Cheguei no Brasil, será que vou sobreviver?

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Depois de uma semana inteira de comemorações, despedidas e uma grande diversidade de bebidas passando pelo meu antipático estômago e sacudindo meu fígado como nunca, enfim chegou a hora de voltar ao Brasil.

Sempre pensei que o momento de despedidas seria complicado, mas foi mais do que complicado, foi estranho. Tenho uma mistura louca de sentimentos em mim, é como se você comemorasse a chegada do furacão Katrina porque embora ele fosse levar a sua casa e os seus amigos, também te daria a oportunidade de recomeçar e construir tudo outra vez. Ok, acho que talvez eu esteja exagerando um pouco nesta analogia, mas quando estou com crise de ansiedade costumo exagerar mesmo, de qualquer forma, a regra é simples, basta extrair uns 50% do que acabei de falar e chegará no que estou de fato sentindo.

Teve choro? Teve. Teve insegurança? Teve. Teve vontade de voltar atrás? Teve. Teve ansiedade? Ô se teve. Tiveram sorrisos? Sim, tiveram também. Pois é, teve de um tudo nesta reta final. Saí de Londres praticamente baleada no coração e também com uma boa dose de cansaço acumulado no corpo e na mente, afinal, não é fácil fechar a casa e colocar a vida em malas (com limitação de peso!!), isso requer muito planejamento, trabalho braçal e um saco sem fundo de paciência.

De uns três anos pra cá a minha vida passou de pacata, responsável e estável para uma micareta alucinada cheia de masoquistas em volta chicoteando uns aos outros e principalmente a si mesmos, incluindo eu. Ah, ok, mais uma vez aplique a regrinha de tirar aqueles 50% do que falo. Mas, de qualquer forma, é inegável que saí de uma vida com trabalho, o mínimo de segurança financeira, carreira profissional, um carro velhinho que me levava pra todo canto e uma casa mobiliada com os móveis antigos porém meus, para viver a vida adoidada sem pensar muito neste tal de amanhã, ou pior, pensando muito nele, mas tentando desapegar e aprendendo diariamente com as alucinações que a ansiedade causa por conta da falta de estabilidade e a sensação de estar fora do controle.

Como diz a música da moda, a vida é trem bala mesmo, parceiro, e não adianta planejar, sonhar ou idealizar, o segredo é tentar fazer todos os dias o melhor que pode, fazer dos seus limões aquela limonada refrescante e, caso não consiga, tentar mais uma vez amanhã, só que com menos medo do fracasso, pois você pode ainda não ter provado a limonada, mas o fracasso sem dúvida você já provou e sabe que é amargo, mas não mata. É como diz o ditado que acabei de inventar: me diga uma coisa planejada ou idealizada por você que deu certo que te direi dez que deram errado mas que no final o resultado foi muito melhor do que você jamais poderia ter imaginado antes.

Entrei no avião e acabei não comendo bem porque não pedimos o menu vegano no site da companhia aérea, olha lá, viu no que dá não planejar tudo? Pois é, depois de uma porção de arroz com pão, eu dormi. É isso mesmo, eu dormi!!!! Sabem o que isso significa? Eu não sei também, mas acho que é algo importante porque eu nunca tinha dormido em nenhum voo em toda a minha vida. Pois é, acordei para comer mais um pão com vento de manhã e seguir em frente em direção a essa nova etapa da vida, embora meu pescoço estivesse duro, meu coração já amolecia em pensar no pouso.

No táxi, a caminho da casa dos meus sogros com malas até no colo, recebemos o primeiro sinal de que voltamos ao Brasil, conversando com o motorista de táxi, ele nos contou que é agente penitenciário e que estava trabalhando no táxi do pai porque tinha sido baleado em uma tentativa de assalto há um ano e estava de licença do trabalho até se recuperar totalmente. Seguimos falando desses assuntos leves, e tivemos o prazer de fazer uma imersão gratuita sobre o sistema penitenciário do Brasil e já aproveitar para ir parando de ser distraído e ir colocando a bolsa no chão do carro, não mexer no celular e perceber que essa cidade é um perigo e que alguém precisa fazer alguma coisa para melhorar a segurança no Brasil (enquanto lê esta frase pense naquele som que seus amigos faziam quando você falava alguma coisa óbvia na sala de aula “dããããã”). Eba, é aqui mesmo moço, chegamos!!!

