mudar para a terra de Hamlet.

1 – Idioma

not-sure-if-he-is-speaking-danish-or-if-he-is-choking
“Não tenho certeza se ele está falando dinamarquês ou se está engasgando”, um meme que brinca com a forma de falar ‘pra dentro’ dos dinamarqueses

Se você fala inglês, alemão ou neerlandês, ainda que não seja fluente, o dinamarquês vai ser fichinha e você vai se sentir totalmente à vontade com ele. Agora se você não está familiarizado com as sonoridades de nenhum desses três idiomas, pode ser que o calo aperte e seja bem dolorido. O idioma, apesar de não ser um dos mais difíceis do mundo, tem sonoridades fechadas e diferentes para os ouvidos latinos e brasileiros.

Entretanto, isso não deve ser um motivo de pavor para quem tem interesse em aprender, e se você já souber inglês, o começo da vida em cidades grandes é tranquilo: tem brasileiros em Copenhague e Aarhus, por exemplo, que vivem e trabalham há muito tempo no país e não falam dinamarquês, porém quem mora no interior e cidades pequenas sofre. Eu penso que é essencial procurar falar o idioma para poder aproveitar ao máximo a sua experiência e compreender o pensamento e cultura dinamarqueses, facilitando a sua integração ao país e interação com as pessoas.

Além disso, há um incentivo para os cônjuges estrangeiros que solicitam visto de residência com base em reunificação familiar, visto de trabalho e para os refugiados e asilados políticos: o governo disponibiliza um sistema de integração que oferece aulas de dinamarquês em vários centros de idiomas espalhados pelo país pelo período de até 5 anos, de acordo com a nova lei.

Se você veio ao país como au pair, também tem direito a estudar durante o período de sua estadia, com os custos cobertos pelo governo (máximo de 2 anos). E finalmente, se você veio com visto de estudante e quer aprender dinamarquês, terá que arcar com a despesa por conta própria. Veja aqui algumas dicas para aprender dinamarquês dentro do país e também no Brasil.

2 – Clima

spring in DK
O homem pergunta: “Quando começa a primavera?” O menino responde: “Eu moro na Dinamarca” e recebe um abraço solidário – meme que brinca com as temperaturas frias de abril, início da primavera dinamarquesa

Sol e calor são artigos de luxo por essas bandas. Pra quem vem de zonas tropicais, a adaptação pode ser bem difícil por conta do clima. Nos meses de inverno, entre outubro e fevereiro, os dias ficam mais curtos e a luz do sol é comemorada com entusiasmo, quando aparece. Em alguns anos, neva até abril.

Muita gente acaba tendo a chamada ‘depressão de inverno’ por conta dos dias escuros e cinzas e noites longas e frias. Mesmo no verão o calor nunca será tropical: apesar das altas temperaturas registradas nos três últimos verões, não há umidade no ar e nem a sensação de ‘panela de pressão’ de mormaço dos trópicos. Nas praias, a água é bem mais fria que a do litoral brasileiro e mesmo nos dias mais quentes pode ser um desafio tomar um banho de mar. Portanto, se você é uma pessoa que precisa constantemente de praia, sol e calor para viver, esse país não é para você.

3 – Relações sociais e interpessoais

As relações sociais e interpessoais na Dinamarca são diferentes das que conhecemos no Brasil. Em geral não há espontaneidade, e todos os compromissos – incluindo visitar amigos e familiares – são agendados com antecedência. Aparecer de surpresa na casa de alguém é inconcebível!

Nas festas, onde é normal as pessoas passarem a noite toda sentadas em volta de uma mesa bebendo e conversando, é comum cumprimentar a todos na chegada: não espere que o anfitrião faça as vezes de cicerone e te apresente pra todos porque isso não vai acontecer. Em grupos no trabalho ou em locais públicos, é comum os estrangeiros serem excluídos quando não falam o dinamarquês.

Fundamental também é a linguagem corporal: tocar alguém enquanto conversa é inapropriado, assim como cumprimentar com beijos no rosto. Estranhos são cumprimentados com um firme aperto de mão e amigos e familiares, com um abraço. Falar sobre problemas pessoais também é visto como uhyggeligt, sobretudo em reuniões sociais e na presença de desconhecidos. Se você ainda não sabe o que é hygge, leia mais a respeito aqui.

Uma observação válida: dinamarqueses se tornam sociais especialmente em ambientes onde há consumo de álcool. Em geral, bebe-se muito por aqui. Alguns acabam se tornando inconvenientes por causa do pileque. É mais fácil fazer amizades com estrangeiros que com dinamarqueses. Leia a respeito no artigo que escrevi sobre fazer amigos na Dinamarca.

4 – Comida

Já falei sobre comida dinamarquesa no blog. Almoço, por aqui, é pão: seja um sanduíche, seja uma fatia de pão de centeio com frios ou outra cobertura, e é raro ver comida quente servida no almoço. A praticidade está acima de tudo.

Claro que isso está mudando de uns tempos pra cá e cada vez mais tem aumentado a oferta de refeições quentes também para o almoço. Dependendo da região onde você morar na Dinamarca, a comida pode ser melhor ou pior, por assim dizer. O ideal é, se puder, comprar seus ingredientes e cozinhar em casa, mesmo porque comer fora é muito, mas muito caro, inclusive fast food.

Falando em fast food, as pizzas por aqui podem ser estranhas – já vi pizza com espaguete por cima – e não existe nem a mais remota possibilidade de combinar sabores de coberturas numa única pizza. Também é raro, senão impossível, encontrar bons lugares para se comer um sushi, por exemplo, e os serviços de comida são, em sua maioria, take away (você tem que ir buscar porque não entregam).

Alguns ingredientes do Brasil não são fáceis de se achar por esses lados. No interior é difícil encontrar mandioca, por exemplo, e até um tempo atrás era difícil encontrar até leite condensado, mas já é possível ser feliz tomando um suco industrializado de manga ou de goiaba, ou garantindo o guaraná Antarctica e a cachaça do fim de semana. Para os que gostam de feijoada, aqui não se encontra paio ou calabresa, ou mesmo couve manteiga como a que temos, então é preciso ser criativo e improvisar na hora de recriar os pratos brasileiros.

Para quem não abre mão de um feijãozinho com arroz, é razoavelmente fácil encontrar feijão, tanto nos mercados étnicos quanto em grandes redes de supermercados. Agora para quem é chegado num bom churrasco, a coisa aperta. O preço da carne de boi é alto e fica quase impossível fazer um churrasco com a fartura do Brasil.

As frutas por aqui tendem a ser todas importadas e devido a serem embarcadas ainda verdes e não termos sol para que amadureçam como devem, acabam tendo um sabor muito diferente. Nunca consegui, por exemplo, comprar um mamão papaia gostoso e maduro. Em cidades pequenas não há feiras livres, mas em todas as cidades é possível encontrar mercados e quitandas que vendem frutas e verduras frescas, que em geral são mais caras que as congeladas.

5 – Xenofobia

Pichação num muro em Copenhague, com os dizeres "Dinamarca para os dinamarqueses" e suástica nazista (Foto: BT.dk/Divulgação)
Pichação num muro em Copenhague, com os dizeres “Dinamarca para os dinamarqueses” e suástica nazista (Foto: BT.dk/Divulgação)

A ideia de fechar as portas para o que vem de fora tem se espalhado pelo mundo e também encontra seus adeptos na Dinamarca. Existem inclusive partidos políticos que advogam abertamente sua posição contrária ao que seja não dinamarquês. Infelizmente a questão dos muçulmanos, aliada a um medo constante da perda de identidade, tem levado as pessoas a se enveredarem pelas ideias do preconceito e xenofobia contra o que lhes é desconhecido. É muito triste mas é real.

Ano passado houve uma declaração de um dos membros de um desses partidos xenófobos, classificando os brasileiros como “cidadãos de segunda classe” e que foi respondida à altura pela Embaixada brasileira. Portanto, é bom estar preparado.

Leia também sobre as 10 razões para morar na Dinamarca, aqui no BPM.

258 Comentários

  1. Oi Cristiane!! gostei bastante do seu artigo, mas moro em Copenhague e ja encontrei bons lugares pra comer sushi, e pagar o preco por isso tambem.. e por aqui tem “just eat” que entrega comida na sua casa..

    • Oi Ana. É verdade que há restaurantes bons em Copenhague, sim. Eu não cheguei ainda a provar um sushi na Dinamarca que estivesse à altura do meu paladar, mas reconheço que sou chata – mas também não provei todos os restaurantes… Quem sabe tem um pra me recomendar, já que estarei de novo em Copenhague em maio? E aqui também tem Just Eat, mas a maioria dos serviços no país é take away e não tem serviços com entrega tarde da noite, como por exemplo eu tinha em SP. Obrigada por comentar! Bjs

      • Cristiane Leme, vc vai a Dinamarca e espera que la se tenha o mesmo MODISMO de comida japonesa? Não, não vai encontrar o melhor sushi(se encontrar), a melhor massa, ou aquele pastelzinho paulistano. Brasileiro tem o mal hábito de ou… de querer que o mundo esteja sintonizado aos nossas costumeiras imitações de costumes e habitos americanos. Estamos na Dinamarca, adapte-se!

        • Marcus, acho desnecessário o tom de animosidade do seu comentário.
          Em nenhuma parte do texto está escrito que eu espero que tenha comida japonesa de qualidade na Dinamarca.
          Em São Paulo temos a maior comunidade japonesa do mundo fora do Japão, mas acredito que seja um dado que você desconheça.
          Sobre costumes estadunidenses, acho também lamentável o seu comentário, já que sou uma pessoa aversa a tudo o que vem desse país.
          E sobre adaptação, não que eu lhe deva satisfações…. Apenas sugiro que leia outros textos meus antes de sair vomitando verborragias à toa, caro leitor.
          Pra finalizar: não existe ‘mal hábito’, pois mal é contrário a bem, portanto, ‘mau hábito’ seria a grafia correta.

          Agradeço pela leitura e continue nos acompanhando – vi que está no grupo BnD, está querendo sair da Alemanha?
          Boa sorte com seus planos.

          • “Sobre costumes estadunidenses, acho também lamentável o seu comentário, já que sou uma pessoa aversa a tudo o que vem desse país”. Acho que a palavra aversa não existe no idioma português. Mas tudo bem…neologismo. Gostei do que disse sobre a Dinamarca. Um país com longa história. Tem 5,731 milhões de habitantes. O que para nós brasileiros equivale a alguns bairros de São Paulo. Claro que um pais que só começou a ser industrializado há menos de 70 anos, não vai ter o mesmo progresso da Dinamarca. Mas temos um imenso território e estamos progredindo na produção de alimentos. Seremos o celeiro do mundo. Precisamos acabar com o nosso câncer – a corrupção. Quanto a ser avessa aos americanos – pena… toda informática veio de lá. Assim como uma ideia de democracia e de direitos individuais admirável. Além de 386 prêmios Nobel ( o 2o colocado, a UK tem 120…). Ah, ia me esquecendo – milhares de jovens americanos morreram para livrar a Dinamarca dos Nazistas,,assim como fizeram com a Europa. Abração.Luiz

          • Luiz Carlos, a definição de averso está no Dicionário Houaiss e embora seja uma grafia relativamente moderna, significa o mesmo que adverso ou contrário.
            Tenho motivos para ser aversa ao tipo de cultura proveniente dos EUA. A individualidade não ajuda na construção de uma sociedade sólida, pois é preciso que haja um senso de coletivo para que se possam construir políticas pensando no bem comum e não no bem de apenas uma pessoa ou grupo.

            Acredito que o que mais atrapalha o Brasil é a cultura da corrupção, mesmo. Não acho que o Brasil será um celeiro saudável para o mundo, já que o uso de transgênicos e pesticidas que são proibidos em diversos países do mundo é bastante difundida. Quantidade sem qualidade é prejudicial. A questão não é produzir em abundândia e sim, produzir de forma efetiva, ambientalmente consciente e promover a conscientização pública sobre o desperdício.

            A primeira precursora da informática é inglesa: já ouviu falar de Ada Lovelace? Embora os EUA tomem crédito por muita coisa relacionada a tecnologia, há muito marketing envolvido, o que faz com que tudo que venha de lá seja trabalhado pra parecer melhor aos olhos desavisados. Os estadunidenses são especialistas em apropriação cultural, é um traço típico de países imperialistas.

            Não sei se você sabe mas na Dinamarca houve milhares de grupos de resistência aos nazistas, principamente se aliando aos britânicos. Essas pessoas, dinamarqueses e dinamarquesas natos, pagaram com suas vidas e com a vida de seus entes queridos para lutar pela liberdade do seu país. Há diversos memoriais dedicados a eles na região onde moro. O dia 5 de maio, dia da libertação da Dinamarca do domínio do Terceiro Reich é comemorado todos os anos e a memória dessas pessoas é relembrada e honrada. A libertação do país se deu por tropas aliadas da França, Grã-Bretanha e EUA, portanto é injusto dizer que ‘americanos morreram para livrar a Dinamarca dos nazistas’, pois eles não estavam sozinhos.
            Muitos jovens estadunidenses morreram em guerras pelo seu país, e pelo seu país apenas. Veja o que aconteceu no Vietnã, no conflito Irã-Iraque nos anos 80, na guerra do Golfo nos anos 90. Os EUA não pensaram nesses jovens, nem no fato de que muitos nem sequer queriam ter participado dessas guerras.

            Por último, a democracia veio da Grécia e foi criada pela elite e para as elites. Democracia é um conceito um tanto confuso, pois se pegarmos a sua origem veremos que ela foi feita por uma classe dominante como tentativa de disfarçar a detenção do poder, supostamente dando esse poder para o povo através de representantes. Sabemos que não é bem assim que funciona, já que os representantes eleitos normalmente fazem parte de grupos seletos que normalmente pertencem a uma elite dominante – isso, desde sempre, desde a Grécia antiga. Ou seja, o poder para todos é apenas uma alegoria, já que nem todos terão acesso a ele.

            Se tomarmos o exemplo dos EUA vemos que a sua democracia é, na verdade, um estado totalitário disfarçado. Por que digo isso? Porque uma das perguntas do atual teste para obtenção do visto de turista para o país é justamente se o postulante tem algo contra os EUA. Numa democracia “de fato” qualquer um poderia declarar abertamente sua opinião acerca do país ou de suas políticas, porém nos EUA isso é visto como ameaça e motivo para negar o visto de entrada a uma pessoa. A democracia, no campo filosófico, torna-se uma falácia, uma utopia.

            Há muitos cidadãos admiráveis nos EUA, e alguns dos movimentos mais importantes na atualidade, como o feminismo e Black Lives Matter, repercutiram para o mundo através de lá. Noam Chomsky, Betty Friedan, Edward Snowden, Angela Davis, Josephine Baker, Stephen Hawking, John Nash entre outros são alguns exemplos de cidadãos estadunidenses admiráveis. É lamentável, contudo, a forma com que esse país é conduzido, e é a isso que a minha aversão se refere.

            Obrigada por ler e comentar, abraços e bom domingo.

          • Bom , quero me desculpar pelo meu comentário . Vejo que vc não é muito boa em aceitar críticas. E o sushi é um modismo , sim . A colônia japonesa tem mais de 100 anos e até faz pouco tempo ninguém , que não fosse descendente de japonês , sabía o que era isso. Aceitar criticas é parte de quem escreve.

        • Depois de fazer esta leitura e ficar satisfeita por me ter cruzado com uma opinião suficientemente isenta e respeitadora deparo me com o seu comentário.
          Há mesmo pessoas estranhas no mundo. Você será uma delas. Seguramente não leu todo o artigo ou as suas habilidades de análise da expressão humana são pior que péssimas. De facto há coisas…

          • Depois de fazer esta leitura e ficar satisfeita por me ter cruzado com uma opinião suficientemente isenta e respeitadora deparo me com o seu comentário. (o do sr. imperador)
            Há mesmo pessoas estranhas no mundo. Você será uma delas. Seguramente não leu todo o artigo ou as suas habilidades de análise da expressão humana são pior que péssimas. De facto há coisas…

    • Bom dia Ana, sou de Sergipe(Brasil) e estou me formando em engenharia mecânica e estou querendo conhecer Copenhague, já que você mora ai como esta a questão de emprego e cursos por ai, desde já lhe agradeço pela informação.

      • Cledson, pra um estrangeiro que mora em outro país conseguir um emprego na Dinamarca ele precisa ser muito qualificado e especialista no que faz. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores e Integração daqui, a prioridade é sempre para dinamarqueses, seguidos de pessoas que já residam legalmente no país. Se dentre esses não houver alguém com as qualificações que uma empresa procura (o que é muito raro, dado o bom nível educacional daqui, mas acontece em caso de especialistas de certas áreas) pode-se recorrer à mão de obra do exterior. Tenha em mente que requisitos básicos são ter inglês afiadíssimo e fluente e conhecimentos em dinamarquês são um diferencial. Leia os diversos textos sobre empregos na Dinamarca aqui no BPM, tem até mesmo um dando dicas sobre como conseguir um emprego no país.
        A ideia de visitar o país antes de tomar qualquer decisão de se mudar é ótima!
        Boa sorte!

      • nos chamar de segunda classe é até um elogio pois considero nós brasileiros como de quinta em termos de pensamento e educação

        • Controvérsias à parte, você tem direito de achar o que quiser. Eu acho lamentável que tantos brasileiros tenham uma autoestima tão baixa e que prefiram se diminuir em vez de procurar lutar para que o país evolua e seja reconhecido.
          Obrigada por comentar e continue nos acompanhando! 🙂

        • Concordo…aqui tudo é zoniado.. qualquer país com disciplina é melhor…e sinceramente prefiro um país igual a Dinamarca de pessoas frias, comida diferente e tudo que vc falou…do que um país cheio de tapinhas nas costa e pobre sem educação e cheio de corruptos igual ao nosso… infelizmente não tenho condições de conhecer outros lugares..mais fico feliz de ver que alguns brasileiros conseguem fazer isso… não tenho mais orgulho de ser brasileira..tenho vergonha…

  2. Parabens Cristiane; muito bacana esse texto com um angulo muito importante que eh a realidade que cega o imigrante no inicio de uma nova experiencia ao mudar de país. Aquele caso de amor que apos o período de ‘infatuation’ vira decepção, arrependimento até.
    Excelente.

  3. Gostei de suas dicas, entretanto, eu sou um cara adaptável em situações difíceis, por ter enfrentado a realidade do Brasil, chegando à Universidade Federal e me tornando um Agente Especial de Polícia Aposentado. Eu acho que tenho curriculum para enfrentar as adversidades da vida na região do mundo que admiro e pretendo morar.

    • Caro Francisco, obrigada por ler e comentar. O texto teve como objetivo mostrar que muitas vezes as coisas podem ser completamente diferentes daquilo que esperamos que sejam. Muitos brasileiros nunca saíram do Brasil e acabam criando expectativas fantasiosas, alimentadas pela propaganda massiva e enganosa, sobre os países no exterior. Muita gente me escreve sonhando com uma Dinamarca maravilhosa, onde tudo funciona perfeitamente e não há problemas, nem defeitos. O meu intuito ao escrever esse texto foi de mostrar às pessoas que embora o país seja bom, não é para todo mundo – quero dizer que nem todas as pessoas conseguem se adaptar, aqui. Isso é normal. Algumas pessoas nunca conseguem se acostumar com a frieza do clima, a distância emocional das pessoas, os dias curtos e escuros de inverno… E desculpe mas adaptabilidade nada tem a ver com currículo e sim com uma questão de saber enxergar perspectivas e encarar desafios de forma resiliente. É importante se preparar para a mudança e saber o que nos aguarda é fundamental para evitarmos as frustrações que vêm com expectativas equivocadas. Espero que tenha compreendido e continue nos acompanhando!

