Sistema de saúde na Estônia

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Quando decidi me mudar para a Estônia para viver com o meu namorado, lembro que uma das maiores preocupações dos meus pais na época (e minha também, claro) era o plano de saúde. 

Como e onde eu iria ao médico se precisasse, como seriam as consultas anuais com dentista, ginecologista, e como ficaria meu tratamento com a dermatologista? Confesso que nos primeiros meses foi complicado entender como o sistema de saúde funciona aqui, mas agora acho tudo bem simples e a verdade é que até gosto e acho bastante organizado. 

Antes de vir à Estônia, eu morava no México e lá é muito parecido com o Brasil. O sistema público de saúde sempre está lotado e com filas imensas, e se você quiser ser atendido rapidamente, terá que pagar ou ter seguro de saúde. Aqui na Estônia, o seguro de saúde é obrigatório para turistas e para quem está dando entrada no visto de residência, mas assim que estamos empregados, fazemos parte do sistema público e podemos usufruir dele em qualquer situação.

Aqui, todos que fazem parte do sistema público têm que se registrar com um “médico de família”. Ele será seu clínico geral, onde você vai quando estiver com gripe, por exemplo, ou algum outro problema que deve ser encaminhado para um médico especialista. Geralmente, na mesma clínica do seu médico de família, haverá outros, como por exemplo dermatologistas, que não precisam de encaminhamento do primeiro médico. Para as mulheres, existe uma clínica especializada em Tallinn para as consultas com ginecologista e outro hospital para emergências do mesmo tipo. Nesta clínica especializada é necessário pagar 5€ extras por consulta. 

E os médicos particulares? Se você não é registrada no sistema público, existem várias opções de clínicas particulares. A consulta custa 50€ e pode ser reembolsada pelo seu seguro de saúde particular. 

Eu já tive experiência com as duas opções: o meu médico de família, por exemplo, uso para quando estou doente e tenho que faltar no trabalho. Já que sou cozinheira e trabalho em restaurante, não posso comparecer mesmo que seja uma simples gripe – já fui até mandada pra casa por chegar assim no trabalho. Assim, para conseguir a licença, basta ligar ou enviar um e-mail ao seu médico dizendo qual é o problema, seus sintomas e que você precisa ficar em casa. Ele vai preparar a sua licença online e seu empregador vai receber de forma eletrônica. Quando estiver se sentindo melhor, é só ligar para o médico novamente e pedir para terminar o período de licença.

Para continuar com meu tratamento dermatológico, por exemplo, optei por um médico particular. As consultas geralmente são marcadas para 4 a 7 dias úteis. As receitas médicas também são eletrônicas (tanto do sistema público quanto privado) e basta chegar à farmácia com seu documento de identificação e sua receita estará disponível no sistema. 

Um dos lados negativos desse sistema é que poucos médicos falam inglês. Se você não tem família estoniana ou não fala o idioma, será um pouco complicado encontrar o médico certo, mas não se desespere! Há diversos grupos no Facebook (Brasileiros que moram na Estônia, por exemplo, ou o Expats in Tallinn/Estonia) onde todos os integrantes estão dispostos a ajudar nesta saga!

Neste link você vai encontrar (em inglês) todas as informações a respeito do sistema público de saúde e um e-mail onde pode enviar suas dúvidas. 

Assim que o seu registro de residente da Estônia estiver finalizado, você vai receber a carteirinha com seu número pessoal e uma carta explicando como se registrar no sistema do governo pela internet. Ali você vai encontrar toda a sua informação pessoal e também ajuda para se cadastrar com um médico de família. Mais informações, aqui.

Porém, é um requisito muito importante ter um seguro de saúde privado antes de dar entrada nos papéis de imigração. Para isso existem diversas companhias: Ergo, BTA  e Swedbank são algumas das mais populares. 

Como eu já disse antes, com o seguro de saúde privado é possível reembolsar as consultas e tratamentos que são feitas em clínicas privadas. Quando estiver em tais clínicas, é só pedir uma receita para o seguro e depois levar em qualquer dos escritórios do seu seguro. 

Eu só usei até agora um médico privado, que foi um dermatologista da Vitaclinika. Nem todos os médicos falam inglês, mas no site geralmente há uma descrição dos profissionais que trabalham no local e os idiomas que eles falam, o que ajuda bastante na hora de escolher um médico. A minha dica também é sempre perguntar nos grupos do Facebook sobre quais médicos as outras pessoas recomendam, ou quais clínicas. 

Aqui na Estônia todos esses registros podem ser feitos pela internet, mas se você preferir um pouco de contato humano também pode acudir pessoalmente ao departamento de saúde, seja em Tallinn ou outras cidades da Estônia. Todos os detalhes, endereços e telefones você pode encontrar nesse link.

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Ana nasceu e cresceu em Jundiaí, Sao Paulo, e aos 17 anos embarcou numa aventura - forçada, diga-se de passagem - de mudar-se com a sua família para a Cidade do México. Lá se formou em Gastronomia, e aprendeu que o mundo é grande demais para passar desapercebido. Hoje em dia vive na Estônia, trabalha como cozinheira e adora viajar, comer, e contar tudo no seu blog elculinario.org.

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