Começamos a procurar apartamento no dia que chegamos, afinal, quem cuida de filho grande é elefante e meus sogros e pais aguentam nossa presença por uns dias com o maior prazer, mas tudo tem limite, não é mesmo?! Em uma das primeiras visitas de apartamentos que fizemos notei que o banheiro estava escuro e fui acender a luz para ver melhor, mas não tinha lâmpada, aí percebi que isso é padrão, aqui no Brasil, eles te entregam o apartamento sem nada, nada mesmo, nem lâmpada nos cômodos ou lixo no banheiro, sem nem um varal na lavanderia. Enquanto isso, em Londres, o dono do nosso apartamento, que há dois anos nos entregou com tudo, dos móveis ao sabonete para lavar as mãos no banheiro, contratou uma empresa para avaliar as condições de item por item do apartamento, somando 100 páginas de relatório. Realmente não consigo avaliar quem é mais maluco, mas talvez um meio termo entre britânicos extra preocupados e brasileiros de boa na lagoa poderia ser bom pra todo mundo, não?

Mais tarde, estressados com mil coisas para fazer, decidimos dar uma corridinha na rua para relaxar, mas pela primeira vez na vida nos demos conta de como as esquinas cheiram xixi aqui em São Paulo, talvez porque nossos narizes tenham ficado muito tempo longe e agora voltaram mais sensíveis ou simplesmente frescos mesmo. Além disso, comecei a sentir uma dor estranha no joelho esquerdo, comentei com meu marido e ele disse que poderia ser porque aqui a calçada tem desníveis e não estou acostumada com isso. Bom, estou começando a achar que a única coisa que esses dois anos em Londres serviram foi para me tornar uma pessoa fresca, igual àquelas que eu sempre critiquei. Espero que isso passe logo, afinal odeio aquelas pessoas que pensam que só porque moram fora viraram gringos ou seres superiores.

No dia seguinte minha sogra nos levou para mais algumas visitas de apartamentos, no caminho paramos em um farol na frente da loja da Ferrari e notei que no cantinho da loja tinha um punhado de roupas, umas coisas empilhadas e dois rapazes em volta vendendo pano de chão, na frente dos carros tinham outros dois rapazes vestidos de palhaço fazendo malabarismo. Só um parênteses: (passei um ano tentando comprar pano de chão decente em Londres e tive que pedir pra uma amiga que veio visitar os pais me exportar o produto, sorri de lembrar que aqui se acha em qualquer esquina, literalmente). Por uma fração de segundos, olhei para os carros do lado e as pessoas estavam agindo normalmente, achei estranho, mas foi aí que meu marido, sofrendo da mesma síndrome do gringo pateta que eu, disse “Gente, vocês não se sentem estranhos vendo essas pessoas lutando por centavos na frente de uma loja que vende carros de extremo luxo?”. Acho! Puta desigualdade social sendo esfregada nas nossas faces, mas infelizmente acho que em umas duas semanas a gente se acostuma com, literalmente, essa “palhaçada”, afinal, para todo mundo que passa isso parece ser tão normal.

Por fim, cansados de tantas velhas novidades, sentamos para tomar um café da tarde em casa – essa é uma das únicas delícias de quem está desempregado, mas espero que dure bem pouco. Começamos atentamente a ouvir os conselhos de uma grande amiga, que trabalha há mais de 25 anos na casa dos meus sogros, ela dizia que São Paulo está um perigo, que só Deus pode nos salvar, contou que outro dia estava no ônibus indo trabalhar quando entraram dois bandidos e começaram a roubar todos os passageiros, assustada com a situação ela ergueu suas mãos na direção dos meliantes e disse “que o sangue de Jesus te repreenda, Satanás!”, e funcionou, eles foram embora sem roubá-la. Pensei que em dois anos morando em Londres eu não tinha escutado as palavras Jesus ou Satanás.

Talvez a fé realmente mova moinhos ou evite assaltos, ou talvez ela apenas te faça esquecer dos problemas e agradecer. Na verdade, não sei o que a fé faz para os outros ou por um país inteiro, mas neste dia a fé do outro me fez enfim respirar e pensar que, embora nós ainda não tenhamos achado um apartamento legal, eu ainda não consegui um trabalho e cada vez que saio de casa sinto cheiro de xixi, sorrio quando vejo o sol todos os dias, quando estou na porta do prédio e um senhor passando por mim me diz “bom dia” sem nem me conhecer, ou simplesmente porque sei que mesmo confusos, cheio de defeitos e medos, nós somos capazes de ficar mais leves quando pousamos na mágica terra que costumava ser coberta de pau-brasil, mas que mesmo sem nenhum galho ter sobrado pra contar história, essa ainda é a minha selva, hoje de pedras, favorita.

Brasil, eu estava com saudade, obrigada por me receber de braços abertos outra vez.

39 Comentários

    • Evelyn, fico feliz que tenha lido meu texto. Embora possa não fazer sentido para você, esse texto é o retrato de como eu me senti nos meus primeiros dias aqui, portanto, melancólico ou não, posso afirmar que é bem verdadeiro.:)
      Beijo!