  4. Pois e , muita gente acha que a nossa vida aqui e “”passar ferias na europa””… Faltou falar sobre 1) em contraste com o famoso, estava chovendo demais por isso nao fui trabalhar, que muitos usam no brasil, aqui se trabaæha faca chuva ou faca sol..ou tempestade, ou nevasca hihi 2) ah, eu chego la atrasado… na dinamarca, ninguem te espera! a cultura do sair de casa ja atrasado pra um encontro nao existe aqui… pontualidade. Nao disperdice o meu tempo que eu nao disperdico o seu. 3) aqui se fala como e. Se vc acha qvai chegar atrasado e vai ficar de boa..nao vai. Sem comprar briga (pq aqui o povo da mesmo o braco pranao comecar uma briga) eles irao informar que voce deveria ter chegado na hora..por exemplo. 4) para as mocinhas de chapinha: aqui so ET usa sombrinha hihihi

    • Oi Tamara, obrigada pelo comentário! Eu já escrevi aqui mesmo no blog outros textos abordando os temas que você levantou. Procure o texto das ’10 lições’ que lá eu falo a respeito. Também falo sobre relações interpessoais no ‘Dinamarqueses e o amor’ e ‘Como fazer amigos’. Agora sobre ‘só ET usa sombrinha’ eu tenho que confessar que sou ET, pois quando chove eu saio com a roupa de chuva, galochas e guarda-chuva! Continue nos acompanhando e se tiver alguma sugestão de tema para futuros textos, fique à vontade para sugerir!

  5. “Falar sobre problemas pessoais também é visto como uhyggeligt, sobretudo em reuniões sociais e na presença de desconhecidos. ”
    Engraçado… Ja notei isso, mas sempre fico perdido quando estamos almoçando juntos na empresa e me perguntam opinião sobre algo que minha opinião é negativa. Eu dou a opinião é noto que ninguém dá muita ideia, como quem demonstra que acha que a conversa não deve continuar pra aquele lado. É aí que notei o quão a gente tem hábito no Brasil em focar em pontos negativos sobre nossas experiências, e quando nos perguntam “como foi?” eu acabo citando os pontos piores ou mais difíceis de algum momento pra terminar falando “tirando isso, foi bem legal”. Mas.. algo interessante dos dinamarqueses é que eles não me falam nada nos censurando ou escrachando querendo nos “ensinar” a nos comportar, eles simplesmente não dão continuidade à conversa né?
    Sobre terem nos considerado cidadãos de segunda classe: ouvi falar disso, mas como ainda entendo pouco dinamarquês, quase não acompanho as notícias..
    Sobre xenofobia, acho que é bom ressaltar que essas opiniões a gente vê mais quando esse partido político Ta falando algo mesmo, né? É raro pichações como a da imagem ilustrativa, e nunca ouvi ninguém expressar isso agredindo física ou verbalmente ninguém (como pessoas podem acabar imaginando que acontece dado o histórico demonstrações de xenofobia em outros países europeus)

    • Leo, isso de ser negativo, é mesmo verdade! aqui não se dá mto espaço, por exemplo, pra doença..nada de coitadinho… de falar de coisas ruins, negativas, tristeza….E no brasil tem gente q até compete desgraça hihi aqui se sofre calado e eu acho tbm q falta empatia As duas culturas deveriam achar um meio termo hihi

    • É verdade, Leo, por que será que os brasileiros gostam de focar no negativo, né? Mas conheço outras nacionalidades que também são assim: franceses e ingleses, por exemplo, parecem nunca estar satisfeitos com nada… Em relação ao caso do DF e das incessantes declarações xenofóbicas deles, o que me assusta não é que ainda haja esse tipo de ignorância num país tão progressista e sim, que haja pessoas aceitando e querendo participar dessa ignorância promovida por eles. Obrigada pela visita e pelo comentário!

    • Oliver, obrigada por seu comentário. Talvez a Finlândia seja ‘pior’ no sentido de relações humanas, porém em geral os países nórdicos e escandinavos tendem a ser bastante parecidos em vários aspectos. Continue nos acompanhando! 🙂

  6. Gostei muito do texto!
    No próximo ano vou casar com um austríaco e morar na Áustria e, como você, não vejo o novo destino apenas com “olhos sonhadores”.
    Obrigada por ser mais realista do que a maioria dos (as) expatriados (as).

  7. Cristiane, estarei me mudando em dezembro para Copenhagen no final do ano, o meu marido foi removido para lá . Seus textos são muito esclarecedores! Estava muito entusiasmada com a ideia de passar um período fora… mas agora estou com a impressão de que a Dinamarca é um país hostil…

    • Soraya, primeiro quero agradecer por ler os textos e pelo seu comentário, e em seguida quero pedir desculpas por passar uma impressão de que a Dinamarca é um país hostil. Todos os países têm o seu nível de dificuldade, e a minha intenção ao escrever esse texto foi mostrar que a Dinamarca tem coisas boas (leia o texto das 10 razões para morar aqui) mas também tem coisas que podem incomodar. Nunca passou pela minha cabeça amedrontar as pessoas ou desencorajá-las a vir, de forma alguma. Eu sou adepta da filosofia oriental que traduz a dificuldade como oportunidade. Toda dificuldade é uma oportunidade de crescimento, de aprendizado, de superação, de evolução. E claro, a adaptação a um país depende de vários fatores, mas sobretudo, depende da expectativa de cada um. Para mim, o ideal é vir zerado de expectativas no máximo possível, para evitar as frustrações – e isso vale para a vida em geral. Quanto mais expectativas criamos, mais alimentamos o medo que nos paralisa. Venha sem medo e de peito aberto. Continue estudando sobre o país, aprendendo sobre a cultura local, interessando-se pelo modo de vida daqui, tudo isso antes mesmo de se mudar, assim o seu mental já vai sendo trabalhado e de certo as expectativas serão menores. O país é muito bom para quem tem família. Espero que a sua experiência na Dinamarca seja boa e proveitosa e que você e sua família possam desfrutar o máximo dela! Abraços e continue nos acompanhando!

    • Oi Soraya, espero que esteja bem na Dinamarca, a essa altura de 2016. Bem, se conseguiu viver no Brasil, com todas as suas dificuldades, tenho certeza de que vai se adaptar a Dinamarca. Entender a cultura e tentar compreende-la facilita as coisas. Em outro país precisamos, na medida do possível, nos tornar culturalmente “novas pessoas”. Felicidades a sua família.

  8. Cristiane sendo esclarecedora novamente. Gostei muito de tudo que ela falou e tira um pouco dessa coisa de que certo País e perfeito sendo que infelizmente não existe Pais das maravilhas como mostra o Globo reporter kkkkkkk. De todos os motivos 2 eu acho preocupando para mim. Um é a questão do clima que realmente frio e escuridão é tenso, mesmo morando em BH gosto de sol, mas acho que com o tempo vc se adaptar e o segundo e mais importante é a questão da Xenofobia, realmente é preocupando essa questão e morando em outro País é meio tenso sofrer preconceito. Mas acho que vc tem que encarar de frente senão vc não faz nada na vida.

    • Olha, Diego, a adaptação varia de pessoa pra pessoa. Tem gente que chega de peito aberto e não se adapta. Tem gente que tem as dificuldades e se adapta. Tem gente que idealiza, tem gente que não idealiza, o importante no fim é saber qual o seu objetivo e seguir sempre adiante. Na Psicologia existe uma análise do período de transição de um país para o outro, chamado ‘curva da adaptação’. Nessa curva estão os altos e baixos do processo. Todos nós que mudamos de país encaramos alguns aspectos dessa curva, senão todos. O importante é se informar (como você está fazendo) e também visitar o país como turista, antes de se mudar, para tentar sentir um pouco o clima de como as coisas são. Sobre a xenofobia, infelizmente é mundial e no Brasil também temos isso. Há pouco tempo mesmo eu me lembro de contatos no Facebook criticarem o fato de haitianos refugiados no Brasil receberem auxílio do governo, fora as diversas vezes em que presenciei diálogos entre brasileiros e estrangeiros em SP, onde o estrangeiro era praticamente proibido de criticar o Brasil, sob o risco de ouvir um sonoro ‘não tá bom pra você aqui? Pois volte pro seu país!’; cansei de ouvir isso de compatriotas e até terminei amizades por conta disso. A sua perspectiva de encarar de frente, enfrentar o medo e “fazer acontecer” é a mais positiva e a que melhor funciona, mesmo. Obrigada por comentar e continue nos acompanhando!

  9. No post mais recente, eu meio que me posicionei “a favor” da rigidez dinamarquesa com relação aos imigrantes, sejam eles quem forem, MAS, lendo este artigo e tomando ciência da declaração esdrúxula do sujeito aí que disse: “Brasileiros são cidadãos de segunda classe”, eu estou decidido a NUNCA fazer planos para morar na Dinamarca. Ainda que eu continue achando que a presença massiva de imigrantes, sobretudo os árabes, que, em geral, querem impor sua cultura, forma de ver o mundo e religião – e ai de quem discordar! eu posso dizer isto em primeira mão -, eu JAMAIS vou apoiar as ideias fascistas, retrógradas e pseudo-científicas destes xenófobos odiosos. TODO MUNDO, sabendo respeitar a nova pátria, tem o direito de ir aonde bem desejar. Aqui na França, com menos intensidade, bem certo, estas ideias também estão criando raízes. Vejamos o que o futuro NOS reserva, a nós, expatriados dos trópicos…

    • Matheus, que drama, meu amigo! Engraçado você dizer isso, quando mora num país que tem Marine e Jean-Marie Le Pen, que são exatamente a versão francesa do partido dinamarquês que fez os comentários sobre os brasileiros (e isso incluiu outras nacionalidades, também). Todos os países do mundo estão sujeitos a ter pessoas xenófobas – veja bem o exemplo do nosso Brasil e sua reputação de país acolhedor, onde a xenofobia em relação aos migrantes haitianos tem dado suas caras, ultimamente, contrariando tudo o que se espera ou se esperava do país. Menos, rapaz! Não diga que nunca vai fazer algo. Você não sabe o que o futuro lhe reserva. Eu mesma jamais tinha pensado em me mudar pra Dinamarca, até que um belo dia, aconteceu! A Dinamarca pode ser um país duro ou fantástico para se viver, dependendo da sua expectativa e da sua motivação, e a vida na Escandinávia ou nos países nórdicos em geral é bastante parecida em termos de organização social, leis, sistema de bem-estar social (sobretudo Dinamarca e Noruega, parecidíssimos inclusive no idioma – o norueguês é um ‘filhote’ do dinamarquês)… Não se engane achando que vai encontrar diferenças gritantes entre Finlândia, Suécia, Noruega e Dinamarca – são todos parecidos. Inclusive partes do território da Noruega e da Suécia já pertenceram à Dinamarca. Enfim, toda adaptação a um país depende de resiliência, força de vontade e capacidade de se adaptar a uma nova realidade, ou o que se chama de integração. Eu desaprovo e combato ativamente a xenofobia, preconceito, racismo e demais formas de intolerância para com o ser humano e posso afirmar seguramente que a Dinamarca é um país muito bom pra mim. Eu amo morar aqui. Por falar nisso, já leu o meu texto sobre as 10 razões para morar na Dinamarca? O link para o texto está no fim desse texto que você acabou de comentar.

  10. Cristiane, amei seu post, queria saber mais, sou estudante da área de farmácia
    meu sonho sempre foi morar na dinamarca, será que vc poderia me falar mais sobre isso, me explicar como funciona, as universidades, muito obrigadaa, um beijo

    • Franciele, obrigada por comentar! Tenho vários textos escritos aqui no blog a respeito de aspectos da vida na Dinamarca, inclusive falando sobre trabalho, relações pessoais e sociais, estilo de vida, entre outros. Aconselho que você os leia, todos! 🙂 Confesso que fiquei confusa a respeito do que exatamente você quer saber. Fazer perguntas mais específicas ajuda, e se possível, um assunto por pergunta, assim dá para direcionar melhor e responder adequadamente.
      Continue nos acompanhando! Beijos

  11. Muito interessante seus textos, parabéns. Ultimamente tenho lido mais sobre os países escandinavos, vejo as qualidades como total assistência do Estado nas necessidades básicas dos cidadãos. Aqui é bem difícil, né? Vi algo também que está sendo muito sério. A Noruega está recebendo duras críticas quanto ao Conselho Tutelar (Barnevernet), a Suécia possui um caso bem parecido. Com relação à Dinamarca? Realmente não houve relato. Pela internet até agora não vi. Resolvi comentar sobre isso, pois como o Estado é bem presente em todos os aspectos, na Suécia e Noruega ele intervém no modo de educar mesmo dos filhos, o Conselho Tutelar tem total autonomia jurídica. Como acontece na Dinamarca?

    • Oi Danilo, obrigada pelo seu comentário. Na Dinamarca existem mecanismos de proteção às crianças, sim, e se alguém fizer uma denúncia contra uma mãe, contra um pai ou contra os dois, o pessoal da municipalidade vai investigar e sendo necessário, passar a guarda da criança para outro tutor. Aqui há também uma associação privada (forening) que cuida dos direitos das crianças, o Børns Vilkår, e o Socialstyrelsen, que é o serviço social dinamarquês. Todas as crianças têm seus direitos garantidos por lei e esses direitos estão disponíveis para serem lidos online no http://www.boerneportalen.dk. Há telefones para assistência à criança e ao jovem e eles próprios podem fazer uma denúncia de abuso, se for o caso. Se a municipalidade julgar que uma criança está sendo prejudicada pela criação dada por seus pais, seja por conta de violência ou outros motivos como vícios e conduta considerada inapropriada, o Estado toma a liberdade de retirar a guarda dos pais e colocar as crianças em instituições ou sob a guarda de outro tutor. É proibido, por exemplo, ‘palmada educativa’ – isso é considerado como um ato de violência contra o menor e pode ser motivo de retirada da guarda. O Socialstyrelsen tem, igualmente, autonomia para sugerir que uma criança deve procurar um tratamento psicológico ou medicamentoso, caso haja uma denúncia de um professor, por exemplo, sobre o comportamento dessa criança. As denúncias sobre abuso, violência e outras que contrariam os direitos das crianças podem ser feitas por qualquer pessoa e todas são consideradas como sérias até que se prove o contrário. Porém, nem todas as denúncias têm fundamento, e isso pode levar a julgamentos e sentenças inadequados, que acabam prejudicando a criança e seu desenvolvimento. Tenho uma amiga, por exemplo, cujo filho é bastante esperto e ativo e a professora dele no jardim de infância sugeriu que ele tinha transtorno de hiperatividade (TDAH) – isso porque o menino fazia perguntas e era sonhador. Ele teve que passar por psicólogos para comprovar que o tratamento medicamentoso era desnecessário. Pode ser que tenha casos de injustiça, afinal nenhum país é perfeito, mas em geral acredito que o sistema social funciona bem no sentido de proteger as crianças. Espero ter respondido a sua pergunta adequadamente. Abraços e continue acompanhando mais sobre a Dinamarca aqui no blog! 🙂

    • Não me leve a mal, mas o Barnevern é digno apenas de elogios. Basta conhecer um Norueguês adulto para entender. De ambos os sexos, mas principalmente os “homens”.

      Não sei como é a Noruega, conheço apenas a Suécia, embora conheça muitos Noruegueses por causa do meu trabalho, mas é fato que como homens e seres humanos, eles são o Top. São nota 10.

      Poucas raças de homens e mulheres no mundo chegam aos pés deles e com certeza é pela política de não violência física e verbal a criança. Só uma besta burra, fruto de violência e que se identifica com seu agressor, acharia que violência é sinônimo de educação.

      Quando falo de Noruegueses não consigo falar como ser humano imparcial, mas apenas como “mulher” e a mulher que não sabe que o homem Brasileiro não serve para limpar os sapatos do mais medíocre dos Noruegueses, não sabe o que é homem. Sinceramente.

      O caráter deles, a incapacidade de tratar mulher como objeto, de fazê-la sentir-se diminuída, humilhada ou pressionada; o conforto que eles nos passam por nos fazer sentir iguais a eles (eles têm essa capacidade, mesmo os que possuem poder aquisitivo maior que o nosso); a compaixão, a sensibilidade, mas independência também tornam os Noruegueses os homens mais atraentes e masculinos (no sentido totalmente positivo da palavra) que existem. Eles são incapazes de tentar destruir, direta ou indiretamente a individualidade ou identidade de uma mulher, o que é comum acontecer no Brasil e em praticamente todos os Países do mundo.

      Se existisse um Barnevern no Brasil, as coisas aqui seriam bem diferentes.

      Cristina.

      • Cristina, explique a relação entre o Barnevenet e “um norueguês adulto” que fiquei aqui tentando entender. Admiro seu respeito pelos noruegueses, porém saliento que conhecer alguns noruegueses não significa conhecer a Noruega. Gente boa e gente ruim existe em todo lugar do mundo e mundo ideal se chama assim justamente porque só existe no campo abstrato das ideias. Na Noruega também se cometem erros, afinal estamos falando de seres humanos.

        Notei a sua confusão nos dois comentários no tocante a ‘raça’, quando na verdade creio que você se refere a etnias. Os dois conceitos são diferentes e não são sinônimos. Raça compreende apenas fatores morfológicos, enquanto que etnia abrange também aspectos culturais como nacionalidade, religião, idioma etc. Nem todo mundo sabe dessa diferença e como você, usam erroneamente a terminologia.

        Sugiro ler um pouco mais a respeito de violência doméstica e seus números na Escandinávia antes de afirmar categoricamente algo sobre os homens noruegueses que são, sim, gentis em geral, entretanto (como já dito anteriormente) a perfeição é ilusória. Os países escandinavos são, em sua maioria, humanistas e feministas; muito se lutou por aqui para chegar a esse nível. Contudo, há casos graves de tráfico de mulheres, exploração sexual e violência doméstica nessa região que devem ser considerados, se queremos dar um panorama completo. Sobre sua afirmação de que ‘o homem Brasileiro não serve para limpar os sapatos do mais medíocre dos Noruegueses’, entendo sua insatisfação com os brasileiros e seu machismo, uma constante no país em praticamente todos os estados, e ao mesmo tempo condeno a generalização, pois toda generalização tende a ser burra. Você se engana ao pensar que é só o brasileiro que objetifica a mulher. Caráter não tem a ver com nacionalidade, nem com raça, muito menos com etnia: dentro do Brasil terrivelmente machista existem homens que sabem tratar uma mulher com o respeito e dignidade que ela merece, ainda que você pareça não ter tido até o momento a oportunidade de conhecer um desses pelo seu caminho.

        O que faz um país são as pessoas que nele vivem. Se o Brasil está como está, a responsabilidade é dos cidadãos – de TODOS os cidadãos.

        Sobre o Barnevernet, tanto homens quanto mulheres estão implicados nas resoluções tomadas pelo órgão. Informe-se melhor a respeito.

  12. Hvorfor bor du I Danmark? Du er meget negativ… Jeg er dansk og har boet i brazilien….for mig har du ikke stor interesse i at bo i danmark. Hvis du mener der er disse problemer, bedre du rejser hjem, hvor tingene er bedre efter hvad du sammenligner.

    • Først of fremmest, tak for din kommentar.
      Det er meget racist at sige, at hvis man ikke er tilfreds, så skal man hjemme hos sig, synes jeg. Jeg føler mig hjemme her og jeg er glad for at sige, at Danmark blev mit hjem.
      Jeg er ikke negativ – du læser mig forkert, kære Jens. Jeg taler bare om tingene, som kan være rigtig svære for en brasilianer, der kommer til at bo i Danmark. Hvor godt kender du brasilianer for at sige så bekraftlig, jeg er negativ? Det ved jeg ikke. Men jeg ved rigtig godt hvad jeg siger og mener og hvorfor jeg siger og mener det.
      Du har selvfølgelig ikke læst alt jeg skriver her, især min tekst om 10 grunde til at bo i Danmark. Ellers så skulle jeg antage, at din brasilianskkundskab er ikke så god til at forstå hvad jeg mener…?

