França – Serei expatriada, e agora?

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Trabalho em uma multinacional francesa desde 2003 e já viajei para França algumas vezes a trabalho. Eu sempre deixei claro para o meu chefe que uma oportunidade de expatriação seria muito bom para o meu crescimento pessoal e profissional e de preferência na França, mas sempre estive aberta a outras opções.

Em 2010, surgiu a proposta de expatriação para ficar na França por um período de 4 anos. Seria em 2014, pois tinha um projeto no Rio para terminar antes. Para o meu marido, não haveria nenhum problema em me acompanhar, pelo contrário.

Em fevereiro de 2013 começaram os preparativos para chegar à França em janeiro de 2014. Foi nesse momento que a ficha caiu:

“Serei expatriada, e agora?”

Primeiro tinha que entender e resolver toda a parte burocrática em termos de contrato e validação da proposta de trabalho: Como funciona o salário na França e quais as ajudas de custo. Fiz várias contas para ter certeza que conseguiríamos ficar sem problemas.

Em seguida, veio a verificação dos passaportes e a entrada do pedido de visto (que tem que ser feito no prazo certo). A empresa se ocupa dos vistos, mas tenho que fornecer uma lista de documentos para serem traduzidos por tradutor juramentado (certidão de nascimento, casamento, carteira de motorista, etc.). Esses documentos são enviados à França junto com o formulário do visto para validação e autorização, a fim de possibilitar o agendamento de uma entrevista no consulado.

Para facilitar a nossa vida, decidimos entrar com pedido de cidadania portuguesa para o meu marido e filha (já que o avô dele é português) e, neste caso, o visto seria só para mim, pois eles entrariam na França como europeus.

A entrevista no consulado francês atrasou e não foi possível comprar as passagens para início de 2016. Não podíamos fazer muita coisa sem, no mínimo, ter a data da entrevista; por exemplo, não era possível comprar a passagem, nem agendar a mudança, sem saber a data da liberação do visto. Com a entrevista marcada para 12 de março , a reserva do voo foi feita para 10 de abril de 2016. Imagine a correria para organizar tudo que não poderia ser feito sem a passagem? Até para a entrevista precisava da passagem na mão.

Quando a pessoa sai do país, deixa de ser residente fiscal,  é necessário fazer a declaração de saída do país, a comunicação de não residente fiscal e a declaração de imposto de renda até a data da saída. No meu caso, tivemos ajuda de um escritório de consultoria externa. São eles que fazem a declaração, mas temos que dispor de todos os documentos e informações necessárias (as planilhas a serem preenchidas eram similares às da declaração de imposto de renda, além do envio de cópias das declarações anteriores, de documentos de venda de carro, compra de imóvel , etc). Adiantei o que podia enquanto não tínhamos a data certa da viagem. Enviei tudo que foi solicitado antes de viajar e continuei enviando informações até um pouco antes das declarações serem entregues em 2015.

Você sai do país, deixa de fazer a declaração anual, porém continua recolhendo imposto. Por exemplo: imposto sobre o aluguel de imóvel no Brasil com taxa específica para residente no exterior.

Não tivemos que nos preocupar com onde morar, pois já chegaríamos com um apartamento mobiliado alugado.  Só tínhamos que nos preocupar com o que levar (tínhamos direito a enviar um volume especifico por navio), sem direito a móveis nem eletrodomésticos.

Podíamos levar quadros, mas deveriam passar pela vistoria do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional).Todos os quadros foram fotografados, registrados e vistoriados, para ter certeza que não estávamos levando obras roubadas ou falsificadas para a França (nem sabia que existia esse tipo de órgão).

Três semanas antes de viajar

Estávamos em um hotel com carro alugado para conseguirmos organizar o apartamento e vender nosso carro.

Tínhamos direito a deixar os móveis em “guarda-móveis”, aí pensamos: “Deixar móveis e eletrodomésticos guardados por 5 anos? Vai deteriorar.” Decidimos vender quase tudo, o que não foi vendido, ficou no guarda móveis.

Uma semana antes da viagem

O apartamento estava vazio. Como foi tudo muito rápido, não conseguimos alugá-lo. Deixamos uma procuração para os meus sogros que trataram do assunto. No nosso caso, a melhor solução foi ter uma administradora para cuidar do apartamento e aluguel, assim fica mais fácil do que tratar de problemas à distância. Qualquer problema com o apartamento, o inquilino procura o administrador.

Todas as contas que precisavam ser pagas no Brasil foram colocadas em débito automático, para todas as correspondências que recebíamos foi solicitada a troca de endereço para a residência de meus sogros.

As contas no banco continuaram abertas no Brasil, tivemos que comunicar ao banco a saída do país e a troca de endereço e me certifiquei de que poderia resolver tudo pela internet – de vez em quando, tenho problemas com o dispositivo para senha de segurança.

No Brasil, o sistema está sendo modificado para senhas via sms, mas como não tenho celular no Brasil, o dispositivo tem que continuar a funcionar no meu caso. Ainda recebo avisos esporádicos para cadastrar o celular, e que o dispositivo será cancelado e tenho ligar para o Brasil e solicitar a não desativação.

No final

Corremos um pouco, mas deu tudo certo. Há vários detalhes e pequenas coisas para fazer que não imaginamos quando decidimos mudar de país (mesmo que por tempo limitado).

Mudar de país é ótimo, mas dá muito trabalho!

9 Comentários

  1. Ótimo texto, objetivo e direto. Minha experiência foi exatamente a mesma, tive as mesmas dificuldades e alegrias, a única diferenca é que nao temos filho e sim um Golden Retriever! =)
    Parabéns pelo texto!
    Carina brum

    • Obrigada Carina.
      Que bom que gostou do texto.
      Bom encontrar pessoas com as mesmas experiências.
      Acredito que com animais, assim como com crianças, tenha uma lista de coisas a fazer antes de sair do país.
      Bjs
      Lilian

  2. Esse blog é muito legal.

    Esse blog é muito bom! Ele dá voz às brasileiras que vivem pelo mundo a fora contar suas experiências, esclarecer dúvidas e motivar outras(os) brasileiras(os) aproveitarem uma oportunidade de crescer fora do país de origem. A mudança do país de origem quando se é sozinha é uma coisa e quando se muda com a família tem que resolver a vida dos filhos e do marido e ter muita organização, paciência e espírito aberto para se adaptar à rotina do novo país e da cidade onde residirá durante alguns anos. Muito esclarecedor esse passo a passo de como resolver o que fazer com os móveis, documentação necessária para entrar no novo país, de contas de bancos etc… Ótimo depoimento Lílian!

  3. Esse blog é muito bom! Ele dá voz às brasileiras que vivem pelo mundo a fora contar suas experiências, esclarecer dúvidas e motivar outras(os) brasileiras(os) aproveitarem uma oportunidade de crescer fora do país de origem. A mudança do país de origem quando se é sozinha é uma coisa e quando se muda com a família tem que resolver a vida dos filhos e do marido e ter muita organização, paciência e espírito aberto para se adaptar à rotina do novo país e da cidade onde residirá durante alguns anos. Muito esclarecedor esse passo a passo de como resolver o que fazer com os móveis, documentação necessária para entrar no novo país, de contas de bancos etc… Ótimo depoimento Lílian!

  4. Show seus textos ,tb moro na França desde de 2005 e me identiquei com quase tudo que vc escreveu nos textos kkkkk bisous de Strasbourg

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