Peru – Casar no Peru

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Bora comprar pão! - Foto: arquivo pessoal
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Aos leitores que desejam se casar no Peru, hoje contarei minha saga.

Bem, para começar, quero dizer que é um país bem conservador e por isso passei por situações inusitadas.

Dentro de cada bairro ou distrito existe uma prefeitura, também chamada de municipalidade, onde funcionam vários tipos de serviços, sendo um deles o de matrimônio civil. Somente é possível se casar no bairro de residência, uma norma facilmente burlada com um comprovante de endereço de um amigo ou parente. Assim, o primeiro passo é obter um comprovante de endereço daquele bairro onde se deseja casar e levá-lo à municipalidade.

Em cada municipalidade há documentos e regras a serem seguidos, mas geralmente são os mesmos, com poucas particularidades. E a própria municipalidade oferece opções de recepção com bebidas e comidas de variados preços. Não optei por fazer a recepção porque tive uma grande festa no Brasil, mas, mesmo se não quiser a recepção, existe uma cerimônia com a presença de um agente municipal e testemunhas. Para esse caso, terá que desembolsar com todas as taxas e exames médicos, um total de 700 Soles (o preço varia de acordo com a municipalidade, podendo ser muito menos ou muito mais), equivalendo quase à mesma quantia em Reais.

Vamos à parte chata, os documentos:

  • Comprovante de residência.
  • Certidão de nascimento emitida a menos de um ano.
  • A sua identidade e a de seu esposo(a).
  • Declaração da Embaixada de que nao seja casada com outra pessoa no seu país, – chama-se declaración de soltería.
  • Original e cópia autenticada do passaporte ou carné de extranjería.

É necessário o original e a cópia dos documentos (passaporte ou carné de extranjería) e também das duas testemunhas do matrimônio.

Divorciados e viúvos precisam comprovar o estado civil, e haver transcorrido pelo menos trezentos dias do divórcio e da viuvez. Caso não tenham alcançado este prazo, terão que apresentar certidão negativa de gravidez.

Em caso de filhos, declaração de que possui o pátrio poder.

Se for naturalizado, apresentar os documentos com a certificação do Ministério das Relações Exteriores do Peru.

Dentro da lista, também fazem parte exames laboratoriais para descarte de doenças venéreas e exame clínico com um médico credenciado.

Aqui começa minha história

Eu, com pouco tempo de Peru, convoquei meus amigos da classe de espanhol para serem minhas testemunhas, atestando, na Embaixada, para a emissão da declaração de solteira.

Fotos com meus amigos de classe de espanhol

Detalhe que nem tínhamos muitaintimidade. Aliás, quero deixar claro que os funcionários da Embaixada Brasileira, em Lima, me ajudaram e muito, inclusive com muitos conselhos. Quem tiver fora do país procure a Embaixada não só para documentos, pois é um apoio importante!

Para testemunhar o casamento civil, foi outra leva de amigos gringos, também da classe de espanhol. Uma forma bem bacana de fazer amigos é estudar o idioma do país onde você mora. Era tudo muito novo para mim e para eles também. Estávamos todos no oba oba  e na alegria de encontrar uma amiga da Inglaterra com vassoura e balde na mão, no meio da municipalidade. Ela estava de mudança, mas, mesmo assim, foi lá dar um apoio à causa. E tudo vai virando história para contar!

Mas, o melhor ainda estava por vir.

Quando começam os choques culturais.

Chegou a parte dos exames laboratoriais e médicos. Eles são obrigatórios e realizados com médicos da própria municipalidade, se deseja casar.

Fomos lá, eu e meu esposo, para coleta de sangue. Esses exames laboratoriais são para identificar doenças venéreas. Se for negativo, ufa, pode se casar. Mas se for positivo, entrará no limbo das possibilidades administrativas que não estão muito claras.

Isso para mim ainda não foi o que mais impactou.

Logo após esta checagem, que já é um tanto forte, até para quem tem a certeza de que não está doente, vem a parte do exame clínico com o médico.