      Jeg vil gerne give dig en chance for at læse teksten og måske ændre din mening om hvad jeg skriver, hvis du har lyst og tid til det… 🙂 http://www.brasileiraspelomundo.com/especial-dez-razoes-para-morar-na-dinamarca-12118101

      • CRISTIANE, SUA RESPOSTA ACHEI MUITO BOA!!! NÃO ACHO VC UMA PESSOA NEGATIVA E SIM UMA PESSOA QUE AJUDA A VER A REALIDADE DE TER UMA VIDA EM DINAMARCA. MAS ACONTECE QUE A INVASÃO DOS PAÍSES ÁRABES FEZ QUE OS DINAMARQUESES ESTEJAM SEMPRE DE ORELHA EM PÉ PRA COMENTÁRIOS E EM ESPECIAL PARA ESTRANGEIROS QUE QUEREM VIVER AI. DESCULPE ESSE COMENTÁRIO DESSE SUJEITO QUE ” NÃO ENTENDEU SUA AJUDA E ORIENTAÇÃO” RSSSS

        • Tusind tak, Maren 🙂
          Muito obrigada por compreender o objetivo deste texto. Acho realmente uma pena que esteja acontecendo esse medo de ter a cultura dinamarquesa modificada pelos estrangeiros. O segredo de uma vida feliz num novo país é adaptar-se, aculturando-se sem agredir, mantendo suas próprias tradições sem querer modificar as tradições do país onde se vive. A isso se chama respeito e integração.
          Abraços

      • Cristiane, descobri este blog por acaso e, qual não foi a minha surpresa ao me deparar com este seu texto tão lúcido, além de bem escrito. Ao lê-lo, fui transportada literalmente para o norte europeu. E, lendo os comentários acima e suas respostas tão precisas, me veio à mente a ideia de que ‘vemos o que queremos ver’. É o caso da Noruega por exemplo que, embora sendo o país mais democrático e feliz do mundo, ainda é um dos 127 – incluindo 12 membros da União Europeia – que não criminalizam explicitamente o estupro no casamento. Sem esquecer que, segundo especialistas, ‘conforme a sociedade avança na distribuição de poder entre os gêneros, pode haver uma transição em que a violência cresce como última forma da dominação masculina’.

        • Inezita, obrigada por ler e comentar. O que você disse é verdade: as pessoas só veem o que querem.
          Não tenho informações sobre os índices de violência doméstica na Noruega, então não posso comentar, mas irei pesquisar a respeito.
          Concordo com a sua última colocação sobre a violência como forma de dominação masculina e o que temos visto é uma intensificação da divulgação de casos de abusos contra a mulher mundo afora. Espero que um dia possamos parar de precisar de lutar por igualdade mas enquanto esse dia não chega, avante na luta!
          Abraços

  13. Obrigada pelos ótimos artigos, Cristiane! Morei em Nova York por 15 anos e me identifiquei demais com algumas situações descritas por você….

    • Eu é que agradeço por acompanhar o meu trabalho aqui no BPM! Acredito que alguns dos pontos que mencionei sejam bastante comuns a toda pessoa do Brasil que vá morar no exterior pela primeira vez, independentemente de país; por isso sempre recomendo a quem vem que tenha paciência, mas sobretudo, resiliência. As dificuldades nos ensinam muito e acabamos nos tornando pessoas mais maduras e melhores.
      Muito obrigada por comentar!

    • Olá João, obrigada pelo interesse no artigo. Que tipo de revista e que tipo de dicas você precisa? Se for mais específico, vou poder tentar ajudar melhor. Um conselho básico é que as publicações devem estar em inglês ou na língua do país escandinavo de sua escolha, se for algo para um nicho mais específico. Se for a respeito de turismo em Natal, aconselho entrar em contato com órgãos de turismo nos países competentes: agências de turismo ou mesmo órgãos como o dinamarquês ‘Visit Denmark’, para tentativa de um intercâmbio de turismo entre os países. Espero ter ajudado. Grata pelo comentário e continue nos acompanhando!

  14. Olá Cristiane tdb? Morro de vontade de sair do Brasil e me mudar pra Dinamarca, gostaria de saber como é o trabalho para Brasileiros por aí… Sou formado em Direito. OBRIGADO …

    • Olá, Diego. Sair do Brasil e mudar de país requer, além de vontade, preparo e resiliência para lidar com as dificuldades que todos nós enfrentamos no percurso. Recomendo a leitura de outros artigos meus aqui no blog para ter uma ideia melhor de como funciona a Dinamarca antes de tomar uma decisão final. O país tem seus pontos positivos e negativos como qualquer outro, mas questões culturais podem levar a um choque e se a pessoa estiver despreparada, pode desanimar. Sobre trabalho, por favor leia os artigos que escrevi a respeito: http://www.brasileiraspelomundo.com/dinamarca-trabalhando-parte-1-59183913 e http://www.brasileiraspelomundo.com/dinamarca-trabalhando-parte-2-32114630 . Nesses artigos você encontrará dicas valiosas a respeito de como funciona o mercado de trabalho para estrangeiros no país, como procurar emprego, requisitos necessários para encontrar emprego na Dinamarca, entre outras dicas importantes. Há muitos artigos meus falando a respeito de como fazer amizades, o que se come por aqui, aspectos culturais, comportamento, vistos necessários para morar no país, custo de vida e muito mais. Leia tudo com carinho para perceber se a Dinamarca é mesmo o país pra você!
      Agradeço o interesse e continue nos acompanhando para saber tudo sobre a Dinamarca aqui no BPM 🙂

      • O preconceito é por falta de conhecimento, é porque muitos não conhecem a mulata e o mulato brasileiro, quando conhecem se apaixonam e não querem mais saber de outro lugar. Um país tropical, a América do sol, lugar onde o sol brilha o ano inteiro. Não é à toa que muitos noruegueses estão se aposentando e fazendo morada definitiva no Nordeste. Estão aprendendo a se alimentar com qualidade. Viva o meu, o nosso Brasil.

        • Elizabete, obrigada por comentar.
          Desculpe a franqueza mas não sei se você consegue enxergar o preconceito na sua própria fala, no emprego da palavra ‘mulato’. Essa palavra foi criada como uma forma pejorativa e eufemismo para se referir aos mestiços, filhos de negros com brancos, normalmente frutos de relações abusivas de brancos e negras na época da escravidão. Mulato/a vem de ‘mula’, que é o cruzamento de um cavalo com uma burra ou de um jumento com uma égua. Admiro seu entusiasmo e amor pelo Brasil mas peço que observe melhor as palavras que utiliza para não cair no engodo do racismo por desconhecimento etimológico. Ou seja: falando um português claro, não use a palavra ‘mulato’ para se referir aos afrodescendentes brasileiros.

          Agora, sobre o preconceito e xenofobia que existem na Europa, isso independe de conhecerem ou não as pessoas de uma nacionalidade. O preconceituoso/xenófobo cria um bloqueio para o estrangeiro e sequer se permite conhecê-lo. Sendo assim, sua afirmação fica sem sentido nesse contexto.
          E quanto aos noruegueses (não entendi muito bem a analogia, estou na Dinamarca e não na Noruega), queria dizer que há muitos europeus de várias nacionalidades morando e sendo felizes no Brasil. Aqui na Europa também tem gente boa, apesar dos preconceituosos e xenófobos, que existem mas felizmente são minoria.

    • As I am very polite and I am pretty sure you haven’t read either my profile or other posts I wrote here, I will take your comment as ironic and reply with a question: how well do you know Brazilians? Not so well I assume… 😉

  15. oi gostei de seu poste, más gostaria de saber se consigo alugar um quarto ai bem barato se tem algum programa de intercâmbio férias aqui no brazil oferecenfo ai se o custo de vida ai e caro?

    • Olá e obrigada por ler e comentar.
      Quando se fala em ‘bem barato’ eu não sei ao certo o que pensar, porque é muito relativo. Em termos gerais, ‘bem barato’ é algo inexistente na Dinamarca. Encontrar moradia tem sido um problema constante de muita gente, sobretudo em cidades grandes, onde o fluxo de estudantes é constante e crescente. Sobre custo de vida, leia o texto onde falo a respeito: http://www.brasileiraspelomundo.com/dinamarca-quanto-custa-morar-aqui-091116026
      Não entendi o que você quis dizer com ‘programa de intercâmbio férias aqui no brazil’.
      Continue nos acompanhando aqui no blog!

    • Oi Adriana, tenho duas matérias sobre trabalho aqui mesmo no blog, e muitas outras matérias interessantes a respeito de vida na Dinamarca, hygge, comportamento, relacionamento com dinamarqueses, comida, tradições… Dê uma lida nos outros textos, certamente terá muita coisa que aproveitar!

      Obrigada e continue nos acompanhando aqui no BPM 🙂

  16. Triste mesmo esta sendo morar no Brasil, não temos mais perspectivas de futuro, dormimos e acordamos esperando qual será a nova falcatrua que descobriram e qual será o próximo aumento para taparem os buracos abertos pelos nossos governantes. Vivo num país que pago impostos altíssimos e mal consigo comer. É de cortar o coração. Viveria em qualquer outro país onde pudesse sair na rua sem ter medo de não voltar. Bjos e adoro seu blog Cris.

    • Priscila, não se engane que o mundo aí afora está tão melhor que o Brasil. Um país é feito de pessoas e se o Brasil está como está, a responsabilidade não é do governo apenas, mas principalmente das pessoas. A corrupção é institucionalizada no nosso país e tem sido assim desde que Portugal chegou por essas bandas e colonizou – uma herança maldita, talvez, mas que perdura até os dias de hoje. Na Dinamarca as pessoas também pagam impostos altos, o custo de vida é alto, há o risco de você ser sempre visto como um apátrida, enfim… Hoje mesmo li um texto que tem tudo a ver com o que estou tentando dizer. Agradeço por ler o blog e continue nos acompanhando para saber tudo sobre a Dinamarca!

      • Se Portugal não tivesse chegado ao Brasil, será que mudaria alguma coisa? Provavelmente não, porque senão fossem os portuguses a iniciar a colonização teria sido outro país qualquer e atualmente, os brasileiros são uma mistura de vários povos. A corrupção está espalhada por todo o lado e isso tem origem não num povo em especifico, mas com a mentalidade gananciosa do Ser-Humano que ninguém sabe exatamente quando e onde começou. O que eu tenho reparado é que os paises mais ricos em recursos são os que mais sofrem porque são alvos da ganancia humana.
        A xenofobia e a desconfiança aumentam com o medo e com a insegurança. As pessoas têm medo que os estrangeiros venham e que os ataquem e lhe roubem o que têm, pois tem sido essa a nossa História ao longo de milhares de anos. Isto tem sido um ciclo vicioso difícil de quebrar. Ninguém pode dizer que não tem um bocadinho de xenofobia dentro de si.

  17. Cristiane, tudo bem. Sou advogado e historiador. Estudos sérios e controlados estão a mostrar que o Brasil será em em prazo de 30 anos uma potência na área de alimentos, precisamente o maior exportador de alimentos e outros produtos primários minerais do mundo. Já somos a terceiro. Primeiro em carne bovina e frango. Segundo exportador de soja. Vamos bater os EUA e UE. a Europa vai depender do Brasil nesse sentido. Esse velho continente já não tem mais recursos minerais. Tanto é verdade que um quilo de carne herbívora custa uma fortuna aí nessa porcaria da Dinamarca, pinico da Europa. Dinamarca na frente do Brasil é nada. Brasil é um gigante. A Europa hoje depende de importar gás da Rússia.Consome 70% do petróleo e 65% do gás exportado pela Rússia. EUA e UE são responsáveis pelo aquecimento global. Ficaram ricos poluindo o planeta. Só que a terra vai esquentar. Só na Europa mais da metade da população vai morrer. Brasil vai sobreviver e ditar as regras do jogo. James Lovelock, renomado cientista, afirma que morrerão 6 bilhões de seres humanos. Logicamente muitas cidades do Brasil vão afundar. Mas nosso país é muito grande.Vamos sobreviver. Será nossa vez. Esses degenerados racistas xenófobos vão implorar para morar no Brasil. Esperem pra ver.

    • Olá. Obrigada por seu comentário apaixonado sobre o Brasil. Admiro as pessoas que acreditam no país e espero sinceramente que essas mesmas pessoas colaborem para que se possa construir um Brasil melhor para todos. O único incômodo que senti ao ler o que escreveu foi a ofensa desnecessária à Europa e à Dinamarca. Talvez se você se dispusesse a conhecer melhor o país, sua visão (ainda mais como historiador) poderia ser ampliada e, assim, ser menos negativa e agressiva em relação ao país. Entendo que no Brasil as pessoas tenham por hábito essa paixão cega ao defender seus pontos de vista, mas poderíamos aproveitar melhor os debates se usássemos fatos para defender nossos argumentos em vez de achismos que acabam transformando uma discussão que poderia ser produtiva em um bate-boca entre torcidas num estádio de futebol, onde proliferam as emoções e a razão e o bom senso são esquecidos.

      A Dinamarca acabou de inaugurar no Ceará uma planta da Vestas, a maior empresa de tecnologia em energia eólica do mundo. Esse foi um passo importante na colaboração entre os países. Ninguém sobrevive sozinho e se o Brasil vai ser essa potência do futuro como você profetiza, certamente irá depender do comércio exterior para isso. Agradeço mais uma vez o seu comentário e aproveito para sugerir que pense duas vezes antes de insultar culturas e países que você talvez desconheça, e em vez disso apresente fatos na hora de argumentar, sempre – as discussões serão mais sadias e produtivas dessa forma!

    • Eles (os xenofóbicos) não precisam “implorar” para viver no Brasil. Brasil é terra de ninguém; qualquer um entra aqui e faz o que quer. Conheci um palhaço Americano de classe média alta que me disse que estava se mudando para o Brasil porque aqui ele podia sair com garotas menores de idade e nos Estados Unidos, a sociedade, principalmente a alta sociedade, reprimia isso. Ele disse isso assim, na minha cara, como se fosse a coisa mais normal do mundo dizer isso, só porque estava no Brasil!

      Já fui abordada por estrangeiros nas ruas da zona sul do Rio, de várias nacionalidades, por 3 vezes, perguntando onde podiam encontrar “cocaína”. Geralmente eu aponto a cabine azul da PM e digo: “Pergunta a eles, eles sabem”. O que me espanta é eles terem achado que podiam me perguntar! Qualquer um vê que eu não sou a pessoa ideal para se perguntar isso. Ou seja, idiota é quem acredita que o Brasil algum dia vai ter identidade própria, poder, domínio de algo seu.

      Se a Dengue fosse um problema Europeu ou Norte Americano, a cura ou algo parecido já teria sido encontrado. Mas isso aqui é Brasil e a gente pega dengue duas vezes por ano brincando e os hospitais omitem descaradamente a epidemia, exatamente porque o dinheiro para as pesquisas ou são desviados ou não existem porque são automaticamente embolsados.

      “Pobre” aqui tem mais bens que a classe média e nem sabem o que é ITBI.

      Ninguém nunca se perguntou por que pobre no Brasil NUNCA vai as ruas exigir melhores salários?? Se os salários são tão injustos, por que o povo nunca se revoltou?

      Quem vai é a classe média. “Pobre” não vai porque possui “casa própria”, luz, água, internet, etc., de graça. São as compensações pelos baixos salários e parece que é “gente como você” que criou e mantêm esse estado de coisas. Graças a Deus que a Escandinávia não é igual ao Brasil!!

      Por outro lado, Cristiane, também não concordo com o seu tom de lamento assim como de indignação sobre a afirmação de Brasileiros serem uma raça de “segunda classe”.

      São sim, mas os poucos que NÃO se identificam com sua própria raça, até porque ninguém pede para nascer em um lugar em particular e as raízes ascendentes podem ser bem diferentes da Brasileira, simplesmente saem do Brasil, não ficam como esse demente do tal do Bruno ou anônimo, que deve ser um dos “Sanctos” (homossexuais enrustidos, que trocam informações sobre perfumes nos sites que incitam violência contra as mulheres), já que é admirador do Bolsonaro, falando as merdas que falou.

      Mas eu entendo perfeitamente o sentimento dos Escandinavos, embora não concorde com a generalização desses xenofóbicos porque isso põe em risco a integridade física e psicológica de quem é superior o bastante à sua própria raça para viver em outro País (tão diferente). Eu entendo a sua preocupação e entendo a deles.

      Eu conheço muitos Noruegueses, sendo que meu melhor amigo (e único) é um Sueco e todos eles andam assustados com os muçulmanos sim e com o fato de várias raças estarem indo para seus países viver as custas dos benefícios dados por seus governos. Eles estão reclamando porque o custo de vida está ficando mais alto para eles, em função dos governos estarem sustentando imigrantes e estão perdendo a segurança que tinham, inclusive física. Mas não são só os Noruegueses e Suecos, os Ingleses também estão vivendo o mesmo problema e revoltados da mesma maneira.

      Seja como for, superior é o País que dá 30 anos de cadeia a um pedófilo, por exemplo, que estuprou uma criança e a Suécia, assim como certamente a Dinamarca também, tem a mesmíssima vocação Brasileira para proteger esse tipo e todos os outros, inclusive agressores de mulheres, porque assim como no Brasil, um estuprador de crianças na Suécia não fica mais que 1 ano e meio ou dois anos preso.

      Na Escandinávia e acredito que nos quatro Países, crimes desse tipo são indenizados com dinheiro e não com punição verdadeira e seus nomes (dos abusadores de mulheres e crianças) e imagem são sempre omitidos, o que facilita a futura ação do agressor, já que ninguém sabe quem é. O legislativo e o judiciário de lá não é tão diferente assim do Brasileiro, no que diz respeito a violência contra mulheres e crianças e isso FALA MUITO sobre o caráter de uma raça e um País.

      Não chamo isso de avanço, mas de retrocesso total, então, esse tal País superior AINDA NÃO EXISTE. Escandinavo, em muitos aspectos, é tão omisso e hipócrita quanto Brasileiro, a diferença é que, pelo menos em muitos Países da Europa, as pessoas “fingem” melhor.

      Mas com certeza eu sairia do Brasil amanhã se eu pudesse fazer isso agora, levando minha filha, neta e mãe comigo. Sem dúvida. E eu não ergueria nenhuma bandeira Brasileira em outro País.

      Hoje eu sinto vergonha de ser Brasileira, inclusive Carioca. Tranquilamente eu viveria sem Nacionalidade nenhuma, se eu pudesse, e num País que fingisse ser superior, desde que o fizesse bem.

      Cristina.

      • Opa, mais incoerência detectada! Cristina, querida, não sei qual a sua idade nem a sua experiência de vida mas quanto amargor em relação ao Brasil, hein, minha filha? Decida para que lado você pende, pois seus argumentos são totalmente desprovidos de coerência. É muito achismo e pouca informação. Respeito seu direito de pensar como queira, porém (perdoe a franqueza) sugiro que se informe um pouco melhor antes de tentar rebater argumentos alheios usando argumentos desconcertados e sem nexo entre si. Sinto pena por você se sentir uma cidadã de segunda categoria por ser brasileira, e mais pena ainda por ter vergonha de ser brasileira. Isso não ajuda o país e nem a você mesma. Os países mais bem colocados nos rankings mundiais possuem algo em comum: as pessoas têm orgulho de sua origem. Talvez seja esse o problema com os brasileiros, eu incluída, se quiser. Temos que parar com essa onda de menosprezar o Brasil e nossa gente. Temos que parar com essas generalizações burras a respeito de coisas sobre as quais conhecemos apenas a metade, ou nem isso. Omissão e hipocrisia, que eu saiba, são características inerentes ao ser humano, independentemente de sua origem no globo; portanto, podem aparecer onde quer que seja. Se na Europa as pessoas fingem melhor, não sei: talvez culpem os ansiolíticos, talvez tentem afogar as mágoas na bebida, talvez encontrem a sua fórmula de escape em comentários sem sentido nos textos que encontram pelos blogues da vida, em noites solitárias na frente do computador, como – inclusive – podem fazer alguns brasileiros. Porém, isso é do ser humano, e nada tem que ver especialmente com a Escandinávia ou com qualquer país que seja.

