Como me sinto quando passo férias no Brasil

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Acervo pessoal
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Como me sinto quando passo férias no Brasil.

Como descrever a sensação única que só quem mora fora sabe – de voltar ao seu País. Então temos dois divisores de águas: a expectativa e a famosa realidade!

Expectativa da nossa parte, é saber como as coisas estão, tentar se fazer presente, tentar declarar aos familiares o quanto fazem falta e demostrar através de ações que apesar da distância que nos separa, os sentimentos que nos une é muito mais forte. Não é fácil mas o que mais particularmente percebi nestes anos foi que falar o que se sente é a melhor maneira de demostrar os nossos sentimentos. Os amigos nem sempre estão disponíveis, e não é porque não os vemos tanto, é que eles deixam de ser importantes. Ao contrário, algumas relações se tornam mais intensas e fortalecidas, mas uma coisa eu sempre repito: o que é sincero com certeza será para sempre, e se não for não se preocupe, uma hora ou outra iria desaparecer mesmo!

Quando penso em férias no Brasil, a melhor sensação é chegar no aeroporto, e escutar todos falando a mesma língua que a sua (é uma sensação de acolhimento); depois o problema da bagagem e o trânsito na saída do aeroporto que você logo lembra “ah!! Onde eu moro é tão organizado”. Nessa chegada, eu jamais ligo o rádio, muito menos pergunto ao taxista as notícias, até porque quem pergunta quer saber, e às vezes é melhor não saber “as novidades”.

Depois a comida nossa de cada dia! Quando eu faço o meu roteiro de férias, coloco os lugares, restaurantes, comidas, lojas –  coisa de pessoa metódica! Como moradora da Europa também penso em vitamina D e sol, claro, se puder até uma piscina, e esse é mais um ponto que não pode faltar nas férias no Brasil!

Na realidade, nós estamos de férias mas a maioridade das pessoas não estão, e o tempo passa muito rápido e quando damos por nós, está quase na hora de voltar!

Percebermos que estamos a cada dia mais sentimental e isso é bom, quer dizer que independente de onde estávamos nossas memórias afetivas voltam com uma força enorme, que o que nos fazia tanta importância não tem mais o mesmo valor, que queremos que o dia tenha pelo menos 30 horas. Como as pessoas na Europa uma coisa eu admiro, se elas dizem à você “vamos nos ver amanhã às 17h” eles costumam estar na hora e  na data marcada. No Brasil, algumas pessoas vêem já como normalidade chegar atrasado ou mandar SMS, porque em tempos de internet ligações viram grandes declarações de amor e dizerem que não podem ir ao nosso encontro!

Se você consegue se conectar com sua parte metódica tem como fazer tudo que planejou todos os momentos de beleza, a comida (comer os doces que às vezes da uma vontade daquele doce bem açucarado que temos perto de casa); nem sempre conseguimos ver todos como gostaríamos mas sempre saímos nos programando para voltar!

O que eu aprendi:

  • Não temos como planejar tudo, mesmo com muita organização, como minhas idas para São Paulo lá encontra-se sempre, trânsito, muita gente e o mundo rápido demais;
  • Não crie expectativas de nada, quando não pensamos, as situações nos surpreendem;
  • Sorria muito de pequenas coisas, as viagens as nossas origens mesmo em memória fazem um bem danado;
  • É difícil imaginar que a maioria de nós vivemos sozinhos fora do Brasil mas a música com os versos “é impossível ser feliz sozinha”  faz sentido;
  • A família “Doriana” não existe, então não crie expectativas, crie momentos;
  • Amigos longe ou por perto, importante é o coração;
  • Coma o que puder, e só pense em dieta, quando voltar!
  • Cuidado com a sua segurança.

E depois de tudo, vemos e entendemos que o nosso lugar é em todos os lugares, porque temos ânsia de conhecimento, mudança e transformações que somente quem mora fora tem essa oportunidade crescer, mudar e voltar quantas vezes quisermos!

Sobre como ficamos após alguns dias no Brasil? Pensando que poderia ser diferente, que  temos esperança de mudanças, que é o melhor povo do mundo, mas enquanto algumas coisas não acontecem, o negócio é se adequar o lugar onde vivemos como um pedaço nosso também.

Ser feliz não é ter tudo não mas é saber aproveitar dos pequenos momentos e transformar em grandes instantes, este é o grande milagre da vida!

E você, leitor, como se sente quando passa férias no Brasil? Deixe aqui nos comentários!

22 Comentários

  1. Adorei saber mais de você amiga!! Muita saudade de você ! E agora vai se mudar para mais longe ainda. Deus te abençoe muito minha linda. Beijão

  2. Ola, Regiane!
    Adorei o texto. Eu tambem sou de Santo Andre e moro fora desde 2003. Morei muito tempo em Londres e agora estou na Polonia. Acabei de voltar das ferias no Brasil e nao e facil. Nao sei se isso acontece com voce, mas tambem tem o lance da culpa de nao estar com a familia, sinto que as pessoas querem ter a certeza que carrega este sentimento. No mais, um grande abraco.

    • Ola, Simone

      Quantas coincidências, somos de Santo André, moramos muito proximas entre Lille e Londres eu tambem morei na Polônia.
      Obrigado pela atenção realmente esse sentimento de culpa as vezes é persistente .
      Beijos

  3. Muito bom o seu Texto. Não tão extenso mais rico em minúcias que só quem mora ou morou por algum período for de seu país de origem entende e pode discorrer. Continue escrevendo textos nessa linha Regiane, traz muito alento para um determinado segmento!!

  4. “Quando penso em férias no Brasil, a melhor sensação é chegar no aeroporto, e escutar todos falando a mesma língua que a sua (é uma sensação de acolhimento)” MEU DEUS, você falou exatamente a sensação que eu tive quando voltei de uma viagem para um país que não sabia me comunicar e que durou só 2 semanas!! No aeroporto eu chorei de alegria quando ouvi o português do meu BR ♥. Todos sabemos que o BR ta uma vergonha e tal (e a maioria quer fugir daqui, eu incluída), mas não há nada como ser acolhida ouvindo sua língua materna! Emocionante.

    • Obrigada por compartilhar o mesmo sentimento é incrível como essa roda gigante de emoções acontece em tão pouco tempo!! Tentei traduzir essa confusão da melhor maneira possível!!
      Obrigada pela atenção,
      Regiane

    • Ola,
      Muito obrigado por compartilhar esse turbilhão de sentimentos, todos nos que amamos o Brasil nos sentimos impotente com uma vontade enorme de trazer “os que amamos conosco”, mas sobre ser acolhida é muito bom! Abraços continue nos acompanhando

  5. Adorei essa matéria. Moro a mais de 20 anos no Japão e vou ser sincera…todas as vezes que volto tenho vontade de ficar. Mas quando chego no Japão e começo minha rotina diária vejo o quanto gosto daqui também. Só quem mora fora é que entende esse sentimento.

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