Quando estávamos diante da sala do médico, vi que era uma mulher e isso me deixou mais confortável. Fui chamada primeiro. Entrei e logo vieram muitas perguntas. Uma delas questionava se eu era virgem. Eu fiquei catatônica. Pensei: acabou para mim; aqui, nesse momento, já era casamento. Mas, segui firme, usando a desculpa de que já havia me casado na Igreja, no Brasil. Parecia que eu tinha voltado no tempo de quando era adolescente e tinha medo que descobrissem que eu não era mais virgem. Se essa senhora soubesse que nem lembrava mais quando havia perdido. Me deu uma vontade de rir, de nervoso. Não sei o porquê, mas essa experiência me deixou sem saber o que fazer. Foi, de fato, uma surpresa, esse tipo de pergunta feita para uma estrangeira.

Em seguida, foi a vez de meu esposo. Não demorou nem cinco minutos para eu escutar a porta se abrindo novamente e a médica me chamando para entrar. Entrei desconfiada, olhando para meu esposo e me perguntando o que será que estava por vir­. Quando me sentei, senti que meu esposo estava tranquilo. Aqui é um país machista, ele podia tudo e eu não. E a médica começou uma conversação de que estavam chegando por essas terras práticas que não eram boas para quem pensava em formar uma família. Minha cabeça foi longe, imaginando o que ela estava querendo dizer. E quando estava com a minha mente em mil possibilidades, fomos surpreendidos com um conselho: Sr Moisés, não leve a sua esposa à casa de swingue!

Respirei aliviada, essa foi a única coisa que não me veio à mente.

Tranquilo, Doutora, não iremos fazer isso!

E, depois de tudo isso, pude me casar sem ser virgem, sabendo que não tenho HIV e com esse conselho tão útil para meu casamento.

Bora comprar pão!

7 Comentários

  1. Oi Viviane, tudo bem? O teu post caiu como luva para mim porque moro em Lima e estou vendo os tramites para me casar aqui. Obrigada por compartir a tua historia, e fiquei com um duvida, a certidao de nascimento tem que ser emitida com menos de um ano? Voce teve que apostillar e tudo mais? Pediu carimbo da embaixada do Peru no Brasil? Conta-me mais sobre o assunto! Em que distrito vc está morando? Um abraco

    • Olá Samara,Tudo bem ?
      Entäo, a certidao de nascimento tem que ter emissao com menos de 1 ano e isso vale par muitos otros documentos que vc terá que fazer por terras peruanas. Deve procurar um tradutor juramentado e o selo do Ministerio das Relaçoes exteriores. Da Embaixada do Brasil vc irá precisar somente da certidao de soltería, como eles dizem aqui. Meu bairro é Miraflores e pode ser que tenha poucas diferenças de requisitos para documento entre as municipalidades dos bairros, no geral é isso mesmo, o que muda mais sao os valores pagos para realizar o processo e o casamento. Obrigada e espero ter ajudado! Grande abraço

  2. oi Viviane, eu acho seus posts bem interessantes mesmo que tenham sido só 3 até agora. sou uma garota de 14 anos deficiente visual. [só tenho 3% de visão no olho direito e 0% no outro olho] e tenho pesquisado muito sobre a vida no Perú. simplesmente por achar interessante. na verdade eu adoro pesquisar sobre imigração e vida no exterior em geral. é muito legal ler sobre essas coisas. sobre o perú é melhor ainda já que não tem tantos brasileiros como na Austrália ou nos EUA por exemplo. eu tenho um canal no youtube onde eu faço gameplays e creepypastas. seria legal se você montasse um pra falar sobre a vida no Perú. você acha o Perú um país bom pra ser deficiente visual e expatriada? já tive vontade de morar no Perú mas desisti pois achei que ia ter o dobro de dificuldade que uma pessoa sem deficiência. [desculpa o textão]

    • Olá Sofia,um prazer poder retribuir seu carinho . Te confesso que nao sei muito sobre essa linguagem que vc citou , gameplays e creepypastas. Preciso da sua ajuda para saber como fazer, seria bem legal sim . E nao se preocupe , pode mandar textao. Posso procurar sobre o assunto de acessibilidade aqui no Peru.
      Fiquei muito feliz que tenha gostado dos meus textos!
      E já sou una inscrita do seu canal.
      Grande abraço

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