        • Estou indo para a Dinamarca no final do mês e encontrei seu blog fazendo algumas pesquisas. Como vi que você responde a todos os comentários, comecei a lê-los para encontrar informações úteis. Mas, olha… to encontrando muita gente ~louca~ também. Rs. Fiquei imaginando a sua cara ao ler alguns comentários (eu confesso que dou risada de algumas coisas, de tão absurdas) e fiquei tão impressionado com a sua educação para responder e como você consegue dizer qualquer coisa é colocar as pessoas no “seu devido lugar” sem ofender em nenhum momento. Parabéns! Hehe. Vou continuar lendo aqui e mais tarde tirar alguma dúvida restante com você em um outro comentário. Obrigado por compartilhar sua experiência e pelos ótimos textos.
          Bjo

  18. “Xenofobia”? Faz me rir…. como se ninguém conhecesse o comportamento dos islâmicos terroristas. “Preconceito e xenofobia contra o que lhes é desconhecido” cara de pau falar algo assim em tempos aonde a informação não tem limites. Vá ser feminista em Colônia na Alemanha e dizer que “ainda assim saúda a vinda dos emigrantes” depois de ser estuprada por alguns deles..
    Ainda bem que lá a democracia deles é verdadeira e normal, todos tem representatividade. Ainda bem que lá não é o Brasil, uma ditadura socialista-moderna. Ainda bem que são “retrógrados” “xenófobos”.. assim se salvam dos globalistas no que resta de seu país. Mas “fascistas”? Fascistas é a praticamente toda a classe progressista/marxista no Brasil. Fascistas são as feministas, são os esquerdistas. São aqueles de acusam os outros do que vocês são. Como vocês gostam de dizer: vá estudar.
    E sim, no geral brasileiro é povo de 2ª mesmo, e dizer que é de 2ª ainda é um elogio, pois poderia ser bem pior. Qualquer brasileiro humilde de verdade reconheceria isso (eu sou de 2ª autora e você?) e aquele que é de primeira nem vai ser incomodar, pois sabe da realidade cultural/mental do nosso povo, e alguém de primeira, se encaixa em qualquer lugar do mundo.

    • Olá, Bruno Knapik Neto. Obrigada por comentar. Sugiro que quando for fazer comentários nos meus textos tenha ao menos a decência de se identificar com seu nome (se é que este é o seu nome). Identificar-se como “Anônimo” demonstra uma covardia típica dos que estão inseguros a respeito de suas próprias ideias, fato que pude observar na incoerência de seus argumentos. Cara de pau é querer comentar como Anônimo, meu caro, e generalizações como as de seus argumentos são fruto da ignorância. E por falar em humildade, seja humilde você mesmo: reconheça sua falta de conhecimento e procure ler e compreender melhor o que vem a ser uma ditadura e movimentos como o fascismo e marxismo, tão antagônicos entre si que sequer me vou dar ao trabalho de esclarecer um e outro para você. Nem todo muçulmano é terrorista, porém a minha conclusão é que todo fã do Bolsonaro tem um quê de ignorância difícil de tolerar.

  19. Bom dia Cristiane.
    Eu gostaria muito de tentar uma carreira fora do país, e de preferência com país com de linguá de indi oma inglês.
    Atualmente eu curso Administração 5° período e fiz um ano de inglês na Wizard, qual conselho você me daria a respeito deste país, e qual a oportunidade que os brasileiros estão tendo no momento?
    Qualquer opinião é sempre bem vinda. Obrigado!

    • Giulio, obrigada por comentar.
      A questão do desemprego também está abatendo a Dinamarca. Há muitos profissionais altamente qualificados, com mestrado e doutorado inclusive, que estão no momento na busca por um emprego. A área de TI é bastante promissora no país e seus profissionais fazem parte da chamada ‘lista positiva’ – para ler mais a respeito, procure os meus artigos sobre trabalho na Dinamarca e leia também o artigo da Camila, que sairá em breve. Para trabalhar nessa área é preciso um domínio avançado do inglês. Não há equivalência para o curso de administração de empresas do Brasil por aqui. O sistema de ensino local difere muito do nosso e para ter boas chances por aqui eu aconselho a aprender dinamarquês e fazer um mestrado. Talvez uma oportunidade boa para você seria vir para cá justamente para cursar o mestrado. Profissionais estrangeiros com diploma dinamarquês têm muito mais chances de se colocar no mercado de trabalho. Porém, com um inglês fraco, infelizmente fica difícil até para estudar, já que os cursos em nível superior daqui exigem o TOEFL ou equivalente para aceitarem a matrícula.
      Meu conselho pra você é: termine seus estudos no Brasil, concentre-se em aprender inglês aí mesmo e depois procure um país para prosseguir os estudos em nível superior, aumentando assim as suas chances.

  20. Bom dia Cristiane.
    Atualmente estou cursando Administração 5° período, e gostaria de uma opinião sua a respeito de vagas para esta área, se você tem conhecimento de vagas de emprego, e como os brasileiros são tratados ai?
    Qualquer opinião sua é muito importante, muito obrigado.

      • Cristiane, eu tenho muita vontade de sair do Brasil, e tentar uma carreira no Exterior, porem não tenho nenhum contato, e não conheço ninguém, meu Email particular é esse [email protected], gostaria muito que futuramente você pudesse me ajudar de alguma forma de coração qualquer ajuda sua sera sempre bem vinda.

        • Oi querido, entre em contato através do blog, mesmo, e terei o maior prazer em ajudar. Procure também grupos de brasileiros no exterior nas redes sociais para um panorama a respeito dos diversos países. E claro, leia sempre o Brasileiras Pelo Mundo e nossos artigos 🙂 Obrigada!

  21. Acho certo os dinamarqueses lutarem pelo seu país e terem aversão a imigrantes. Nem todos os países tem obrigação de ser multi-culturais.

    • Hugo, obrigada por ler e comentar. Ache certo o que quiser, mas lembre-se de considerar um fato que é impossível de parar: a globalização. Se um país se fecha em si mesmo ele não cresce, não se desenvolve, e todos os países dependem de outros, de uma forma ou de outra. O comércio exterior está aí para provar isso. Você se engana ao pensar que existe ‘obrigação’ de algum país ser multicultural. A realidade é que no mundo de hoje a globalização transformou o mundo e todo país no globo sofreu, sofre e sofrerá influências externas de outras culturas. Todo país que queira se fechar em si próprio e preservar uma pureza de cultura está caminhando rumo ao retrocesso – haja visto a ação de fundamentalistas; aqui, não me refiro apenas aos fundamentalistas religiosos. Abrir-se para novas culturas significa possibilidade de enriquecimento cultural, aprendizado e aquisição de uma riqueza imensa. Entenda que ser multicultural não significa abandonar seus valores intrínsecos. Ter aversão a imigrantes é apenas o reflexo do medo do desconhecido. O medo só faz paralisar. A questão é muito mais profunda e há falhas no sistema de integração europeu. É na integração que se deve trabalhar, não no fomento da xenofobia.

  22. Olá, Cristiane Leme!

    Que belas cidades na região da Jutlândia você pode recomendar para quem estar interessado em passeios turísticos?
    O Castelo Nyhavn, localizado em Odense, fica na região da Jutlândia?

  23. Oi, Cris Leme!
    Vou ler esses dois textos que você escreveu sobre pontos turísticos na Jutlândia.
    Sobre o castelo Nyhavn, eu vi essa informação num site brasileiro que falava sobre a Jutlândia.
    O link é http://www.bestriders.com.br/viagem-de-moto-dinamarca-peninsula-de-jutlandia-terra-dos-vikings-parte-ii/
    Na página tem a foto de um castelo lindo com a seguinte legenda: “Castelo Nyhavn localizado em Odense”. Se puder, dê uma olhada.
    Abraços!

  24. Amei o seu artigo. E hj ouvi no radio que a Dinamarca e o melhor lugar para se viver atualmente e , batendo outros países q sempre lideraram essa pesquisa.
    Sempre tive vontade de morar por ai mas sou casada e tenho um filho de 11 anos.
    E com a situação vergonhosa do nosso país aí que a vontade bate mais forte.
    mas sabemos que no exterior somos sempre visto como cidadão de segunda classe é complicado. mas viver em um país onde tudo funciona deve valer todo o ônus da estória de ser um estrangeiro..

    • Obrigada, Soraya. A Dinamarca está no topo em vários critérios: é o país mais feliz do mundo, foi eleito recentemente o país com melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional e está entre os cinco melhores países para mulheres e para a família. Eu amo morar aqui e me identifico profundamente com os ideais de igualdade de gêneros e de oportunidades que existem por aqui. Na verdade essa declaração de que os brasileiros eram cidadãos de segunda classe partiu do líder do partido de extrema direita local, o Partido do Povo Dinamarquês, conhecido por suas declarações e políticas xenofóbicas. Não são todas as pessoas na Dinamarca que pensam assim. Somos mais de 3 mil brasileiros vivendo aqui e achei bastante pertinente a resposta da embaixada brasileira. Estou de acordo que o que está acontecendo no Brasil é inaceitável. Tenho acompanhado pela mídia independente e realmente é assustador, as pessoas sendo atacadas nas ruas só por estarem usando algo vermelho, é inaceitável que um país se lance a esse tipo de violência gratuita. Com todos os acontecimentos recentes no nosso país eu tenho medo de voltar, principalmente porque milito pelas causas da esquerda e posso ser mal interpretada, agredida e sabe-se lá mais o quê.
      Continue nos acompanhando para saber tudo sobre a Dinamarca! Abraços

      • Cris,
        Parabéns para o seu blog, é de muita utilidade.
        Vejo por suas respostas que você sempre aconselha as pessoas a se munirem de informações concretas e a evitarem os achismos. Concordo. Então, sugiro que se informe mais sobre o ataque a pessoas de vermelho nas ruas. Pessoas tem sido atacadas independentemente da cor da roupa que estão vestindo. Eu, particularmente, presenciei um espancamento. Só que, neste caso, eram pessoas de vermelho que estavam atacando. O país está burramente dividido entre pós e contra, como se todos os problemas se resumissem a um partido ou um salvador da pátria. Falta (muito) consciência política e esclarecimento, o que é compreensível, porque está realmente tudo muito confuso.
        Mas acho que o objetivo do seu blog é informar sobre a vida nos países nórdicos, e acho que cumpre bem essa meta.
        Boa sorte e continue com o trabalho.

        • Olá, Marina, e obrigada por ler e comentar.
          O ataque às pessoas de vermelho não é achismo meu. Foi notícia em vários jornais. Ataques justiceiros parecem ser algo que no Brasil está se popularizando, infelizmente. Lembro-me do caso de uma mulher que foi linchada por ser suspeita de um crime. Ela foi morta pelas pessoas e era inocente. Também me lembro de um ladrão, não me recordo se foi no Rio ou em outro lugar, que foi acorrentado a um poste por causa de seu crime. Agora, com a polarização política, há radicais e extremistas em ambos os lados. Concordo com você que falta consciência política, e falta também que as pessoas se informem melhor e mais amplamente em vez de escolherem um viés. Entretanto, a minha experiência me diz que é muito mais fácil enxergar o mundo através de dicotomias e, no caso especial do Brasil, de maniqueísmo. Muita gente briga comigo porque eu defendo a complexidade em detrimento da simplicidade, mas acho que se perde muito quando se deseja simplificar demais. É preciso entender que há muitas perspectivas, muitas nuances em tudo, e não significa que esta ou aquela seja melhor ou pior: são apenas nuances de um mesmo objeto. Sou pela pluralidade e contra dicotomias e estou muito triste e decepcionada com o que anda acontecendo no Brasil. Essa crise política está levando o país a um caminho de retrocesso, porque as pessoas, com medo de pensar e de mudanças, preferem recorrer a métodos já conhecidos, porém pouco eficazes.
          O objetivo da minha coluna em particular é de mostrar a Dinamarca sob o ângulo de imigrante brasileira, com todas as suas dores e delícias, e da forma mais plural possível – não digo imparcial, porque não acredito em imparcialidade, e nem impessoal, já que tudo o que escrevo, embora tenha embasamento em veículos de informação oficiais do país, é contado sob uma perspectiva subjetiva.
          Mais uma vez agradeço pelo comentário e espero que continue nos acompanhando!

  25. me chamo Amanda e preciso de ajuda com informações minha experiencia e um pouco diferente sou brasileira com cidadania italiana moro na Itália faz 2anos meu marido(brasileiro) tem um emprego com contrado tudo em ordem .a não ser a carta de motorista meu marido era caminhoneiro no Brasil e aqui a carta motorista não vale então estos pesquisando paises pra mudar Portugal Alemanha franca ou Dinamarca ele quer voltar a ser caminhoneiro mas tenho 2filhos de 12 anos e queria saber sobre os benefícios pra crianças .escola medico dentista facilidades pra compra de imóvel enfim tudo diferente de quem se muda sozinho se vc puder conversar comigo por e mail face whatsup eu agradecerua muito

    • Olá, Amanda, e obrigada por ler o Brasileiras Pelo Mundo.
      Eu respondo às dúvidas dos leitores por esse canal e por questões de privacidade, não forneço meu telefone publicamente, desculpe.
      Você fez tantas perguntas emboladas que me deixaram zonza, mas vou tentar responder de acordo com o meu entendimento.

      Vamos por partes. Antes de pensar em benefícios, é preciso pensar em como você vai conseguir morar aqui – isso deveria ser a preocupação número um. Para morar na Dinamarca você precisa ter um emprego, mesmo sendo italiana. Segundo a lei local os cidadãos da UE podem entrar no país e permanecer por 3 meses procurando emprego, sem a necessidade de visto. Porém, passado esse período, se a pessoa ainda não encontrou emprego ela tem que retornar ao seu país de origem. Eu desaconselho a qualquer pessoa que queira dar uma de esperto e prolongar a estadia fora do que a lei permite porque por aqui as pessoas são muito sérias e há um grande risco de denúncia às autoridades, caso se encontre um imigrante indocumentado. Encontrar emprego por aqui não está fácil, nem mesmo para quem tem alta qualificação e fala dinamarquês. Para encontrar emprego nos setores de hotelaria e limpeza exige-se que a pessoa fale pelo menos inglês. No caso do seu marido, não ficou claro pra mim se ele também tem cidadania europeia ou não. Caso ele não tenha, você teria que solicitar o visto de reunificação familiar para ele. O visto que for solicitado para a Itália para o seu marido não é válido para a Dinamarca; para solicitar para a Dinamarca é preciso que você tenha a sua permissão de residência no país garantida primeiro, e para garantir a residência na Dinamarca é preciso ter um emprego, mesmo sendo italiana. Somente os cidadãos dos países nórdicos e escandinavos é que possuem permissão para morar livremente aqui sem essa burocracia.

      Sobre benefícios, já adianto que o sistema de bem-estar social anda restringindo o acesso a eles, inclusive para os dinamarqueses, e colocando mais e mais exigências. Recomendo a leitura do site da imigração da Dinamarca para entender melhor a parte de vistos, que é essencial antes de se pensar em viver por aqui: http://www.nyidanmark.dk/en-us .

  26. Olá Cristiane! Tudo bem? Estou gostando bastante dos textos que você posta e resolvi tirar algumas dúvidas. Eu tenho dupla cidadania portuguesa. Tenho passaporte e o cartão cidadão. Acho que isso facilita um pouco as coisas para tentar a vida pela parte Norte da Europa. Estou olhando vários países e a Dinamarca me chamou a atenção. Queria saber se é difícil a questão do trabalho e da universidade para estrangeiros por aí, tenho vontade de sair do Brasil para fazer minha segunda faculdade (estou me formando em Engenharia da Computação aqui no Brasil) e construir a vida aí fora pelo fato de ter a dupla cidadania. Outra coisa, você já postou algum texto sobre o dia-a-dia na Dinamarca? Ou quais as melhores cidades para se morar por aí? Gostaria muito de lê-los.

    Obrigado!

    • Oi, Gabriel, e obrigada por ler a minha coluna aqui no Brasileiras Pelo Mundo.
      Você pode ler as regras para cidadãos da UE no site da imigração dinamarquesa: https://www.nyidanmark.dk/en-us/coming_to_dk/eu_and_nordic_citizens/eu-eea_citizens/residence_in_denmark_for_union_citizens_and_eea_nationals.htm . Profissionais de TI estão na lista positiva, que é um facilitador na hora de imigrar. Sendo engenheiro de computadores formado no Brasil você poderá pedir reconhecimento do seu diploma na Dinamarca e procurar um trabalho por aqui. Dê uma lida no meu texto sobre vistos. Em relação ao dia a dia, há vários dos meus textos abordando diversos aspectos da sociedade dinamarquesa, tais como hygge, como fazer amigos, relacionamento com dinamarqueses, trabalho e por aí vai. Dê uma lida. A Camila, minha colega de Copenhague, escreve também sobre a Dinamarca, dê uma lida nos textos dela sobre trabalho e outros.
      Sobre as melhores cidades para se morar, aí é algo muito pessoal, eu acho. Cidades maiores como Copenhague, Aarhus e Aalborg oferecem boa infraestrutura de transporte coletivo, vida noturna, vida cultural, porém existe uma dificuldade enorme de encontrar moradia nessas cidades, além de o custo de vida ser mais alto. Cidades menores como Kolding, Esbjerg, Vejle, Herning (na Jutlândia) ou as cidades no entorno de Copenhague são mais baratas e tão boas quanto as grandes.
      Para conseguir emprego na Dinamarca você precisa falar um excelente inglês. Se tiver noções de dinamarquês, isso conta muitos pontos. E por último, conecte-se com profissionais da sua área na Dinamarca pelo LinkedIn, que é uma ferramenta muito usada nas contratações no país.
      Aproveite e leia sobre custo de vida por aqui: http://www.brasileiraspelomundo.com/dinamarca-quanto-custa-morar-aqui-091116026
      Boa sorte com seus planos!

  27. Olá Cristiane Leme, gostaria de saber se é difícil emprego em restaurantes, hotéis e outros tipos, para imigrantes, e a moeda DKK equivale ao euro, já que a Dinamarca pertence a união europeia?

    • Alcemir, a resposta é sim, é difícil, sobretudo se você não for estudante e não falar inglês. Esses empregos são, em sua grande maioria, ocupados por estudantes universitários e são mais abundantes em cidades como Aalborg, Aarhus e Copenhague por exemplo. A coroa dinamarquesa vale menos que o euro e não há compatibilidade de um para um, se é o que quer saber.
      A Dinamarca não é um bom país para se pensar em fazer pé de meia. As coisas são muito caras por aqui, o custo de vida é alto, está difícil encontrar emprego no momento e as pessoas são bastante reservadas. O clima é bem chato para quem está acostumado com calor e empregos no setor de hotelaria e serviços são destinados a quem já tem visto para trabalhar no país. Conseguir o visto é bem complicado, o país tem se fechado mais e mais para a imigração.

  28. Cristiane, encontrei seu blog quando estava pesquisando sobre aprender dinamarquês. Meu marido é dinamarquês, mas moramos na Suécia. No entanto, temos uma vida social nos dois países e estou tentando aprender dinamarquês, mas parece impossível pra mim. Apesar de nos falarmos em inglês, nao gosto de ficar boiando quando todo mundo conversa em dinamarquês.
    Como foi pra você?

    • Elaine, nada é impossível nesse mundo quando a gente se dedica e realmente tem vontade. O que me ajudou foi o fato de já falar inglês e alemão. O alemão possui muitas palavras parecidas com o dinamarquês, e saber esses dois idiomas me ajudou muito. Uma dica que eu dou é treinar bastante os ouvidos. Eu comecei a treinar meus ouvidos para o dinamarquês ainda no Brasil, assistindo a séries na tevê em dinamarquês. Chegando aqui a primeira coisa que fiz foi me matricular num curso de dinamarquês para estrangeiros. Paguei do meu próprio bolso os primeiros 7 meses. Se você entende sueco, fica bem fácil para aprender dinamarquês. Uma estratégia que adotei foi pedir que todo mundo começasse a se comunicar comigo em dinamarquês, assim eu pude treinar o meu ouvido para os sons do idioma. Eu repetia as palavras como um papagaio, ouvindo a pronúncia em sites como o http://www.speakdanish.dk e os sites do ministério da educação daqui. O segredo é ouvir e repetir milhões de vezes. Não falo dinamarquês como um nativo mas tenho um nível suficientemente bom para trabalhar em dinamarquês, por exemplo.
      Recomendo que não tenha medo de errar ou de pronunciar errado. Não tenha medo de as pessoas rirem de você. Aliás, isso é uma coisa muito bacana que experimentei aqui: como os dinamarqueses sabem que o idioma deles é difícil para nós, eles têm um profundo respeito por quem se esforça em aprender e não costumam zombar de quem está aprendendo.
      Peça para o seu marido e para a família dele te ajudarem e consulte o meu texto sobre aprender dinamarquês: http://www.brasileiraspelomundo.com/dinamarca-taler-du-dansk-falando-dinamarques-13188638
      Se quiser conversar mais, procure-me pelo Facebook.
      Abraços

  29. Olá! Como funciona a escola para quem tem filhos? A escola é pública? A adaptação é complicada para os filhos inicialmente falantes do Português?

