Alemanha – Sistema educacional alemão

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Arquivo pessoal
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Mudar de país com filhos é, de fato, uma escolha bastante desafiadora. Quando cheguei em Munique fiquei muito perdida em relação à escola que meu filho, na época com 15 anos, iria estudar. No Brasil, ele estaria entrando no ensino médio, portanto um momento bem difícil para a adaptação. Muitas mudanças para se enfrentar em uma fase da vida bastante complicada, a adolescência. E, sem dúvida, esta transição me deixou bem apreensiva.

O sistema educacional aqui na Alemanha funciona diferente do Brasil, e pode variar de estado para estado. A partir dos 6 anos de idade, a educação passa a ser gratuita e obrigatória até o 9° ano. Durante 4 a 5 anos, variando de estado para estado, o aluno cursa a escola primária – Grundschule – equivalente ao ensino fundamental 1 no Brasil (1°, 2°, 3°,4° e 5° ano). É neste período que os alunos são avaliados, e ao concluírem esta etapa são direcionados para determinadas escolas secundárias (equivalentes ao ensino fundamental 2 do Brasil – 6°, 7°, 8° e 9° ano), de acordo com seu desempenho.

Há 3 tipos de escolas secundárias na Alemanha:

  • Hauptschule ou Mittelschule: Uma escola de nível básico que vai do 6° ao 9° ano e os alunos aprendem matérias práticas. É o caminho mais rápido para entrar no mercado de trabalho. Após concluir essa escola o aluno está apto a frequentar uma Escola Técnica, onde aprenderá uma profissão.
  • Realschule: Esta escola tem um nível um pouco mais elevado, habilitando o aluno a frequentar cursos mais avançados nas escolas profissionalizantes. Após concluir a Mittelschule, o aluno pode passar para esta escola para complementar e cursar o 10° ano.
  • Gymnasium: É a escola de maior nível e vai até o 12° ano. Equivale ao ensino fundamental 2 e ensino médio (1°, 2° e 3° ano) no Brasil. É através desta escola que o aluno pode fazer o Abitur (similar ao Enem) e seguir para uma Universidade ou Escola Superior. Existe uma certa possibilidade do aluno conseguir transferência de escola, vai depender do seu desempenho nos primeiros anos já no ensino secundário (6° ou 7° ano). Hoje, uma mudança no sistema educacional permite que qualquer pessoa possa fazer o Abitur. A única exigência é aprender uma segunda língua estrangeira.

Por falta de informação, terminei matriculando meu filho numa Mittelschule. Não sabia ainda que seguindo nesta escola ele poderia não conseguir cursar uma universidade. Neste momento fiquei muito preocupada com essa possibilidade. Porém, durante a sua permanência na escola, os professores notaram que seu desempenho estava acima da média, tendo potencial para estudar em uma escola de nível mais aprofundado. Foi então que os próprios professores o orientaram a mudar para um Gymnasium. É comum ocorrer o contrário, as crianças serem transferidas do Gymnasium para os outros tipos de escola, caso as notas não condigam com o nível exigido.

Vocês podem imaginar como fiquei aliviada! Foi realmente um dos momentos mais difíceis para mim aqui. Deparar-me com a possibilidade dos sonhos do meu filho serem destruídos por falta de informação, foi realmente muito angustiante. Mas tudo deu certo e segui em frente. Entrei em contato com o Gymnasium e descobri que o aluno que vem de fora pode fazer uma prova para entrar numa turma especial. A prova inclui questões de matemática, inglês e noções básicas de alemão. Passando nesta prova, o aluno começa a frequentar uma turma intensiva de alemão (Seniorkurs) durante 6 meses, para então passar para uma turma normal. Felizmente meu filho passou na prova!

O primeiro passo para quem chega na Alemanha nesta idade e quer ingressar num Gymnasium, é entrar no site da escola que tenha turma especial para estrangeiros, imprimir um formulário de requerimento e levá-lo junto com o histórico escolar do Brasil (no meu caso não precisou de tradução), a identidade e comprovante de residência (Anmeldung). A partir daí você marca a data da prova. Feito isto, o próximo passo é se dedicar aos estudos para passar!

Aqui na Alemanha as atividades técnicas são bem remuneradas, não havendo tanta diferença, se comparadas às atividades de nível acadêmico. A mão de obra tem qualificação em todos os níveis. Por isso, nem todos os alemães optam por fazer universidades. É realmente uma questão de opção.

Além do sistema educacional ser bem diferente do brasileiro, como falei, existem algumas peculiaridades bastante interessantes:

  • Na Baviera o ano letivo começa em setembro e vai até julho. Isso muda em outros estados. É em agosto a maior parte das férias escolares, porém existem mini férias de uma ou duas semanas entre as estações.
  • O aluno tem aulas das 7h30 até às 15h30 todos os dias (isto vai depender da classe, podendo acabar às 13h05). Sendo assim, o almoço passa a ser na escola, mas é pago. Este horário também pode mudar a depender da escola.
  • No currículo, além das aulas normais de alemão, física, matemática, geografia, ciências, química e história, tem também aulas de teatro, economia e mais duas línguas: inglês (obrigatório) e francês, espanhol ou latim (também pode variar a depender da escola). As aulas de teatro, música, xadrez são opcionais a depender da escola.
  • É terminantemente proibido o uso de celular dentro da escola, mesmo em horário livre. O que, particularmente, eu acho ótimo.
  • As ausências não são toleradas, somente em caso de saúde, claro. Com 10 minutos de atraso, o professor nos liga para saber o que aconteceu que o aluno ainda não está na escola.
  • A maioria das provas são realizadas sem aviso prévio, o que obriga o aluno a manter a matéria sempre em dia.
  • Quando o professor entra na sala, todos os alunos levantam para cumprimentá-lo e o mesmo é tratado por senhor ou senhora. Sempre de maneira formal.
  • Os próprios alunos têm a obrigação de manter a sala limpa, varrendo, limpando quadro, mesas e cadeiras. Isso, no meu ponto de vista, é uma das melhores coisas que existem na Alemanha, cidadania. Todos aqui fazem a sua parte para o bem comum, a começar na escola.

Enfrentar novos desafios faz parte de quem se propõe a mudar. Assim foi minha trajetória e, apesar de todas as dificuldades, mais uma etapa foi vencida. Não podemos desistir na primeira barreira. Espero poder ajudar mães recém-chegadas que, como eu, buscam o melhor para seus filhos.

1 COMMENT

  1. Creio que em relação aos alunos se levantarem quando os professores entram varie de acordo com a gestão de cada escola, pois tenho um amigo que estuda em um Gymnasium em Berlin e ele disse que lá não ocorre o mesmo.

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