  1. Eu gostei estava de férias no Brasil e me indetifiquei com o texto foi bem desse geito q me senti 😉 até a dor nas pernas eu senti também kkkk☺️☺️

  2. Oi Joahna, eu não voltei, mas estou aqui visitando a minha família por um mês. Te entendo totalmente. Na verdade estava pensando muito sobre a desigualdade esses dias e cheguei a conclusão que São Paulo é meio que encarar de frente as desigualdades do mundo. Quando eu estou aqui, eu sinto em uma cidade a representação do mundo que vivemos. É lindo poder viver longe de tanta desigualdade, mas a verdade é que o mundo é bem assim mesmo. E por mais que eu agradeça todo dia por morar em um lugar que eu posso andar com meu celular na mão sem me preocupar, é quando eu chego aqui, que eu encaro o mundo de verdade e penso que eu eu to fazendo para deixar esse mundo um pouco melhor. De qualquer forma, eu desejo muito que a gente possa ter paz em qualquer lugar do mundo e o Brasil, com certeza, precisa! Boa sorte! Beijos

    • Pois é Julia, lugares como Brasil, India, Africa so Sul e outros milhares de exemplos são a prova de que o mundo é desigual. Hoje sinto que o Brasil me traz de volta à vida, me mostra que ainda tem muita coisa pra ser feita e que não adianta a gente se esconder, um dia esse conta vai chegar.
      Espero que possa aproveitar sua família nesses dois meses e continuar crescendo e aprendendo com novas referencias lá fora, pois vamos precisar muito de você por aqui no futuro. Boa sorte pra você também.

  3. Johana, sinto tudo isso quando volto pro Brasil.. é a síndrome do filho na soleira da porta. O nosso Brasil é assim e é desse jeito que a gente gosta. Hoje moro na França e tenho a esperança de um dia voltar.. planos? Nenhum.. eu tinha até o dia que a minha filha nasceu nessa terra fria que eu adorava só pra passear. Que o nosso Brasil te abrace e que vc sinta essa fé de ser brasileiro! Boa sorte!

    • Alexandra, obrigada pelo apoio. Espero que possa aproveitar tudo que a França tem de bom para te oferecer, tenho certeza que será muito feliz ai.
      O Brasil sem dúvida é o melhor lugar do mundo, mesmo com seus defeitos ele ainda supera qualquer um. 🙂
      Boa sorte pra você e sua família e obrigada pelo apoio.

  4. Johana, consegui captar o sentimento do seu texto.
    Espero que as coisas melhorem: essa fase inicial de mudança é difícil quando se imigra e quando se retorna.
    A melhor coisa é viver um dia de cada vez e ter muita fé de que vai dar tudo certo.
    Se tem uma coisa positiva no Brasileiro é a resiliência.
    Boa sorte e fique bem.
    Beijos

    • Pois é Ana, preciso dar tempo ao tempo. Tenho certeza que jájá tudo irá se encaixar.
      O Brasil tem muito valor e um espaço enorme no meu coração, não existe lugar melhor no mundo, e é por isso que tenho certeza que tudo vai dar certo.
      Beijos, Johana

  5. Johana, antes mais nada, quero agradecer por nos ter presenteado com essa crônica tão gostosa de ler. Vou entrar aqui para acompanhar o desenvolvimento da sua estória de retornada, pois me interessa muito saber os novos estranhamentos que apresentarão e se realmente vão conseguir se adaptar a algumas tragédias brasileiras, como nosso abjeta desigualdade social. Os nossos problemas sociais são, ao menos para mim, motivo suficiente para eu deixar o país. Eles são a gênese de todos as nossas chagas.

    Bom, desejo sorte neste retorno para nossa cidade bandeirante.

    Um abraço

    • Fico feliz que tenha interesse em acompanhar minha volta. Com certeza não será fácil se readaptar à toda essa diferença, mas como sabemos, o Brasil sempre nos abraça e nos recebe com todo amor do mundo. Até o próximo texto! Abraço, Johana.

  6. Gostei do texto e quem já morou fora, entende perfeitamente suas palavras. Conheço varias pessoas que nao se adaptaram e buscaram outras alternativas e realmente não critico ninguem. Boa sorte!

  7. Fiquei admirada de voce voltar. Eu sai do Brasil e fui para a América estudar Inglês, depois de 1 ano fora meu coração bateu forte para não voltar. Eu não posso mudar o Brasil, mas eu pude se mudar do Brasil. Amo minha vida na América e não sinto saudade de nada da selva de pedra.

    • Oi Ines, tudo bem? Acho que cada um tem seu tempo e sua história, por isso certas coisas são difíceis para compreendermos quando não estamos vivendo na pele do outro. Muitos aqui acham que saí de Londres porque estava infeliz lá, mas isso não é verdade, eu fui e estava muito feliz, mas voltar fazia meu coração bater mais forte. Quem sabe eu volto pra lá em breve. Beijos e boa sorte na sua jornada.