    • Caio, tem escolas públicas e particulares. Normalmente as escolas internacionais (bilíngues) são particulares. Para os residentes legais no país a escola pública é gratuita e é obrigatório que crianças em idade escolar frequentem a escola.
      Crianças em geral são curiosas e minha experiência e observação diz que em geral as crianças temem menos as mudanças que os pais. Se os pais tiverem uma atitude positiva em relação à mudança, transmitindo a confiança necessária para a adaptação da criança, ela acontece sem mais dificuldades.

  30. Tens como comentar de um modo que fique mais claro essa “xenofobia” citada. è tipo a que os Catarinenses sofrem com os Gaúchos? Que proporção isso Tem. Porque aqui em SC além dos gaúchos falarem mal de nossos dialectos,, criticarem nossa cultura diversificada, ainda trazem mais gaúchos para trabalharem e deixam os catarinenses à lado. Será que na Dinamarca eles não tem medo que algo assim aconteça.
    POr exempo aqui os gaúchos estão trazendo CTGs (centro de tradições Gaúchas ) por onde invadem e respeitar a cultura local nada? Será que esses partidos não têm medo qu’aconteça algo do tipo Srª Leme?

    • Prezado,
      Obrigada por seu comentário.
      Acho de fato curioso que essa pergunta seja feita por uma pessoa de Santa Catarina, um dos estados separatistas do Brasil e que mais tem se mostrado adepto de práticas extremas, sobretudo com o advento da chamada “República de Curitiba”, slogan inventado para celebrar o orgulho regional que tende para uma exacerbação perigosa, já que todo extremismo parece começar do orgulho.
      Entretanto, deixemos a minha curiosidade de lado e vamos nos ater à sua pergunta.

      Como o senhor me parece confuso em relação ao significado da palavra xenofobia, cabe a mim esclarecê-la, antes de dar a resposta.
      Pois bem, xenofobia é a aversão a coisas ou pessoas estrangeiras. Copio aqui o que encontrei no site Significados e que define claramente as consequências da xenofobia: “O preconceito gerado pela xenofobia é algo controverso. Geralmente se manifesta através de ações discriminatórias e ódio por indivíduos estrangeiros. Há intolerância e aversão por aqueles que vêm de outros países ou diferentes culturas, desencadeando diversas reações entre os xenófobos. Nem todas as formas de discriminação contra minorias étnicas, diferentes culturas, subculturas ou crenças podem ser consideradas xenofobia. Em muitos casos são atitudes associadas a conflitos ideológicos, choque de culturas ou mesmo motivações políticas.”

      Acredito que o caso ao qual o senhor se refere (a rixa entre RS e SC) se aplica ao que diz a última frase (Em muitos casos são atitudes associadas a conflitos ideológicos, choque de culturas ou mesmo motivações políticas), portanto, é diferente da real xenofobia existente na Europa.

      O partido xenófobo dinamarquês Dansk Folkeparti é franco e aberto no seu desejo de limpeza étnica, por isso é diferente do citado pelo senhor, não havendo, assim, comparação cabível, já que Santa Catarina e Rio Grande do Sul são estados pertencentes à mesma região da República Federativa do Brasil, e não países distintos.

      Para se obter respeito é preciso saber respeitar. Integrar-se não significa renegar a própria cultura para incorporar os valores de uma nova nação ou grupo social onde se esteja inserido. É justamente aí que está a falha do DF, em desrespeitar que as pessoas chegam ao país com uma bagagem cultural intrínseca e inerente à sua persona, querendo que deixem de ser quem são para se transformarem em dinamarqueses, quando se sabe que essas pessoas jamais serão tratadas por eles como dinamarquesas, por mais que abracem a cultura local, falem fluentemente o idioma e sigam a religião oficial do país. Integrar-se significa equilibrar os valores, respeitando e conhecendo os valores, cultura e tradições de onde se vive, porém respeitando em primeiro lugar a sua origem e prosseguindo, também, com suas tradições, sem imposição destas ao meio social onde se está inserido. Os extremistas podem causar estragos sem tamanho. É preciso evitar extremismos, buscando o diálogo e respeitando mutuamente as diferenças para uma vida em equilíbrio.

      • . Cris eu estou maravilhado e admirado a forma como você responde educadamente essas pessoas que não tem educação, ou com o tempo têm deixado de usa-lá, são quase 3h da manhã aqui, e eu lendo seus textos e viciados nos comentários. Estava até comentando com meu mano, perco (mas na verdade estou ganhando muito com seus textos) mais tempo lendo os comentários do que o artigo em si. Obrigado pela sua paciência e perseverança em dialogar com nós, porque eu no seu lugar já teria acho que perdido a compostura e mandado meio mundo pra.. Antártica aprender sobre os pinguins, porque olha. Tanta gente desinformada e se achando filosofo aqui, se deve rir a besa antes de responder. Enfim, ano que vem se possível estarei visitando o pinico da Europa (satirando o comentário de um “historiador” daqui rs’) e se possível tomar um café contigo e dar altas risadas, abr

        • Rafael, obrigada 😀
          A desconstrução de argumentos é um dos meus passatempos preferidos! Ao mesmo tempo, acho que é importante dar um retorno para quem me leu aqui no BPM, pois a pessoa gastou alguns minutos de seu tempo para ler e comentar, então é mais que justo eu gastar minutos para responder. No mais, estamos todos aprendendo – eu também aprendo com meus leitores!
          Um abraço e mais uma vez agradeço pela leitura e comentários 🙂

  31. Olá Cristiane,

    Estou indo em Janeiro para Copenhaga para fazer parte do meu doutorado e ficarei por 1 ano! Meu namorado está querendo vir comigo, mas precisa arrumar um emprgo por lá. Vc acha mto difícil arrumar um emprego, informal mesmo, por lá? O que vc aconselha? Obrigada!!

    • Olá Fernanda, obrigada por comentar.
      Não sei o que quer dizer com emprego informal. Caso possa esclarecer, terei prazer em tentar ajudar.

      Em geral pessoas que vêm acompanhando estudantes recebem um visto que não lhes dá direito a trabalhar. O seu namorado sabe disso? Recomendo a leitura do meu texto sobre vistos.
      Gostaria, também, de lembrar a respeito de duas coisas: 1-As políticas de imigração na Dinamarca têm endurecido fortemente desde o início do novo governo em junho do ano passado e qualquer ‘pisada na bola’, como dizemos no Brasil, pode ser risco de deportação; 2-Sendo o país menos corrupto do mundo, há um combate intenso a empregos para pessoas indocumentadas ou com visto que não garante direito a trabalhar no país.

      A minha intenção não é frustrar os planos de ninguém, e sim, alertar quanto aos riscos de ser indocumentado ou de procurar trabalho dessa natureza na Dinamarca. Para trabalhar na Dinamarca é preciso possuir um visto que dê direito à pessoa de trabalhar no país. Quanto a emprego, está difícil como em todas as partes do mundo. A concorrência é bastante alta e competente e falar dinamarquês é um diferencial, porém é possível encontrar empregos em áreas específicas com um inglês em nível excelente (o nível dos dinamarqueses no idioma é excelente). Empregos na área de restauração e serviços são os mais indicados para estudantes, porém é preciso respeitar a carga horária máxima permitida e tomar cuidado com fraudes – há duas semanas saiu um documentário falando a respeito de alguns restaurantes oferecendo empregos fraudulentos para estudantes, onde o estudante tinha o contrato (necessário para receber a ajuda de custo do governo) porém tinha que trabalhar horas além do permitido e ainda por cima, devolver dinheiro para o empregador.

  32. Ola. Meu marido recebeu uma proposta p trabalhar em Copenhague.
    Tenho uma filha d 3 anos e estou c mto receio d irmos.
    É possível se adaptar, mmo c dificuldades?
    E o custo d vida, vimos q é alto, mas é possivel confiar no sistema d saude, educacao, etc?!!
    Desde ja obg

    • Oi Carol, obrigada por ler e comentar.
      A adaptação varia de pessoa pra pessoa; tem gente que se adapta, tem gente que não se adapta. É uma questão de resiliência e de domar as expectativas.
      Recomendo fortemente que visitem o país antes da grande mudança para testar aspectos como o clima, que costuma ser uma barreira para quem tem necessidade de calor, por exemplo. Creio que é possível a pessoa se adaptar se ela estiver aberta a mudanças e ciente de que a realidade que vai enfrentar é outra e muito distante da do Brasil. Com preparo, determinação e resiliência é possível, sim.
      O sistema de saúde daqui é um tanto diferente do que o pessoal no Brasil está acostumado, mas empresas costumam oferecer cobertura extra em rede particular, além da cobertura geral oferecida gratuitamente pelo país para todos que residem aqui legalmente. Dê uma lida no meu artigo a respeito para saber como é o sistema de saúde daqui. Sobre educação, acredito que a Dinamarca está anos-luz à frente do Brasil, porém pessoas muito conservadoras poderão se chocar com a forma progressista do ensino daqui. Em breve escreverei sobre isso.
      Eu, por enquanto, só tenho elogios tanto para o sistema de saúde quanto para o de educação, porém conheço brasileirxs insatisfeitxs. Como eu disse antes, tudo vai da perspectiva e expectativas de cada um.

      Leia os demais artigos sobre a Dinamarca para entender melhor como funciona o país, seus costumes etc e se tiver mais perguntas, pode deixar um comentário que respondo assim que puder.
      Abraços e continue nos acompanhando!

    • Olá e obrigada por ler e comentar. Achei curiosa essa pergunta justamente nesse texto e não nos demais textos sobre trabalho e vistos. Caso não os tenha lido, recomendo que os procure e leia. Profissionais de saúde são bastante procurados na Dinamarca e constam nas profissões da Lista Positiva. Para saber mais a respeito, leia o texto onde falo sobre vistos.
      Há muitas vagas de emprego para médicos clínicos gerais e especialistas na Dinamarca. Para acessar as vagas consulte os sites mencionados no meu texto sobre empregos, parte 2. Outro ponto importante é que você terá que se registrar junto ao órgão dinamarquês que controla a segurança dos pacientes (ligado ao ministério da saúde). O link para você se informar é esse: http://stps.dk/en/sundhedsprofessionelle-og-myndigheder/autorisation,-anerkendelser-og-selvstaendigt-virke/soeg-autorisation-udenlandsk-uddannet
      É fundamental falar inglês em nível profissional (B1 no mínimo) mas não sei precisar exatamente os requisitos linguísticos para se obter um emprego no país. Em geral, falar pelo menos um pouco de dinamarquês já ajuda. Tenho também um texto onde dou dicas sobre como e onde aprender o idioma, tanto no Brasil quanto na Dinamarca.
      Espero ter respondido sua pergunta. Para demais esclarecimentos peço que acesse o e-mail [email protected] – lá eles poderão informar melhor que eu sobre os procedimentos a serem tomados.
      Boa sorte e continue nos acompanhando para saber mais sobre a Dinamarca! 🙂

  33. Que ignorancia citar idioma, clima e comida como motivos para nao morar num pais. Isso é opiniao pessoal de cada um. Por ezemplo: eu odeio clima tropical e calor; conseqentemente aprecio muito climas articos e invernos rigorosos.

    • Emanuel, obrigada por ler e comentar.

      Você tem todo o direito de não gostar do meu texto e questionar a minha lista, só não tem direito de vir aqui e ser grosseiro.
      Realmente, ignorância é achar que nossas preferências pessoais são o centro do universo. O seu questionamento é sua opinião pessoal. No Brasileiras Pelo Mundo as colunistas escrevem sob uma perpectiva pessoal, portanto é mais que óbvio que as percepções tendam para um determinado lado. Também considero uma ignorância a pessoa fazer críticas sem interpretar o texto e sem perceber a linha editorial do blogue. Para sua informação – não que eu lhe deva alguma satisfação a respeito de minhas preferências pessoais – eu sou dessas que amam o frio e sofrem com calor. Sempre sofri com o clima do Brasil e me sinto muito mais aclimatada na Dinamarca nesse sentido. Entretanto, para a maioria dos brasileiros que decidem viver no exterior o clima representa um obstáculo, e foi essa a minha motivação ao listar o clima como um dos fatores que podem levar alguém do Brasil a ter problemas de adaptação no país.

      Sobre o idioma, os brasileiros mal sabem falar português – veja você, mesmo, escrevendo ‘por ezemplo’, quando o correto é ‘por exemplo’ – que dirá falar outro idioma, ainda mais dinamarquês, que possui sons guturais e nove vogais que podem ser lidas diferentemente da forma como são escritas, dependendo da palavra! Comunicar-se é essencial para viver, seja onde for. Acredito que quem tenha problemas com o próprio idioma certamente encontrará problemas com outro idioma tão cheio de sons fechados e guturais como é o dinamarquês. Por último, sobre a comida: brasileiros são acostumados a determinados tipos de comidas e, segundo pesquisas, a comida é um componente da identidade cultural de um povo, possuindo, portanto, grande importância. A comida, além de alimentar, traz sensação de conforto e aconchego – já ouviu falar da expressão ‘comfort food’ (comida de conforto)? Pois bem. Fiz uma pesquisa e muitos brasileiros que moram na Dinamarca sentem falta de suas comidas de conforto regionais, cujos ingredientes não são fáceis (ou até impossíveis) de se conseguir aqui. Ninguém morreu por não comer a comida de que mais gosta, porém há pessoas que só conseguem se alimentar de um determinado tipo de comida, seja por costume, seja pela sensação de conforto que isso traz. Morar no exterior é um desafio por si só e poder se alimentar das coisas que a gente conhece pode representar um alívio em meio ao choque cultural que essa mudança representa, portanto, acredito ser muito pertinente mencionar o tópico na minha lista. Muita gente sofre por não poder comer aquilo que está acostumado ou os pratos de que mais gosta.

      Desconheço a sua vivência no exterior, entretanto eu garanto que visitar um país no inverno é muito diferente de conviver com os invernos e as mudanças climáticas todos os anos.

      Continue nos acompanhando para saber mais sobre a Dinamarca 🙂

    • Olá.
      Os salários dependem da profissão. Não existe salário mínimo na Dinamarca – são os sindicatos e representantes das categorias de trabalhadores que regulam os acordos de salários com os empregadores.
      Não sei precisar se você quer saber preço de aluguel ou para compra, porém adianto que morar na Zelândia é mais caro do que na Jutlândia ou na Fiônia.

  34. Gostei muito das suas dicas eu tenho muita admiraçao pela dinamarca fiz algumas pesquisas pela internete sobre este pais e me parece um pais muito viavel pra se viver estou tentando aprender o dinamarques que confesso e bem dificil nao falo ingles ainda e sei que terei dificuldades caso va a dinamarca mas gosto de pesquisar sobre este pais peço a gentileza de me enviar um email expressando sua opiniao sobre o seguinte ; ha mais vantagens ou desvantagem em se morar na dinamarca eu nao gosto muito do frio ,mas a gente se adapta nao e mesmo ? pelo que vejo aqui do Brasil porem a teoria e uma coisa na pratica e bem diferente sou brasileiro moro em SANTOS -SP aguardo um email seu pra me ajudar a decidir minha ida a dinamarca e lhe agradeço pela sua atençao obrigado

    • Valter, obrigada por ler o blogue e deixar seu comentário.
      Eu respondo às perguntas dos leitores somente por este canal, nunca por e-mail.
      A Dinamarca é um país desafiador em vários aspectos, a começar pelo idioma, e tem se tornado nos últimos anos bastante fechado para estrangeiros. Eu desaconselho fortemente a qualquer um que deseje vir fazer a vida aqui sem ter um plano e motivos bem específicos. Sobre haver mais vantagens ou desvantagens, a percepção é de cada um. Eu gosto de morar na Dinamarca e me sinto adaptada ao país, mas só posso falar por mim. Cada pessoa tem uma forma de ver e perceber o mundo, cada um tem expectativas particulares e sonhos pessoais. O que é bom pra mim, nem sempre necessariamente seria bom pra você, por exemplo, e por isso o ideal é você ter sua própria experiência. Se o seu desejo é de verdade vir para a Dinamarca, saiba que o caminho é longo e trabalhoso, a começar pela obtenção do visto. Leia meu artigo a respeito para mais informações sobre o visto que mais se adequa à sua realidade e necessidade. Antes de se decidir pela mudança, entretanto, aconselho que visite o país por pelo menos 15 dias para ver como se sente em relação ao clima, cultura, hábitos etc. Venha num mês frio, entre setembro e fevereiro, para colocar a sua resiliência à prova, rs. Nessa visita tente se aproximar de dinamarqueses. Leia os demais artigos sobre a Dinamarca e se tiver perguntas específicas, faça-as nos textos correspondentes que responderei quando possível.

  35. Oi, Cristiane. Como o Rafael Lima eu tb li todos os coments e suas respostas. Lógico, que em algumas centenas de palavras não dá pra conhecer uma pessoa, mas o que você deixou transparecer é louvável. Prima pelo bom senso, educação e com certeza espelha a cidadã do mundo a qual vc se tornou. Seria muito bom que tivéssemos mais e mais pessoas agindo com tamanho discernimento sobre as variadas formas de sermos humanos. O planeta Terra em forma de Gaia agradeceria. Desculpe se aqui não é o post correto mas eu não achei um local adequado. Confesso que me assustei com tantas escritoras….rs….e fiquei perdida na infinidade de posts. mas como vc comenta sobre a Dinamarca….
    Eu e minhas 2 filhas estamos planejando visitar Copenhagen em final de dezembro. Temos um primo q foi contemplado pelo Ciência Sem Fronteiras e ficaremos hospedadas com ele a esposa. Como vamos por pouco tempo, não me preocupei muito com seus pontos negativos….rs…..não q os tenha achados válidos, sua impressão é justa e só quem é obtuso não aproveita!! A única coisa que me preocupa é o frio. Não sou amante do calor. Sofro a cada ano o verão carioca e amo lugares mais frios. Mas nunca passei os rigores do inverno europeu e já li que dá pra passar “tranquilo” esse inverno com as roupas certas. Seria demais te pedir pra explicar como são essas roupas certas? Eu tenho uma ideia e já estou recorrendo ás amigas e cunhadas que viajaram pela Europa e poderei pedir casacos e botas. Mas o receio de passar frio é grande! Temos 3 botas forradas, já comprei as calças e blusas térmicas, fora a infinidade de blusas de lã q já estamos guardando. Dá pra comprar alguma coisa na cidade se o inverno apertar? E quanto à chuva e andar na cidade no inverno? É tão ruim assim, como estão dizendo pra mim? E obrigada por ter essa paciência toda! bjs

    • Olá. Obrigada por ler os textos e pelo comentário tão gentil.
      Não precisa temer o frio! O corpo humano é uma máquina fascinante e a gente se adapta às temperaturas. Frio também é algo muito pessoal e relativo. O pessoal por aqui sai de sandália e calça capri quando está 12, 13 graus, rs… Sobre roupas: eu ainda tenho uma jaqueta que comprei no Brasil para o frio de lá e uso aqui sem problemas, então nem se preocupe tanto assim com isso. O segredo para não passar frio é se vestir em camadas, começando com uma peça mais fina, uma malha no meio e o casaco por cima, sem esquecer do gorro, luvas e cachecol. É importante cobrir as extremidades (cabeça, mãos e pés) adequadamente, principalmente porque estarão expostas ao vento e ele ajuda a baixar a sensação térmica. Você pode encontrar roupas adequadas para o frio daqui em lojas como H&M, Only, Vero Moda, entre outras, ou pode aproveitar um dos inúmeros brechós de Copenhague para garimpar peças em ótimo estado com preços econômicos. Sapatos por aqui são mais caros que no Brasil, então aconselho trazer uma bota daí pra usar com meias de lã daqui, se estiver com muito frio. Janeiro é um dos meses mais frios do ano e pode tanto nevar quanto chover, isso quando não acontece de nevar e chover granizo ao mesmo tempo – esse fenômeno é bem comum no inverno daqui. Copenhague é uma cidade pensada para pedestres e ciclistas, portanto acredito que será tranquilo fazer tudo a pé ou de bicicleta se você tiver uma jaqueta impermeável. A estação mais chuvosa é o outono, agora entre setembro e novembro, e é nessa época que chove mais. Ventanias são um fator preponderante na Dinamarca, o que explica por que muita gente opta por dispensar o guarda-chuva no país: como venta muito (e dependendo da direção e velocidade, o vento também ajuda a aumentar a sensação de frio), o guarda-chuva pode ser soprado para o infinito e por isso é mais aconselhável usar roupas para chuva.

