De volta à minha terra

No retorno ao Brasil, as impressões de quem teve um período fora.

2
845
Fonte: www.dreamstime.com
Advertisement

Depois de quase dois anos fora do Brasil, vivendo nesse país frio que é a Bélgica, aguardava ansiosamente o momento de regressar para minha amada terrinha.
Muito da minha ansiedade se devia ao momento difícil em que se encontra o Brasil, e outra, pelos comentários dos brasileiros que já tinham passado por essa experiência. E vou contar aqui, as minhas impressões da aventura que foi estar “de volta à minha terra”.

Meus primeiros momentos em solo brasileiro já foram um tanto quanto decepcionantes. Cansada e totalmente perdida depois das várias horas de viagem, ouvi meu nome anunciado no saguão de desembarque do aeroporto e fui comunicada que minha bagagem tinha ficado para trás, lá em Amsterdã!

Mas, tudo bem! O que importa é que em poucas horas estaria na antiga casinha sendo mimada pelos meus pais…
Só que não!
No guichê da companhia aérea que me levaria para minha cidade natal, fui informada de que o voo iria decolar com “um pequeno” atraso, uma horinha.
Ok, tudo bem!
Sentei na salinha de embarque, peguei o celular para passar o tempo e descobri que meu celular estava bloqueado! Pois é, nenhuma operadora brasileira operava meu chip europeu.

Sozinha, com voo atrasado e incomunicável, precisando avisar minha família do meu atraso, tive a brilhante ideia de pedir ajuda a alguém na sala de embarque para enviar uma mensagem, usando uma das várias redes de comunicação social existentes, foi aí que constatei que as coisas realmente não andavam boas no meu Brasil varonil.

O clima de desconfiança e falta de empatia era geral e isso reflete nas pessoas. Pedi ajuda para uma mulher aparentando uns 35 a 40 anos, com cara de mãe amorosa, propositalmente escolhida, e ela me mandou logo aquele olhar desconfiado e aquela conversa enrolada para ganhar tempo e não me ajudar. E eu, bem sem graça, não sabendo onde enfiar a cara, me senti quase uma criminosa.

No mesmo segundo que a mulher enrolava, uma moça bem jovem me chamou, se apresentou, e me contou que tinha chegado de Dublin na Irlanda e passado pelo mesmo problema com o seu celular, mas que tinha pensado em levar o tablet salvador também. Me emprestou o salvador da pátria, avisei minha família, ela se despediu e seguiu para Porto Alegre, abençoada “guria” que esperou mesmo sendo a ultima chamada para o vôo dela. Não esperava não ser ajudada por aquela mulher, mas mesmo assim, deixo claro, que compreendo completamente a desconfiança dela. Ela esta matando seu leão, é a vida!

Bom! Mas aventura e os problemas com meu voo não pararam ali (típico no Brasil), aquele atraso de uma horinha, se transformou em 7 longas horas de um aeroporto a outro.
Vi várias pessoas no saguão iradas com problemas de cancelamento e/ou atraso de voo. Um verdadeiro drama para quem quer chegar em casa ou tem algum compromisso importante, paga caríssimo numa passagem de avião para economizar tempo e no fim, usar ônibus é que economiza tempo e dinheiro! Isso quando ônibus é uma opção!

Além dos problemas com as companhias aéreas, as operadoras de celular, pude comprovar que a vida dos brasileiros esta mais difícil e muito mais cara. O preço das coisas em geral, estão em muito, ultrapassando os valores aqui na Europa, mesmo convertendo a moeda.
Foi-se a época que 1000 euros pagavam uma viagem “de rei” em reais. Minha impressão dos preços foi única: Estava tudo caro!

De resto, ao contrário de outros “brazucas pródigos”, não me desliguei ao atravessar a rua, não troquei as palavras, e não estranhei nenhum pouco o calor de 35 graus, alias isso, eu amei. Como senti falta desse calor, inclusive o humano! Curti cada abraço (até os excessivos), recebi com carinho cada toque daquela mania bem brasileira (e muito criticada) de tocar as pessoas durante as conversas! Aproveitei tudo, até porque não sei se e quando vou viver tudo isso outra vez.

Família reunida – Foto de arquivo pessoal

Passei um mês no Brasil, e não conseguiria contar detalhadamente aqui as inúmeras aventuras que passei lá. Mas continuo certa de que o Brasil é sim o melhor lugar do mundo, para mim.

Lugares incríveis, terra farta, povo acolhedor e forte, mas aos poucos esta sendo destruído e sufocado por corrupção, ilusões e muita falta de empatia. Não saberia colocar em palavras a tristeza que senti em constatar os inúmeros problemas do meu país, ver a degradação de meu paraíso e principalmente ter de voltar e deixar muitos dos que amo lá sentindo na pele tantas dificuldades.

É bem verdade que estive lá e senti saudades daqui, a vida aqui na Europa é tão menos complicada. Mas hoje, já sinto falta de lá!

Muitos dizem horrores dos que deixam o país para migrar, mas no fundo, a vida de um imigrado, é conviver dia-a-dia com um coração partido no meio!

À Bientot!

2 Comentários

  1. Bruna, concordo com tudo que dissestes. Eu também morei fora por alguns meses (Inglaterra) e mesmo eu não sendo uma pessoa muito calorosa senti muita falta dos abraços apertados da minha mãe. Quando estava longe sentia muita falta de casa e da minha família mas quando voltei depois de passar a empolgacao inicial, consegui ver com clareza todos os problemas do nosso pais e como as coisas são complicadas e caras aqui, como temos que suas para conseguir um minimo. Como você disse e eu concordo, não tem pais melhor que o nosso, mas hoje se eu pudesse eu trocaria pela Europa. Beijoos!!

  2. Estou fora do meu amado Brasil a 2 anos… o que vejo de fora é a segurança, saúde, educação e transporte pulico que nem imaginava que existia… é impressionante viver em um pais onde o dinheiro publico é realmente gasto “com o publico”. O que mais me assusta no Brasil é a violência e a falta de de cuidado com a saúde publica… para tudo acabamos dando um “jeitinho brasileiro”, a verdade é que apesar de toda esta corrupção, o brasileiro se vira… mas quando se trata de ver uma pessoa passando horrores nos hospitais, e morrendo por nada pq a violência impera, aí nos sentimos verdadeiramente impotentes. Mas com certeza ninguém abraça como o brasileiro, comemora ou se diverte, somos um povo alegre por natureza e nosso sotaque encanta… existem lugares maravilhosos de se viver, amo viajar, viver em outro lugar, conhecer novas culturas, mas o meu coração sempre será verde e amarelo.

Deixe um comentário

Por favor inclua o seu comentário
Por favor escreve o seu nome aqui