    • Fico feliz em provocar risadas e felicidade com meus textos, isso é um sinal de que minha vida anda muito melhor, embora minha perspectiva pessoal, algumas vezes, seja diferente. Obrigada por me apoiar, Francisco. Até breve.

  8. Um paradoxo gostoso de se ler! Me senti exatamente assim quando voltei do meu intercambio em Chicago e muitas outras vezes quando voltava pro Brasil após uma temporada visitando meu namorado -agora marido- nos EUA. É aquele sentimento de ‘Socorro! Isso aqui é ruim, mas é bom…’ e primeiro você fica brava, puta, mas geralmente esses sentimentos acompanham aquele sorriso de ‘tudo conforme o esperado, eu que tinha me esquecido mesmo…’.
    Boa sorte na sua jornada de volta!

  9. Adorei o texto, estou em uma situação inversa, tem dois meses que eu saí do Brasil, estou morando na Itália e com uma saudade imensa do meu brasas, mesmo com todos os problemas não existe lugar e povo mais lindo! Descobri que a Itália era maravilhosa mesmo só pra passar as férias 😂. Espero ter outra opinião daqui um tempo.

  10. Se acontecer como a maioria dos brasileiros que foram para o exterior e depois de pouco tempo bateu o saudosismo e resolveram voltar para o Brasil mas logo depois de um tempinho perceberam que não tinham mais condições de viver nesta terra de ninguém, vai voltar para Inglaterra ou ir para outro país assim que der!

    Foi o que aconteceu comigo, saí a primeira vez, me arrependi, desejei voltar o mais rápido possível, voltei, e aí pensei: “Mas que droga que fiz! Aqui não tem condições!”. Assim, depois da segunda (e definitiva) vinda para o exterior, infelizmente, só de pensar em Brasil, não dá vontade nem de visitar tamanho o caos reinante.

    De qualquer forma, felicidades para você onde quer que esteja!

    • Entendo o que diz, Gabriel. Estamos vivendo um período difícil, mas sou daquele tipo de pessoa que sempre acredita que as coisas podem melhorar. Não sei até quando ficaremos por aqui, mas sem dúvida farei o possível para esse período ser bem proveitoso.
      Muito obrigada por ler e comentar. Desejo toda felicidade pra você.

  11. Oiii Johana..amei seu texto retrata bem a realidade mesmo..estive morando fora um tempo e quando voltei foi parecido (mas acho que pior pq fiquei bem depre e chorei semanas haha)..mas assim como o Gabriel do comentário acima não aguentei e estou com passagens compradas para março do ano que vem..espero que você continue postando sobre sua adaptação para ajudar aqueles q como você amam o Brasil mas ficam tristes com a nossa situação atual. Felicidades e espero que tudo fique bem e de certo para você!

  12. Oi, Johana! Sou sua colega aqui no BPM e adoro os sesu textos; sua forma de se expressar e de escrever. Toda mudanca de lugar é difícil porque a gente muda muito, né? E ainda bem que a gente muda! Te desejo todo amor desse mundo, como o poeta Cazuza, pra que novos iluminados caminhos se abram. Besitos desde Chile.

    • Oi Gislaine, que legal saber que alguém tão inteligente e inspiradora gosta das minhas palavras. 🙂
      Obrigada pelos sinceros desejos, tenho certeza que o melhor ainda está por vir, sempre.
      Boa sorte e aproveite essa maravilha de Chile por mim!!!

  13. Li alguns de seus relatos. Vc escreve muito bem! É incrível como transmite seu entusiasmo e ao mesmo tempo desespero. Vc é Capricorniana? Haha
    Estou indo para a Itália em março/18 finalizar a cidadania e pretendo passar um tempo em Londres enquanto o Brexit não sai oficialmente. Trabalho com TI, acho que talvez arrume um emprego lá. Quanto tempo não sei. Mas na mesma intenção que você foi “deixo a vida me levar”.
    Amo São Paulo. Engraçado que mesmo sendo a cidade mais cosmopolita da América, existem inúmeras diferenças em relação à Londres ou qualquer outra cidade desenvolvida. Tenho visitado algumas cidades do interior e Beira o absurdo a quantidade de desinformação, machismo, homofobia etc. São Paulo está anos luz à frente nesse aspeto. O Brasil é um País jovem ainda. Tem muito a amadurecer :/ Um dia eu creio que “chegaremos lá”.
    Enfim. Parabéns novamente. Continue escrevendo 🙂

    • Oi Marcelo, fico feliz em saber que gosta dos meus textos. Esse é o maior incentivo para quem escreve. 🙂
      Desejo toda felicidade do mundo pra você nessa nova fase, tenho certeza que irá aprender muito e se transformar.
      Vou continuar escrevendo sim e, por favor, continue lendo! 😉

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