      Sobre andar no frio, se usar a técnica de cobrir bem as extremidades vai ser bem tranquilo. Usar um gorro e luvas é fundamental, e o cachecol também.

      Ao chegar aqui procure uma meia-calça térmica, é fácil de encontrar numa loja chamada Flying Tiger Copenhagen, lá eles vendem luvas, meias e protetores de orelha com preços bons e que cumprem bem a sua função.

      Aproveite a sua estadia em Copenhague e dê uma olhada no texto da minha colega de país, a Camila, que dá dicas de turismo na cidade – é só procurar aqui na categoria Dinamarca.

      Abraços e continue nos acompanhando!

          • Oi, Cristiane. Tem quase um ano q comentei aqui…..demorei tb pra achar….rs….Vim agradecer suas dicas super válidas e úteis. Fiz exatamente como vc explicou….camadas, extremidades, etc! Posso dizer q não passamos frio….por opção, lógico!! Nosso bate volta à Malmo nos propiciou -7ºC com sensação de -17ºC…..com direito à Museu, Igreja, lojinhas pra espantar o frio!! Fomos por 20 dias e somente 2 dias não saímos pra ver alguma coisa!! O tempo ajudou muito!!Chegamos na véspera de Natal e foi esfriando aos poucos. No dia q fizemos faxina na casa nevou e choveu e qnd arrumamos as malas e aproveitamos pra rever A Garota Dinamarquesa e comer brigadeiro no prato!!Fomos em quase todos os pontos turísticos de Copenhague, almoçávamos como os dinamarqueses….um sanduiche: com as pastinhas, e aquele delicioso remoulade!! E a noitinha….se é q lá tem isso…rs…..jantávamos arroz, feijão com alguma misturinha….Tomamos inúmeros chocolates quentes e na nossa despedida fomos a uma doceria eleita a melhor de Copenhague. Além, é claro, de passar cinco vezes pela Stroget e aproveitar as liquidações da H&M, Vero Modas e Only!! E numa dessas passadas fomos pegas por uma chuva de granizo q nos fez correr até a estação do metrô!! Quero gradecer por todas as dicas e por me tranquilizar qnt ao frio…foram providenciais!! As botas q comprei aqui no Brasil foram caras mas nem se compara às da liquidação de lá!! Só não andamos de bicicleta!! Tínhamos tão pouco tempo disponível com claridade q ele era destinado a outras atividades. Fizemos bastante coisa a pé,como visitar o túmulo de Niels Bohr….quem quer saber de H. C. Andersen!! rs…. essa aqui é uma família de cientistas!!!Mas usamos muito o ônibus, trem e metrô, pois ficamos em Bronshoj. Apesar da língua ser complicada não foi uma barreira para locomoção!! Agora meu primo está em Washington, o doutorado rendeu um pós-Doc no Smithsonian e lá se foram os três anos de Copenhague! Um forte abraço!

  36. Olá Cristiane, trabalho em uma consultoria de treinamentos interculturais, vamos ter um treinamento para uma pessoa solteira que está indo para a Dinamarca, nós costumamos em alguns treinamentos convidar uma pessoa para dar um testemunho sobre o pais de destino, geralmente pessoas que moram nesses paises, gostaria de conversar com você sobre isso, explicar um pouco mais, talvez você possa nos ajudar. Você tem algum e-mail pessoal ou skype para que possamos conversar?

    Obrigada

    • Marcia, obrigada por seu interesse. Entrarei em contato através de e-mail para conversarmos melhor a respeito.
      Por causa do fuso entre o Brasil e a Dinamarca talvez seja um pouco difícil falar por Skype.
      Abraços

  37. Olá Cristiane, eu estava pensando em fazer intercambio para a dinamarca, tenho nivel intermediario de ingles e faria high school, você acha que seria dificil de eu me adaptar, ou se seria provavel que eu sofresse bullying ou algo do tipo, ou ate mesmo reprovar na escola? (iria ficar 6 meses)

    • Karina, obrigada por ler e comentar.
      É muito difícil eu falar por alguém. A adaptação depende do quão aberta você está e, mesmo assim, pode ser dura – ela depende muito das experiências que você teve na vida, de suas expectativas e outros fatores que não estou em posição de avaliar.
      Recomendo que antes de prosseguir com seus planos você faça um estudo elaborado; consulte o http://www.studyindenmark.dk para informações sobre o que fazer para ser estudante no país, pois há diversas exigências a serem cumpridas. Sobre bullying, também é difícil eu dizer algo, já que não tenho informações sobre a escola para onde vai e nem se tivesse, seria difícil avaliar sem conhecer a escola – ou mesmo conhecendo a escola, quem sabe o que pode acontecer na vida da gente? O que posso lhe dizer é que você deve evitar focar em aspectos negativos, caso queira uma adaptação de sucesso. Esteja preparada para eles mas sem temores por antecipação.

      Boa sorte e continue nos acompanhando!

  38. Mas então, você se muda para Dinamarca (e deve ser muito bom para estar aí) e acha que esses 5 motivos são suficientes para desencorajar quem deseja lutar e conquistar o mesmo que te fez sair do Brasil? Pára, não existe dificuldade comparado com o país Brasil. Quem poder ir, que vá mesmo. Lá a condição de vida, salário, saúde, é super melhor do que aqui no Brasil.

    • Domingos, obrigada por ler e comentar.
      Estou na Dinamarca por motivos pessoais que nada têm a ver com o fato de ser bom ou ser ruim.
      Não quero desencorajar ninguém. Quero, antes, alertar para o fato de que paraíso na terra não existe, e que problemas existem em todos os lugares do mundo, inclusive aqui, mesmo o país tendo sido considerado por anos consecutivos como o país mais feliz do mundo.
      As condições daqui não podem se comparar com as do Brasil pois essa é uma comparação injusta. O Brasil tem menos de 600 anos e a Dinamarca, mais de mil. A construção histórica desses países é diferente. O histórico de colonização, de guerras, de crises é diferente nos dois países. Então, antes de fazer comparações impossíveis, entenda que comparações desse tipo são estúpidas.
      A quem está insatisfeito com a vida que tem, sugiro que mude: de cidade, de amigos, de emprego, de país… Porém faça-o com consciência de que sair de onde se está sem se resolver pessoalmente, em vez de resolver o problema, apenas o transfere de um lugar para outro.

      Atualmente a parte mais difícil nem está aí no texto, que é justamente conseguir o visto para morar na Dinamarca. Como estamos falando do país menos corrupto do mundo, por aqui não tem como ‘fazer a América’, é um país caro e para economizar é preciso se privar – como, alías, acontece na maioria dos países do mundo.

      Tire da sua cabeça a ilusão de que um país pode ser melhor que o outro, quando quem faz o país são as pessoas que nele vivem. A Dinamarca pode ser aos seus olhos melhor que o Brasil porque você não mora aqui. Talvez se viesse a morar, a sua perspectiva seria diferente. Se puder, venha visitar um dia.

      Boa sorte na sua vida!

  39. Nossa… seus textos são de uma clareza incrível e bastante reflexivos, Cristiane. Também li as suas respostas nos comentários e fiquei contente em perceber que temos percepções parecidas como não diminuir um lugar por achar que esse é bom e aquele é ruim,
    Estou me preparando para ir fazer um PhD em Arrhus no próximo ano e agora mais que nunca irei consciente dos meus objetivos. Procuro não me iludir com as minhas perspectivas, mas também não desacredito nas oportunidades. Acho que todo lugar tem coisas boas a oferecer e que podemos usá-las na nossa construção como pessoas.

  40. Adorei ler seu texto e seus comentários…
    Eu sonho em morar na Dinamarca. Tenho 3 amigas que se casaram com Dinamarqueses que vieram trabalhar por um pequeno período na empresa que eu trabalhava.
    Só eu não conheci ninguém… creio que este desejo ficará somente em meus sonhos mesmo 🙁
    Um abraço!

    • Oi e obrigada por comentar.
      A gente nunca sabe do futuro. Há outras maneiras de vir morar na Dinamarca além de casamento com dinamarquês. Se a sua vontade é mesmo essa, por que não explorar outras possibilidades?

      Abraços e continue nos acompanhando! 🙂

  41. Cristiane, acho fascinante a oportunidade de conhecer outras culturas. Já tive amigos dinamarqueses e acho eles bem engraçados e diretos. Uma vez meu marido foi brincar com um amigo dinamarquês dizendo que estava tão quente que ele entraria na praia pelado.. O amigo entendeu literalmente e foi tirando a roupa. Rimos muito e ele demorou a entender que era piada.
    No entanto, hoje em dia tem muita imigração e não acho legal que as pessoas procurem outro país sem estarem estruturadas. A vida no exterior não é um conto de fadas, o ideal seria fazerem a diferença em seus próprios países, só procurando a mudança por motivos que não fossem escapar da crise. Penso que devemos procurar antes de receber, ser capazes de dar o melhor de nós. Nenhum país, por melhor que seja, aguentará tanta gente querendo usufruir de suas qualidades., sem antes acrescentar algo a este lugar.
    Parabéns pelo seu trabalho..

    • Sandra, obrigada por ler e comentar.

      Realmente os dinamarqueses são bastante abertos, porém a ironia, característica comum do humor dinamarquês, por vezes é mal compreendida por brasileiros. Não sei em que idioma seu marido e o amigo dinamarquês se comunicaram mas acredito que podem ter se perdido na tradução…

      Acredito que o tema imigração é bastante amplo e merece uma discussão com argumentos mais profundos do que questionamentos rasos sobre a capacidade dos países de gerenciar ou não o fluxo de imigrantes. Mudar de país é um desafio bastante grande e há diferentes razões pelas quais as pessoas mudam de um país para outro; por vezes, a única saída para continuar vivo é sair de sua terra natal. Nem todas as pessoas parecem ter a sensibilidade e empatia necessárias para compreender esse tipo de mudança. Temos que nos abrir para aprender que nem tudo é o que parece ser.

      Contudo, concordo que devemos nos preparar para mudar de país, embora em determinados casos isso seja impossível.

      Abraços e continue nos acompanhando 🙂

  42. Bom dia,
    Gostei do texto. Estive por duas vezes na Dinamarca, e tive oportunidade de conhecer boa parte do país. Tenho amigos lá. A minha experiencia foi muito boa. Convivi mais com uma família a qual ja estive no Brasil e um jovem morou conosco em São Luis, Maranhão, onde moramos.
    algo que percebi: um povo muito educado, franco, sincero e honesto. Como tenho uma certa fluência em inglês pude conversar bastante (hábito de nordestino) e entender um pouco. Ouvi elogios de uma dinamarquesa sobre o “jeito de ser” de nós brasileiros. Ela me disse que gostaria de ser assim.
    Adorei aquele país, planejo ir lá brevemente outro vez.
    Tive uma experiencia no aeroporto, havia uma moeda no bolso e disparou aquele dispositivo, mas a policial foi muitissimo educada e pediu licença pra revistar.

  43. Olá! Primeiro tenho que dar os parabéns a este artigo, porque nem tudo é um mar de rosas e assim é que tem que ser. Sou portuguesa e desde que me lembro, um dos meus sonhos, é viver num país nórdico. Sempre tive um fascínio pela Dinamarca para ser sincera. Agora as questões, é fácil encontrar um emprego para licenciados? (Esta porque estou queimada com a dificuldade de conseguir emprego aqui) Já vi que sabe falar e escrever dinamarquês, fez um curso aí ou antes de ir já sabia o básico?
    Obrigada

    • Obrigada por ler e comentar.
      Encontrar emprego está difícil por todos os lados. Por aqui é o mesmo: ainda que muito qualificadas, algumas pessoas têm uma grande dificuldade na hora de entrar no mercado de trabalho, sobretudo por falta do domínio do dinamarquês. Entretanto, há chances maiores em determinadas áreas onde há uma busca por determinados profissionais. No http://www.nyidanmark.com você encontrará as informações sobre a chamada Lista Positiva, incluindo as profissões com maior demanda de empregos no país. Professores, profissionais da saúde como médicos, enfermeiras e fisioterapeutas, engenheiros de todas as áreas e profissionais de TI estão dentre os que se enquadram em tal lista. Para estes o caminho é menos dificultoso, por assim dizer, mas como o sol nasce para todos – ainda que aqui ele dê pouco o ar de sua graça – é possível tentar a sorte ao buscar vagas em páginas de empregos locais. Consulte por favor os textos escritos por mim e pela colega Camila a respeito de emprego na Dinamarca e boa sorte na sua busca!

      Eu vim para a Dinamarca sabendo duas ou três palavras em dinamarquês. No meu caso, o meu tipo de visto me permitiu admissão num curso de dinamarquês para estrangeiros subsidiado pelo governo daqui. Acredito que caso venha a conseguir um emprego no país antes da mudança, você também se qualifique para tal. Em todos os casos, aprender dinamarquês antes de se mudar é um diferencial que conta muitos pontos e abre inúmeras portas.

      Continue nos acompanhando!

  44. Estimada Cristiane

    Eu e familiares estamos planejando uma viagem para conhecer os países nórdicos (Dinamarca, Noruega, Suécia, Finlândia) e alguns outros países da Europa, em 2018.
    Já estou me familiarizando com o dinamarquês (tenho noções de inglês e alemão) e registro meus sinceros agradecimentos pelas orientações e dicas fornecidas pelo blog.
    Caso seja possível, gostaria de saber se é de seu conhecimento a existência de livros e gramática, em português, que ensinem noções básicas de dinamarquês, físico ou em PDF, para aquisição aqui no Brasil ou no exterior.
    Parabéns pelo “site” e por todas as matérias e orientações que você tão generosamente nos propicia.

    • Francisco, obrigada por ler e comentar.
      Eu desconheço gramática de dinamarquês em português em formato impresso mas se estiver no Brasil você pode tentar se informar no Instituto Cultural da Dinamarca. Lá são oferecidos cursos de dinamarquês regularmente e pode ser que possuam o material que lhe interessa. Sites como o Loecsen e Babbel oferecem a possibilidade de se aprender dinamarquês gratuitamente online com guias em português, se lhe interessar. Eu também escrevi um artigo a respeito do idioma, “Taler du dansk? – Falando dinamarquês”. Procure-o usando a barra de buscas do site.
      Boa sorte com seus planos de viagem e continue nos acompanhando. Vi ses!

    • Elizabeth,
      Eu moro no interior e vou pouco a Copenhague. Pode ser que você encontre nos grupos de brasileiros na Dinamarca nas redes sociais.
      Essa eu vou ficar devendo por desconhecer quem preste esse serviço.
      Boa sorte,
      Cristiane

  45. achei seu blog e atualmente moro na Dinamarca ( perto de copenhagen )
    bem achei alguns informacoes que voce informou nao fazem muito sentido ou pelo menos que em Jylland nao
    seja igual ao que temos em Sjælland principalmente no quesito alimentacao, restaurantes, take away , pizzarias e sushibar. Outro ponto no quesito xenofobia, mas nem irei argumentar, visto que lendo alguns comentários, voce sempre vai ter a palavra final e sempre irá defender seu ponto e que voce estará certa !

    Quem mora aqui de fato sabe como é o ” andor ” nao se pode generalizar ! É o que eu posso dizer !

    Abracos

    • Ana Maria, obrigada por ler e comentar. Todos os comentários e críticas são bem-vindos; aqui é um espaço democrático onde todo mundo pode dar pitaco, elogiar, falar mal… A escolha é de cada um.

      Não sei há quanto tempo você mora na Dinamarca, nem como é a sua vida aqui. Só deixo claro que tudo o que escrevo tem a minha percepção pessoal e por isso pode ou não fazer sentido para outras pessoas que tenham vivências diferentes, o que é perfeitamente normal (e sadio, aliás).

      Sobre alimentação: eu não sei de onde do Brasil você é. Eu sou de São Paulo, capital, terra onde tudo é 24 horas e onde há todo e qualquer tipo de serviço possível e imaginável para quem conhece e pode pagar. Segundo o que eu pude perceber e experimentar, não há na Dinamarca o mesmo nível de serviços que eu tinha ou conhecia da minha cidade natal, pelo menos não onde moro ou nas cidades que visitei por aqui – e isso inclui Copenhague. Pode ser que a sua percepção seja diferente da minha, mas quem sou eu para julgar? Talvez dentro da sua realidade o quadro seja diferente e pareça melhor do que parece pra mim.

      Sobre sua observação a respeito de que eu sempre terei a palavra final: novamente, é sua percepção e eu devo apenas respeitar. Verdade absoluta, a gente sabe que é uma utopia e ninguém tem, porque ela inexiste, e cada pessoa tem a sua verdade pessoal – olha aqui a gente falando, cada uma sobre a sua verdade pessoal. Então, dentro do que é verdade pra você, você me vê assim. Eu respeito a ‘sua verdade’ de achar, na sua percepção, que eu quero parecer estar sempre certa, e percebo a sua crítica como um elogio ao meu poder de persuasão e argumentação, ainda que você pense o contrário. Obrigada!

      Sobre xenofobia: novamente, não sei há quanto tempo você está aqui, não sei qual a sua vivência de mundo ou sua experiência política e social no meio em que você se encontra e por isso eu me abstenho de comentários mais profundos. Eu falo do que vejo, leio, escuto e vivo, e a xenofobia está aumentando a olhos vistos, não apenas na Dinamarca mas na Europa como um todo. Basta ler um pouco os diversos jornais mundo afora que a gente vê – ou não, depende do que a gente consegue compreender do mundo, ou no que a gente deseja acreditar. Outra vez, é apenas uma questão de vivências, expectativas e experiências diferentes.

      E, por fim, quanto às generalizações, repito: o que eu escrevo está baseado na minha percepção de mundo e experiências, e nada tem a ver com generalizar. Isso está claro e até escrito exatamente assim em vários dos meus textos. Espero que você se permita ler outros textos meus para perceber.

      Agradeço o comentário, recomendando que leia outros textos sobre a Dinamarca e quem sabe uma hora dessa a gente se encontra em Copenhague 🙂

      Abraços e continue nos acompanhando!

  46. Eu vivo na Suécia há 36 anos. A Suécia e a Dinamarca se assemelham em muitos aspectos – de fato, não acredito que quem venha de fora consiga enxergar quaisquer diferenças entre os dois países, ainda que essas existam e não sejam especialmente sutis para quem vive por aqui.

    Os aspectos negativos que você, Cristiane, ressalta são muito válidos no que concerne os dois países. Permito-me fazer alguns comentários sobre cada um deles:

    1. Idioma. Em termos fonológicos, o dinamarquês é osso duro de roer. O sueco e o dinamarquês são línguas próximas, e quem domina o sueco lê sem problema o dinamarquês. Mas entender o dinamarquês oral é outra história completamente diferente. Há também uma grande variedade de dialetos, e enquanto alguns são mais fáceis de entender outros são impossíveis. Eu costumo comparar o sueco e o dinamarquês ao espanhol e o português respectivamente: quem fala português entende quem fala espanhol enquanto quem fala espanhol experiencia grandes dificuldades em compreender o português falado.

