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Bullying virtual contra a mulher

Bullying virtual contra a mulher

A mulher viveu por séculos em uma condição de opressão e subordinação. Apesar dela ter alcançado vários direitos e ocupado cada vez mais espaços, dados da Organização Mundial e Saúde (OMS) nos trazem evidências de que ainda nos dias atuais o machismo é bastante forte.

 “25% ou mais países acham justificável um homem bater na esposa.” OMS

No mundo virtual não é diferente. Milhões de mulheres no mundo todo são alvo de bullying na internet. O teclado se torna, assim, uma arma poderosa contra as mulheres.

A velocidade com que uma mensagem na internet é transmitida, o alcance que ela pode atingir e a dificuldade de deletar as imagens e os comentários depreceativos deixa o bullying ainda mais perigoso. Mais ainda, as mensagens e imagens são postadas geralmente em anonimato o que torna mais difícil o rastreamento da fonte.

È importante ressaltar que algumas das agressões no universo cyber cometidas contra as mulheres, são feitas pelas próprias mulheres.

Os crimes cometidos na Internet são previstos pela legislação penal e o autor do crime pode ser punido. No Código Penal aplicam-se os crimes contra a honra e na Lei Maria da Penha(4), o artigo 5.º conceitua a violência doméstica e familiar contra a mulher. No art. 7.º, prevê 5 espécies de violência, com destaque para o inciso II, que trata da “violência psicológica”.

Existe também a Lei nº. 12.737/12, que criminaliza a invasão de computadores para obter vantagem ilícita, como a falsificação de cartões de crédito e a interrupção de serviço telegráfico, telefônico, informático, telemático ou de informação de utilidade pública.

O que é bullying virtual?

Cyberbullying é bullying que ocorre usando tecnologias de informação e comunicação como telefones celulares, computadores e tablets, sites de mídia social, mensagens de texto, bate-papo e sites.

Pode ser praticado por um grupo ou uma pessoa que tem o intuito de prejudicar, ameaçar, caluniar, difamar a mulher, principalmente antigos namorados ou maridos que desejam se vingar de uma rejeição.

Exemplos de cyberbullying contra a mulher incluem:

  • A pornografia da vingança que acontece quando um ex-parceiro, revoltado e raivoso com o término da relação, publica vídeos e/ou fotos íntimas de sua ex-companheira
  • Comentários depreceativos nas redes sociais, sites;
  • Criação de perfis falsos nas redes sociais com fotos íntimas da pessoa a quem se pretende humilhar;
  • Sexting que consiste em enviar conteúdos sexuais provocatórios como imagens, mensagens ou clips de vídeo, através do telefone ou da internet.

Qual impacto emocional?

O bullying virtual pode causar um impacto psicológico considerável na vida da mulher. Atinge diretamente a sua auto-estima, amor próprio e dignidade. Ela se sente destruída por dentro e por isto a melhora emocional pode às vezes levar anos.

Qual orientação necessária para prevenir futuros bullyings?

1) Evitar tirar fotos íntimas em dispositivos eletrônicos e aparelhos celulares;

2) Evitar a prática de sexo virtual com pessoas que conheceu online ou que não sabe a sua origem;

3) Não filmar o ato sexual nem a pedido de um companheiro;

4) Não compartilhar fotos íntimas em aplicativos de bate-papo;

O que pode fazer caso tenha sido vítima da violência virtual ?

1)  Faça um print [cópia da tela] de tudo, tanto mensagem de texto ou eletrônica, ou páginas, publicações;

2) Salve os links, endereços web, e os perfis que compartilharam a postagem;

3) Registre uma queixa na delegacia da Mulher ou numa delegacia mais próxima para fazer o boletim de ocorrência o mais rápido possível;

3)  Procure possíveis testemunhas;

4) Compartilhe o que aconteceu com pessoas de sua confiança como seus pais, amigos ou algum profissional da área de saúde;

5) Procure um profissional especializado como um advogado defensor ou um psicólogo caso sinta que te afetou emocionalmente;

6) Não tenha medo de denunciar e não guarde este fato somente para você. Busque apoio e com certeza enfrentará esta situação de maneira mais adequada.

As mulheres devem ter cuidado com os relacionamentos virtuais para não serem vítimas de “sexting” (mistura de sexo com mensagens de texto, quando o casal troca fotos sensuais pelo celular).Preocupado com a adesão cada vez maior a esta prática, a Safernet divulgou uma cartilha de orientação aos jovens sobre os riscos dos relacionamentos virtuais. Disponível AQUI

A Defensoria Pública de São Paulo lançou uma cartilha que orienta as mulheres a se defenderem da violência sexual virtual, como a exposição na internet de fotos e vídeos íntimos feitos por ex-parceiros, prática conhecida como revenge porn.

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A cartilha, disponível no site da Defensoria Pública, também trata do sexting, caracterizado pelo envio de imagens sexuais para a mulher sem autorização dela, e do cyberstalking, a perseguição persistente por meios virtuais.

A USP criou a cartilha violência de Gênero que traz informações gerais para o enfrentamento de situações de discriminação, assédio e violência. Você pode acessar neste link

Para informações sobre a Lei Maria da Penha, que criminaliza a violência doméstica em todas as suas manifestações, ou para fazer uma denúncia, ligue para a Central de Atendimento à Mulher no número 180.

A violência contra a mulher se tornou tão grave que tem causado um impacto muito grande na economia e na sociedade. Neste sentindo, o movimento “empoderamento feminino” pode ser uma saída para mudar esta realidade pois contribui para que aconteça uma mudança na mentalidade social em relação a mulher. A mulher se valorizando, se respeitando, colocando limites e marcando seu lugar na sociedade de um modo diferente.

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1 comentário

Ciberbulismo, o que fazer Maio 30, 2018 at 1:46 pm

[…] grande. Consequentemente, o indivíduo atacado não se sente mais ao seguro em nenhum lugar, porque o assédio o atinge através da web até mesmo em sua própria casa. Além disso, não é fácil cancelar a ofensa, que uma vez […]

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