    2. Clima. Quem gosta de calor e praia realmente não deve se transferir para essas bandas. A decepção e o choque vão ser muito grandes! Até eu que não gosto de calor e praia, e que inicialmente gostava do inverno sueco hoje em dia o detesto. Como disse a Cristiane, a escuridão que reina durante os meses invernais é muito deprimente. É bacana, legal e aconchegante nos primeiros anos, mas aos poucos a gente se dá conta de que a vida é curta demais para ser desperdiçada com o inverno nórdico.

    3. Relações sociais e interpessoais. Um brasileiro que venha para cá deve se preparar para ter um choque cultural muito grande. As regras e convenções que regem o comportamento social nos países nórdicos é completamente diferente das que operam no Brasil. E o problema é que para isso não há preparo possível, pois essas são regras e convenções informais, não-escritas, e por essa razão não há nem manual a ser consultado nem curso a ser cursado. Você as aprende na base do trial and error, quebrando a cara inúmeras vezes até a fichinha cair. E caso não aprenda o idioma do país com um certo grau de proficiência jamais vai ser aceito pelos nativos como um deles e vai sempre se sentir mais ou menos ostracizado. Imigração não é para todo o mundo! O preço da assimilação em uma nova cultura é a renúncia de sua cultura de origem.

    4. Comida. Para mim comida não foi um grande problema, porque quando eu me decidi a permanecer na Suécia eu o fiz justamente para “aprender” a Suécia e aprender a gostar da Suécia e adotar sua língua, sua cultura, seus costumes, sua comida etcetera. Eu pessoamente não compreendo por que alguém se transfere, voluntariamente, para um país estrangeiro para continuar vivendo dentro de sua cultura de origem. Se você, brasileiro, quer calor, quer praia, quer comida brasileira, quer gingado brasileiro, quer falar português – por que não permanece, então, no Brasil? O Brasil não existe fora do Brasil. Não vá para o exterior esperando viver brasileiramente lá. Tais expectativas só levam ao isolamento social e ao ostracismo.

    5. Xenofobia. É sutil mas existe, sim. Nem os nativos mais esclarecidos escapam do temor por aquilo que é diferente. No melhor dos casos, você vai ser considerado “exótico” e “interessante”. Pode parecer bom e legal mas passa a incomodar depois de um certo tempo, porque você se sente excluído do grupo. A discriminação tem muitas faces, e discriminação “positiva” também é discriminação.

    • Lydia, muito obrigada pela valiosa contribuição através do seu comentário.
      Pra mim a comida também não é um grande problema – eu gosto e cozinho pratos dinamarqueses no dia a dia, porém a maioria dos brasileiros que consultei diz sentir muita falta da comida. Realmente, a adaptação é um processo e nem todas as pessoas se preparam adequadamente para as mudanças. Muitos cometem o erro de achar que o país para onde se mudaram é igual ao Brasil – isso ocorre com mais frequência que imaginamos.
      Agradeço imenso a leitura e espero que continue nos acompanhando! Temos também textos sobre a Suécia e me faria muito gosto ler seus comentários por lá, também 🙂

  47. Obrigada a você, Cristiane, pelo artigo original e pelo comentário acima. É claro que inicialmente a gente sente falta da culinária nacional – eu por exemplo sentia muita falta de salgadinhos e de feijoada (hoje sou vegetariana), de doce-de-abóbora com coco e outras iguarias brasileiras. Mas a gente acaba se dando conta de que a maioria dos pratos é impossível de se replicar exatamente, então o jeito é se resignar e aprender a gostar do que tem aqui.

    Quanto a se preparar para as mudanças que aguardam o imigrante, eu me pergunto se isso é possível na prática. De uma forma ou de outra vai haver surpresas, muitas delas desagradáveis. Contudo, ainda que não seja praticável realmente preparar-se de antemão, é imprescindível informar-se sobre o país em questão e igualmente de educar-se na medida do possível sobre a condição de forasteiro, seja qual for o país de destino. Talvez seja isso que você queira dizer com preparar-se, afinal… 😉 O seu artigo sobre cinco razões para não morar na Dinamarca é um importante recurso nesse processo de preparo.

  48. Maneirissima matéria, poxa quem não tem vontade de sair daqui Cris? Vou te listar as desgraças desse país no ultimo mes.

    Corrupção sem fim, e mudança de regras para salvar os safados. E ninguém faz nada.
    Aumento absurdo de impostos principalmetne para quem mora no RJ como eu.
    Aumento em impostos Federais.
    Governo não descarta criar mais impostos como CPMF OU ALGO PARECIDO.
    Reforma da previdência para 49 Anos de Contribuição.
    Mosquito de Febre Amarela depois de 109 anos ele reaparece matando pessoas no Brasil.
    Haaa não vamos esquecer também da Dengue.
    Na ultima semana o bafão foi cane estragada, com papelão.
    Conheço gente que já esta dizendo querer ir para o paraguai pois lá não tem nada mas também não te cobram impostos.
    Sinceramente aqui ta foda. De se viver.
    Tenho uma filha se quizer conhecer melhor vai no vlog dela ela é alegre feliz e gosta de viver.

    A pergunta é como faço para dar uma vida melhor a ela?
    Beijos Cris.

    • Alex, obrigada por ler e comentar.
      Desnecessário você querer listar pra mim os problemas do Brasil, que conheço bem e ainda acompanho à distância. As coisas ficaram muito, mas muito piores depois do golpe. A coisa da carne é caso antigo. O que me admira é que as pessoas, só agora, parecem ter se dado conta dos perigos que o agronegócio representa. Mesmo assim, tenho de confessar que é estranho que as pessoas sequer se comovam com o abate em massa e as condições de confinamento dos animais (o que também reflete – e muito – na qualidade da carne), mas se escandalizem com uma história de papelão que nem verdadeira é: basta ler o relatório emitido pela investigação. A situação está absurda no Brasil e ficando cada vez pior. E eu me pergunto: por que em vez de lutar, as pessoas querem simplesmente meter o pé, como dizem aí no Rio?

      Se o problema são impostos, digo pra você que na Dinamarca é ainda mais complicado: aqui a gente paga entre 38 e 52% do nosso salário só em impostos, sabia?
      Impostos são necessários para fazer a máquina administrativa pública funcionar.
      O problema do Brasil não é ter impostos e sim, a corrupção e falta de transparência na aplicação.
      No governo Dilma foi assinada uma parceria entre Dinamarca e Brasil para o desenvolvimento de ferramentas eletrônicas para o aumento da transparência das contas públicas, pois a Dinamarca é um dos países mais transparentes do mundo em suas informações nessa área. Sinceramente não sei o que vai acontecer nesse governo tenebroso que já começou a censurar tudo e a apagar informações do banco de dados oficial. A tendência é que os impostos aumentem sem que as pessoas saibam pra onde eles vão (e parte deles, indo para os bolsos de corruptos).

      Brasileiros que se mudam pra Dinamarca depois de adultos não têm direito à aposentadoria pública daqui – aposto que você não sabia.

      Aqui não tem mosquitos transmissores de doenças tropicais, mas tem depressão de inverno devido ao clima, tem pessoas com estresse devido ao acúmulo de funções no trabalho e tem um alto índice de óbito por câncer, além de alcoolismo, suicídio e tratamento com ritalina.

      Dependendo do lugar onde se mora na Dinamarca, sem falar dinamarquês você não consegue se integrar na sociedade.

      Estou dizendo tudo isso pra você ver que cada lugar tem seus problemas.
      Mas então por que os dinamarqueses figuram constantemente entre os mais felizes do mundo?
      É tudo uma questão de perspectivas.

      O que eu penso que falta ao brasileiro é se informar melhor sobre o que acontece no mundo e à sua volta e falta também um pouco de rebeldia pra brigar pelo que é certo e combater o que é errado. Nesse sentido, a desigualdade social é fundamental, pois cria-se uma cultura do medo que condiciona as pessoas a somente obedecer.

      Acho de verdade que quem quer sair do país tem que sair, sim, mas tem que se planejar e ponderar bem sobre pra onde vai, justamente pra evitar a frustração de mais tarde perceber que trocou seis por meia dúzia.

      Sua filha é uma graça, mas se o seu desejo é dar uma vida melhor a ela, talvez uma ideia seria repensar a superexposição em canais abertos na Internet, deixando que ela seja criança, descobrindo e brincando sem ter que ter a sua vida registrada publicamente. Desculpe a franqueza.

      Obrigada por comentar e espero que continue nos acompanhando!

      • Cristiane, acho suas respostas e comentários muito pertinentes. Sem dúvida todo lugar tem seu lado ruim e bom. Lendo um comentário sobre a “vergonha de ser brasileiro” e que o Brasil está também em tal situação por causa dos que sentem vergonha…Não que eu sinta vergonha, nunca menti minha nacionalidade ou me comportei ao modo de me envergonhar, principalmente em minhas idas à Europa ou USA, vista que alguns nos acham de segunda classe, sem generalizar claro. Na verdade o nosso país é uma vergonha, no sentido de nada funcionar, ou quase nada, poucas coisas funcionam. Paris é linda, mas passei por algumas situações lá, que me fez enxergar o quanto a cidade é caótica e complicada para viver, ainda sim continuo achando mais fácil vier em Paris do que aqui. O que mais ouvi em Portugal foi queixas do governo corrupto, mas andar nas ruas de Lisboa é seguro, inclusive a noite. As escolas públicas funcionam. Não poder andar livremente é muito ruim, assaltos, homicídios, acontecem na porta de casa, no bairro nobre. Acontece em outros lugares? Sim, mas tudo depende do quanto acontece. Aqui as pessoas reclamam do político, mas se são eleitas, a maioria vai pelo mesmo caminho. Só lamento o fato dos patriotas que moram fora do Brasil, que tecem elogios ao nosso país, invés de estarem aqui para construírem por um Brasil melhor, não quererem morar aqui.

        • Mariana, obrigada por ler e comentar.

          Um país é feito pelas pessoas que nele vivem. A gente sabe que no Brasil a corrupção é endêmica, que a indignação é seletiva e que o analfabetismo político é recorrente. Sabemos, também, que os ricos querem ficar mais ricos e querem vetar o pobre de ter acesso ao que eles têm, gerando um desequilíbrio social. É um círculo vicioso difícil de quebrar.

          Paris tem os problemas de toda cidade grande: muita gente, o que gera uma ruptura na cadeia de infra-estrutura e planejamento; muita diversidade cultural, o que é positivo porém gera problemáticas como choque cultural, o que por sua vez gera segregação em guetos e culturas paralelas dentro da macrocultura… A violência, dentro do que eu consigo analisar, acontece principalmente onde a distribuição de renda é desigual e há uma disparidade social grande. No caso de Paris, por exemplo, os migrantes do chamado Magreb (norte da África) da terceira geração principalmente, e outros migrantes de várias origens são os mais prejudicados, sendo marginalizados por serem diferentes dos franceses. Isso de não saber lidar com o diferente é, portanto, um fator gerador de divisões sociais que acarretam os males como a violência urbana.

          Discriminação e falta de recursos para viver tornam as pessoas revoltadas e alguns redirecionam essa revolta para a violência, para o crime. Há estudos que falam a respeito da relação entre a má distribuição de renda e a violência. Some-se a isso os valores capitalistas de posse e ostentação e teremos um quadro em que quem não pode ter pelos meios ‘naturais’, acaba se vendo quase que obrigado a tomar pela força. Já fiz trabalho voluntário na periferia de SP e tendo vindo eu mesma de uma região periférica da Grande São Paulo, conheço bem de perto o quadro da pobreza e da miséria a que muitos brasileiros estão expostos. Para essas pessoas, muitas vezes as escolhas são limitadas ou inexistentes. Isso explica em parte a apatia com a qual as questões políticas são tratadas no nosso país. Quem não tem pão ou precisa matar um leão por dia acaba se negligenciando nessas questões, porque a escolha é outra: o instinto de sobrevivência e a necessidade de pertencimento falam mais alto.
          Deixo aqui um texto bem interessante falando sobre o rampante de violência e suas raízes: http://www.ish.org.br/textos/asraizesdaviolencia.htm

          As pessoas confundem ter consciência do que há de bom no Brasil com patriotismo cego, ufanismo e até nacionalismo, e todas essas coisas são muito distintas. Quem mora no exterior pode, sim, fazer muito pelo país, ainda que à distância. Levar um papo com as pessoas e ajudá-las a expandir seus horizontes de percepção e conhecimento é um começo, e isso se pode fazer aqui, dessa forma que estamos fazendo, trocando ideias saudavelmente.

          Acredito que haja muitos brasileiros no exterior desses aos quais você se refere como “patriotas que tecem elogios ao nosso país e que em vez e estarem aí para construírem algo melhor, não querem mais voltar” que estão, na verdade, com medo de voltar ao Brasil de hoje e sofrer perseguição por causa de suas crenças, valores éticos e morais e visão de mundo. É preciso mexer na estrutura, no cerne do problema, que é justamente a desigualdade social.

          Em países como a Dinamarca, onde a desigualdade social é tênue a ponto de quase não ser possível notá-la, a gente vê como isso pode gerar a transformação da cabeça do povo. Ter uma garantia de teto, comida na mesa, roupas e sapatos decentes e condições dignas de viver abre a oportunidade para as pessoas se voltarem a outras questões além da sobrevivência. Eu espero sinceramente que um dia cheguemos lá e vou daqui fazendo a minha parte, ainda que de longe, para que isso um dia aconteça.

          Obrigada mais uma vez e espero que continue nos acompanhando!

  49. Oi parabéns pelo site, sou um estudante de Eng. Civil em minas gerais e estou fazendo um trabalho sobre a ponte da Dinamarca e sobre a interculturalidade, gostaria de saber se voce faria um vídeo explicando sobre a cultura e falar um pouca desta ponte. Seria muito interessante para o meu trabalho.

    • Anderson, acho mesmo que seria mais interessante você pedir para a Marcele, autora do texto que lhe indiquei. Ela mora entre a Suécia e a Dinamarca e sabe mais sobre essa ponte do que eu, que moro há mais de 350 km de distância dela…
      Obrigada e boa sorte com o seu trabalho 🙂

  50. Cristiane, mandamos um abraço fraterno a sua pessoa, sempre lúcida, atenciosa e educada. Parabéns! Tobias e Senandra Hatchwell
    Manaus-AM, Brasil

  51. Cristiane amei seu texto! Venho acompanhando e tenho gostado muito…Eu e meu esposo, junto com 2 filhos temos vontade de ir morar em outro país.

  52. Ótimo postagem, mora no Brasil está cada vez mais difícil, quero tenta uma vida com mais dignidade, educação e cultura!

    • Obrigada 🙂
      Acredito que devemos começar a mudança a partir de nós mesmos para, pouco a pouco, construir a mudança nom ambiente social em que estamos.
      Agradeço a visita e a leitura – continue por aqui, tem muito material interessante sobre a Dinamarca 🙂

  53. Cristiane,
    Muito legal seu blog! Mais ainda sua maneira clara, elucidativa é bastante cordial em responder até os comentários mais esdrúxulos, mal educados e sem nexo kkkkkkk.
    Você sabe algo sobre espaço para médicos brasileiros que, a princípio, queiram passar um tempo vinculado à alguma pesquisa em universidade ou mesmo que tenham se mudado e revalidado diploma? Um abraço.

    • Alex, obrigada por ler e comentar.
      Eu aconselho fazer uma pesquisa na Internet na sua área de especialização. Hospitais como o Rigshospitalet em Copenhague (www.rigshospitalet.dk) e o Skejby em Aarhus (www.auh.dk) são vinculados a universidades e podem oferecer o que você procura. Antigamente o Brasil oferecia o Ciência Sem Fronteiras, que também contemplava a área médica, mas o programa foi recentemente extinto pela atual administração do país. Caso já resida legalmente na Dinamarca e tenha reconhecido o diploma no país, fique de olho nas vagas publicadas em sites especializados e nos sites das prefeituras. Profissionais da área médica estão na lista positiva.

      Boa sorte, abraços 🙂

  54. Olá Cris, li o seu texto e muitos comentários. Eu gostaria muito de viver num lugar onde as coisas funcionem, e o Brasil esta mesmo difícil.Mas sair daqui, a vida, pode se tornar ainda pior. Abraços!

    • Oi Maria,
      Infelizmente a situação do Brasil se deve também ao comportamento do povo.
      Espero que você um dia consiga realizar o seu sonho. Eu também sonho com um mundo melhor e mais justo para todos, seja no Brasil ou aqui.
      Abraços e continue nos acompanhando!

  55. Oi Cristiane! Primeiro que tudo Beijos!!!
    Eu moro na Holanda e a aqui é tudo a mesma coisa do que você falou, a única diferença é que encontro igredientes para fazer comida brasileira!
    A propósito vamos nos vizitar já que somos vizinhas? 😉 Eu ja estive na Dinamarca, mas foi há muitos anos atrás!

  56. Olá Amiga gostei muito dos assuntos do seu Blog
    e realmente o que voce falou é verdade (tudo), Eu vivo na Holanda já faz 7 anos e aprendi muito com eles no principio é um pouco dificil mas com o tempo a gente acaba acostumando (nao por completo). Eu também escrevo para o meu blog que é o A VIDA NA HOLANDA e essa questao de ser excluido em reunioes por nao saber falar o idioma aqui é igual, por isso eu sempre que vou a uma reuniao fico sempre buscando assuntos interessantes em ingles para nao ficar no vacuo rsrsrs agora nao porque ja falo um pouco do holandes, mas antes era assim… fica com Deus que ele siga te abençoando por ai! xxx

  57. gostei do seu trabalho, alem de cumpri a proposta de mostra o que é um pais estrangeiro na vida de um brasileiro. defende pontos de vista. que podem está certos ou está errados, mas voce é brilhante, meu nome é paulo feijao carne moida, sou um comediante infantil, brasileiro. nao vou dizer que a vida de um artista no brasil é fácil, mas mesmo assim nao troco o brasil por outro pais, quanto a dinamarca , considero um pais bonito e sonho em conhecer, ser um turista na dinamarca, mas me responde, se alem do turismo eu realizasse um show de mimica bem engraçado para o publico infantil, qual seria a possibilidade, enxistem shows para criança na dinamarca, na cultura local se valoriza, um profissional, que mesmo sem falar uma palavra da lingual local tem tecnica para divertir muitas crianças. claro que te envio essas perguntas a titulo de curiosidade. como já disse sou um artista, brasileiro, moro na bahia e outros paises só a passeio, aguardo sua resposta, mesmo te enviando um material que foge do trivial, ficarei contente com a atençao, no youtube basta acessa paulo feijao carne moida,

    • Olá e obrigada por seu comentário.
      Para se apresentar como artista na Dinamarca eu sugiro entrar em contato com algum agente local que possa agendar os shows e cuidar dos detalhes para você. Você pode vir como turista e fazer seus shows sem problemas: há muitos artistas mambembes e de rua que fazem isso. Como há muitos brasileiros em algumas cidades dinamarquesas, talvez fosse uma ideia entrar em contato com associações que promovem o português para crianças como língua de herança, como é o caso da Brasileirinhos.dk de Copenhague.
      Boa sorte pra você e sucesso!

  58. Olá Cristiane,
    Gostei muito de sua materia e respostas .
    Tenho cicdadania Alemã ,vc poderia me dar alguma dica sobre como seria para um cidadão alemão quanto a permanencia, permissão de trabalho, na Dinamarca?
    Grato

    • Paulo, obrigada por ler e comentar.

      Em princípio, como cidadão da UE você tem 3 meses para ficar no país e procurar trabalho. Caso encontre, precisará comprovar sua relação com a Alemanha para receber a permissão de trabalho e residência – não basta ter o passaporte alemão, é preciso comprovar residência no país e por um período determinado, além de comprovar que tem ligações fortes com o país. Se não encontrar trabalho no período de 3 meses precisará regressar ao país de emissão do seu passaporte. Mais informação a respeito da permissão de trabalho nessas condições pode ser encontrada no http://www.nyidanmark.dk/en-us, na página sobre vistos para cidadãos da UE. Aconselho ler com bastante atenção todas as especificações na lei. A Dinamarca tem se tornado um dos países europeus mais fechados para a imigração no momento.
      Boa sorte.

  59. Estava procurando algum artigo que dissesse sobre o país, adorei saber de uma forma geral por uma brasileira, apesar do país ser encantador e lindo, o que me encantou e despertou curiosidade foi as lendárias história Vikings, por outro lado não troco de geito nenhum o calor humano é a reciprocidade do brasileiro, principalmente a feijoada no domingo, apesar de ter uma vida confortável aqui já recebi vários convites de amigos que foram visitar, porém por ser negro tenho receio da recepção.

    • Marcos, desculpe, não tenho a menor ideia sobre como funciona para profissionais estrangeiros no país e precisaria pesquisar a respeito para dar uma resposta precisa. Para pesquisar isso pra você teria que ser em forma de consultoria.

    • Depende do que você chama de ‘livre acesso’. Há regras também para cidadãos da UE, e não basta apenas ter o passaporte europeu, é preciso ter laços com o país emissor do passaporte, como ter residido no país por um determinado período. Além disso, as chances de emprego irão depender da cidade. Procure a lei no http://www.nyidanmark.dk/en-us para se informar sobre visto de residência para cidadãos da UE.

  60. Xenofobia tem em todo lugar no Sudeste e Sul do Brasil por exemplo os nordestinos são maltratados e os nortistas são maltratados no Centro-Oeste, dou uma leve razão para os xenofobos sobre nao querer perder a identidade entendo mas tiro todos seus argumentos simplesmente dizendo que um dinamarques imbecil ouve musicas americanas vê jogos de futebol e apoia um time espanhol ou come comidas de outros países .

    • Ivo, infelizmente o mundo hoje em dia tem se mostrado bem estranho. As pessoas parecem ter perdido a noção, de verdade. Basta dar uma olhada em algumas páginas e comentários em notícias que a gente vê o quão triste é; a impressão que tenho é que o ser humano está desaprendendo a viver em comunidade e se tornando cada vez mais egocêntrico e menos empático. Enfim… Você tem razão ao dizer que xenofobia existe em todo lugar, inclusive no Brasil. Ainda me falta o entendimento sobre o porquê desse comportamento de certos grupos e pessoas, já que somos todos humanos e quando analisamos de perto, temos mais em comum do que se pode imaginar.

      Um canal de tevê dinamarquês fez uma propaganda bem legal a respeito de como a gente coloca rótulos e divide as pessoas de acordo com suas origens, esquecendo do quanto temos em comum com as mesmas pessoas que às vezes repudiamos.
      Veja aqui: https://www.youtube.com/watch?v=iNJwG7xZ494

      Resta-nos seguir lutando contra as desigualdades e buscar construir um mundo melhor, partindo do nosso microcosmo.
      Obrigada por ler e comentar!

  61. olá Cristiane Leme
    Vejo quanta paciência você tem de responder todas as perguntas do seu blog. Eu tenho muita vontade de ir para Ilhas Faroe que fica na Dinamarca. Mas fiquei desanimada com esse post. Pois eu vejo que são muitos empecilhos para entrar e permanecer nesse país.

    Beijos

    • Oi Raquel, obrigada por ler e comentar.
      Respondo a todos os comentários por pensar que esse é um sinal de respeito com as pessoas que pararam para ler e comentar. Acho justo que todos recebam uma resposta, ainda que por vezes diferente do que o que a pessoa desejaria ler…

      Infelizmente o panorama tem sido um pouco assustador por aqui devido a tantas restrições surgidas a partir do governo em vigor desde 2015. Entretanto, com planos concretos pode ser que o sonho de morar na Dinamarca se realize. Eu inclusive escrevi a respeito de como se planejar para morar na Dinamarca, dê uma lida: http://www.brasileiraspelomundo.com/dinamarca-planejamento-para-mudar-para-a-dinamarca-271659263

      Obrigada por ler e comentar e volte sempre que quiser!
      Beijos

  62. Parabens pelas dicas,muito bom saber de tudo antes de se aventurar!
    confesso que devido a essa politica Brasileira muitos assim como eu pensa em sair fora do Brasil!!

  63. Boa noite Cristiane.
    Gostaria de saber se ai tem e como se clasifica para falar sobre faculdade.
    Por exemplo; como se menciona faculdade, quanto tempo dura e os cargos para mulheres são diferenciados, como aqui no Brasil e se é uma coisa muito cara.
    Obrigado e gostei bastante das suas informações, fiquei bem surpresa com o comportamento frio dos dinamarqueses.

    • Simone, obrigada por ler e comentar.
      Não sei se entendi bem a sua pergunta.
      O sistema de ensino daqui é diferente do que conhecemos do Brasil, portanto o ensino superior acompanha as diferenças. A maioria dos cursos tem duração de 3 anos e dali a pessoa pode escolher prosseguir em educação continuada para o mestrado, doutorado e pós-doutorado. A maioria das pessoas estuda os 10 anos do ensino fundamental, mais os 3 anos do ensino médio e considera que está bom assim. O ensino médio tem foco em ser profissionalizante, por isso muitos optam em interromper os estudos a partir daí, pois já se sentem preparados o suficiente para o mercado de trabalho.
      As faculdades têm disciplinas diferentes das ensinadas no Brasil, mesmo em profissões equivalentes, por isso para exercer muitas profissões na Dinamarca é preciso revalidar o diploma do Brasil.

      O acesso aos estudos em nível técnico e superior é gratuito para dinamarqueses, cidadãos da União Europeia e suíços, além de estudantes de intercâmbio e estrangeiros que possuam visto permanente ou visto que poderá se tornar permanente, como o de reunificação familiar, por exemplo. Estrangeiros em outras situações devem pagar anuidade para poder estudar aqui. Os valores estão entre 6 mil e 16 mil euros, segundo o Study in Denmark, mas pode variar de acordo com a instituição. Para saber o que fazer para poder estudar aqui leia o http://studyindenmark.dk.

      Apesar de o país ser feminista e de haver até mesmo uma lei que garante o direito de salário igual para homens e mulheres exercendo mesma função, as mulheres ainda ganham menos. Segundo estatísticas de 2015, as mulheres recebem 93,3% do salário de homens ocupando a mesma posição e com as mesmas atribuições.

      Acho que antes de ser frio o dinamarquês é, na verdade, bastante individualista e reservado, o que causa uma impressão de frieza. Porém se um dia você tiver a chance de conseguir fazer amigos dinamarqueses, verá que são os melhores amigos do mundo, os mais leais e sinceros que você poderia encontrar. Eu prefiro amizades assim 🙂

      Obrigada por ler, fico feliz que tenha gostado e continue nos acompanhando! Abraços

  64. Obrigada pelas informações Cristiane.
    Sou graduanda de zootecnia e encontrei uma empresa aqui no Brasil que oferece estágios de conclusão de curso por 1 ano na Dinamarca para pessoas das áreas de Zootecnia, Med. Veterinária e agropecuária. Me interessei, apesar de ainda estar no 3º semestre do curso já tenho que me preparar para quando chegar a hora de fazer o estágio e sei que estagiar fora do Brasil conta muito na hora de conseguir um emprego aqui depois. (Na verdade, qualquer experiência de intercâmbio do candidato conta bastante para as empresas brasileiras na hora de contratar).

    Comecei a pesquisar mais sobre a Dinamarca desde que descobri sobre essa empresa pois é o único país que eles oferecem vagas para estágio (eles tem programas diferentes em outros países mas a maioria é para quem já possui graduação completa ou programa de voluntariado). Tenho muito medo quanto à questão da xenofobia. Tenho cabelos pretos e cacheados, olhos pretos e não chego a ser negra mas também não tenho pele branca (sou morena).

    Meu medo é de ser maltratada pelas pessoas, ou até mesmo pela empresa que me contratar para o estágio, por ter uma aparência física diferente da delas. Nunca sofri racismo nem nada aqui no Brasil, portanto não saberia como reagir/me portar se passasse por isso. Já ouvi muitos relatos de brasileiros ou pessoas com pele escura de sofrerem racismo em países onde a maioria da população é branca. Isso me entristece muito e me deixa com bastante receio. Até eu chegar ao último ano de graduação decido se vou pegar ou largar essa oportunidade de estágio por aí. Beijos ;*

    • Deborah, obrigada por ler e comentar o texto.

      Acredito que tenha lido meu texto que aborda esse tema (Racismo, eu fui vítima). Se não leu, procure-o nos arquivos do site.

      O que posso lhe dizer sobre o medo é que ele só tem uma finalidade: paralisar a gente. Portanto, deixe seus medos de lado e encare o fascinante desafio de imersão numa nova realidade morando no exterior. Será muito enriquecedor, eu garanto!

      Não sei se no Brasil você já sofreu preconceito racial ou por conta de seu fenótipo, mas essa é uma realidade do Brasil e de outros países capitalistas, onde é muito forte o privilégio por ser branco ou ter dinheiro.

      Não tem como garantir que algo vai ou não acontecer com a gente, só acho que em vez de se boicotar com o medo, você deveria vir para experimentar como é e, daí, sim, fazer o seu julgamento.

      Por lei, nos ambientes corporativos dinamarqueses é proibido tratar alguém de forma diferente com base eu seu fenótipo, crença religiosa, raça, etnia, orientação sexual, orientação política ou gênero, portanto acredito que o referido estágio possa vir a ser uma boa oportunidade para você em termos de crescimento pessoal e profissional. Veja a referida lei – está em dinamarquês, use o Google Translate para entender, prefira traduzir do dinamarquês para o inglês e dali para o português: https://www.retsinformation.dk/forms/r0710.aspx?id=122522.

      Em caso de passar por uma situação em que sofra racismo você tem diversos mecanismos para acionar a seu favor e se defender, começando pela própria polícia dinamarquesa e podendo chegar a órgãos internacionais como o ENAR.

      Boa sorte com seus planos e continue nos acompanhando! :*

  65. Cristiane Leme,falando nisso,meu sangue é B positivo.Então,na sua opinião,eu tenho tendência pra ter ancestralidade escandinava,inclusive da Dinamarca,ou isso impressão minha,visto que minha ancestralidade europeia ocidental é de Portugal e da Holanda?Me desculpe está fazendo essa pergunta.Muito obrigado.

    • Desculpe mas fiquei sem ententer qual a relação entre fator RH, tipo sanguíneo e ancestralidade escandinava… Eu não tenho conhecimento sobre isso e portanto, estou impossibilitada de responder a essa pergunta. Por curiosidade, de onde veio essa informação?

  66. Então,Cristiane Leme,como eu te falei,o meu RH é B positivo.Então,no caso da Escandinávia tem como eu encontrar com pessoas que tem o mesmo RH que eu ou grande maioria dos Escandinavos não tem o mesmo RH que eu?Dentre os Europeus ocidentais,os meus ancestrais são de Portugal e da Holanda.Mas tem como eu encontrar com pessoas da Escandinávia que tem o mesmo RH que eu?

    • Marcus, o seu sangue é tipo B, com fator RH positivo. RH é um antígeno, identificado com esse nome por ter sido descoberto pela primeira vez na análise do sangue de um macaco chamado Rhesus. Antígeno é toda substância no corpo humano capaz de produzir anticorpos. Tem pessoas com esse tipo sanguíneo e fator RH em todas as partes do mundo. Desculpe se parecer grosseira mas esse comentário é um pouco sem sentido, eu acho; ainda estou aqui tentando descobrir o que você está tentando perguntar ou dizer. O que tem a ver o seu fator RH positivo com os escandinavos, já que o seu tipo sanguíneo pode ser encontrado em praticamente qualquer lugar do planeta?

  67. Oi Cristiane,

    Gosto muito do que você escreve e não costumo fazer comentários. Sou casada com um dinamarquês há 34 anos e tenho acompanhado muitas mudanças por aqui durante esse tempo. Eu só queria retornar dois pontos: 1) por aqui a diferença entre ser amigo ou colega de trabalho é muito clara. Quando você faz uma amizade, ela é para a vida toda. 2) um bacharelado de três anos não te dá acesso ao mercado de trabalho naquela profissão. A pessoa tem que ter o mestrado de dois anos. Existem também, para algumas profissões, o bacharelado profissional, que é de três anos e meio. Tem profissões que exigem mais do que os três do bacharelado e os dois do mestrado. Veja o exemplo dos médicos e dos advogados. Para poder fazer o exame da ordem são necessários anos de experiências de trabalho em um escritório depois de formado. 10 + 3 não faz de ninguém um profissional. a outra opção seria os quatro anos da escola técnica ou conseguir emprego como “ajudante”. Toda cultura tem suas diferenças. As pessoas
    Ficavam chocada quando eu dizia que adorava São Paulo e sempre me diziam a mesma coisa: ” como pode
    Uma baiana gostar de um lugar frio e cinzento?”

    • Oi Railda, obrigada por acompanhar a coluna e por seus comentários valiosos.
      Sou de SP e confesso que tem dias em que eu me sinto lá, como na quarta-feira, no trânsito pra casa, com aquela chuva fininha e uma fila de carros imensa…
      Abraços e continue nos acompanhando!

  68. Cristiane Leme, Dinamarca é, para mim, o local ideal. Todas as vezes em que vou à Europa, “”tenho”” de dar um pulinho lá. Como moro em Curitiba há 36 anos, nada estranharia no aspecto social dos dinamarqueses. Quanto ao clima, embora faça muito frio, ainda é o país nórdico menos frio, né? Frios semelhantes a gente encontra em vários outros países. De modo geral, a comida me agrada bastante, não fico com saudades de mandioca ou pastel. Afinal, a gente tem de se adaptar ao local em que se vive. Obrigada pelas informações que você sempre posta em seu blog.

    • Fatima, existe uma diferença enorme entre visitar um país como turista e morar nele. As percepções podem mudar completamente. No fim, com muita paciência, vontade e resiliência a gente se adapta, sim.

      Sobre a comida, a alimentação é uma parte da herança cultural de uma pessoa. Todo mundo que sai do seu país de origem, independentemente de qual seja ele, um dia vai sentir saudade daquela comidinha da infância, daqueles cheiros e sabores que só existem na sua terra. Pergunte para qualquer pessoa que está morando em outro país que não o seu de origem… A mesa do Natal dinamarquês é um bom desafio de adaptação pra quem vem pra cá.

      Embora a Dinamarca tenha um clima menos frio que os outros países nórdicos (graças ao seu relevo), aqui venta bastante, e o vento derruba a sensação térmica, fazendo com que se sinta bastante o frio, por isso a importância da vestimenta adequada. Claro que não é uma Islândia da vida, mas pode ser bem difícil pra quem vem do norte e do nordeste do Brasil, por exemplo.

      Agradeço o comentário e continue nos acompanhando!

    • Obrigada por ler. Aproveite e leia mais textos sobre a Dinamarca aqui no Brasileiras Pelo Mundo. Temos textos falando sobre planejamento para a mudança, sobre como fazer amigos, com dicas para conseguir emprego, entre outros temas relevantes.

      Boa sorte e continue nos acompanhando!

  69. olá amiga gostei do seu artigo tenho sonho de um dia ir morar num pais scandinavo e acho que me adaptaria bem pois tive uma educação britânica na infância aqui no Brasil;parabens;,congratulations.

    • Matheus, apaguei seus dados pessoais. Tome cuidado ao divulgar seus dados assim abertamente em redes públicas como um site do porte do nosso.
      Leia os mais de 60 artigos sobre a Dinamarca e também o artigo que escrevi sobre como se planejar para a mudança pra cá. Certamente nos artigos você conseguirá respostas para todas as suas dúvidas.

      Abraços e continue nos acompanhando!

    • Alan, desculpe mas não entendi bem a sua pergunta. Você quer saber o que exatamente? Se é sobre mercado de trabalho, recomendo dar uma olhada nos textos sobre trabalhar na Dinamarca, eu e a Camila escrevemos alguns.
      Se é sobre integração em geral, os demais textos sobre costumes, como fazer amigos etc podem dar uma ideia de como é morar aqui.
      Boa sorte!

  70. Seu artigo foi muito sensato. Estou querendo morar na Dinamarca, agora sei dos pontos positivos e negativos. Obrigado pelas dicas. E queria acrescentar umas perguntas: Como é os meios de comunicação na Dinamarca (internet, telefone celular) e sobre os esportes comuns por ai?

    • Obrigada, Gabriel.
      Eu não entendi muito bem o que exatamente você quer saber sobre Internet e celular, mas posso dizer que há diversas operadoras com tarifas e serviços diversos, e para telefonia há também a oferta de cartões SIM pré-pagos, tudo como no Brasil. Para o acesso à Internet e mídia eletrônica em geral (incluindo rádio) é preciso pagar uma licença anual.

      Os esportes mais populares na Dinamarca são o futebol e o handebol. A Dinamarca inventou as regras do handebol moderno. Outros esportes bem populares por aqui são o badminton, tênis e esportes de inverno. A Dinamarca é bem forte em badminton e handebol em campeonatos mundiais.

  71. Alguns de seus comentários eu vivo aqui em USA tb. Poderia escrever varias razões para não morar aqui tb. Independente das diferenças culturais , um fator muito importante que um imigrante precisa se lembrar : o quão é importante se sentir feliz onde escolheu morar e sentir esse lugar como seu “LAR”. Isso nunca consegui sentir aqui nesses últimos 11 anos de USA. Por isso estarei imigrando mais uma vez no próximo ano em busca de um lar !

    • Exatamente, Patty!
      Eu sentia o contrário: no Brasil, sempre me senti um peixe fora d’água com os meus princípios e modo de vida. Aqui encontrei meu lar; mesmo em meio às adversidades, eu me sinto perfeitamente em casa na Dinamarca.
      Boa sorte com a mudança e espero que logo encontre o lar que tanto procura!

  72. Olá! Possuo passaporte italiano e gostaria de me mudar e trabalhar na Dinamarca. Você sabe me dizer se tenho que solicitar algum visto antes? Creio que não pois o país faz parte da UE, certo?
    Muito obrigada!

  73. Olá Cristiane. Boa noite. Bom ver que você tem estado ativa no blog todo esse tempo.
    Seu texto foi espetacular. Muito obrigado!
    Tenho lido bastante a respeito da Dinamarca recentemente. Leio muito o que dizem tanto nativos quanto expatriados na Dinamarca, sobretudo no Quora e no TripAdvisor, e tem sido unânime a opinião de que a Dinamarca é um país xenófobo e muito pouco acolhedor em relação a estrangeiros, em geral.
    Eu não sou o maior fã de muçulmanos, até porque sou gay e não vejo como um gay pode apoiar e encorajar um sistema religioso que ativamente tem perpetrado uma Inquisição sem julgamento nem direito de defesa para com a comunidade à qual pertenço, embora eu não tenha o menor problema com árabes no geral – até porque um não é sinônimo do outro -, PORÉM, está beirando o absurdo a política imigratória da Dinamarca.
    Sinceramente, esse conservadorismo xenófobo que tem dominado as políticas OFICIAIS do país, na minha humilde opinião, é motivo suficiente para começar a se questionar se a Dinamarca merece continuar na União Europeia. Porém, com o Brexit, a questão grega ainda sem resolver e a Alemanha politicamente dividia, a última coisa que os dirigentes querem é que mais uma economia sólida abandone o bloco – porque o acréscimo de uma Albânia, uma Armênia e uma Ucrânia ao mesmo tempo compensariam a saída de uma Dinamarca.
    Enfim, vida que segue. Eu adoro línguas estrangeiras, mas as recentes políticas de países mundo afora no que concerne os imigrantes têm me feito colocar algumas delas no grupo do “Em espera”; húngaro, lituano, russo e, agora, o dinamarquês, estão inseridos nele.

  74. Boa noite, Cristinane
    Gostei muito dos seus artigos, muito bem escritos e consguimos ter uma ideia melhor do que encontrar na Dinamarca! Muito obrigada pelas dicas!
    Acabei de me formar em Medicina veterinária e gostaria de fazer um intercâmbio para a Dinamarca… quero fazer algum curso para aprimorar o meu inglês e trabalhar ou estagiar na minha área se possível!
    Você pode me dar alguma se dicas de escolas de inglês por ai e como é o campo para a medicina veterinária? Li que é bastante valorizado..

    Desde já agradeço

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