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As primeiras etapas de um tradutor na Espanha

Meu interesse pela tradução começou quando eu cheguei ao país, em 2004. As exigências dos principais órgãos governamentais espanhóis para regularização de documentos estrangeiros, somadas aos preços elevados dos serviços de tradução (neste caso, juramentada) me fizeram pensar que eu poderia exercer esta profissão e ampliar minha área de conhecimento, além de ter a possibilidade de colaborar com outros brasileiros que estivessem atravessando o mesmo caminho que atravessei. Hoje, com um pouco mais de experiência, posso compartilhar algumas informações fundamentais com quem tem interesse de realizar este trabalho pela capital espanhola.

  1. Formação

Em primeiro lugar, é importante saber que para ser tradutor não é tão fácil como parece. Há certas exigências do mercado como:

  • Título Superior em Tradução. Algumas universidades espanholas oferecem cursos de Graduação, Pós-Graduação e Mestrado nesta área, como a Universidade Complutense de Madrid (www.ucm.es), a Universidade de Valencia (www.uv.es) e a Universidade Autônoma de Barcelona (www.uab.cat), respectivamente. A escolha do curso mais adequado depende do objetivo de cada profissional.

Ou

  • Título Superior em Letras (na Espanha, denominado Filologia) ou bem, em Comunicação Social (Jornalismo, Publicidade, Marketing, Relações Públicas ou afins).
Imagem: www.asitel.es
Imagem: www.asitel.es

Atenção: Se os estudos do profissional foram realizados no Brasil, o título deve estar acreditado pelo Ministério de Educação, Cultura e Esporte (MECD) para que tenha validade na Espanha. No site do MECD estão todas as informações necessárias para quem estiver interessado (www.mecd.gob.es).

O processo de acreditação de títulos é lento e, como comentei anteriormente, inclui preços muito elevados (porque exigem várias gestões no Brasil e na Espanha, além de traduções juramentadas dos principais documentos). Mas o esforço vale a pena, porque ter o título reconhecido aqui, realmente, abre muitas portas.

Se o profissional já conta com a formação adequada e possui o título acreditado na Espanha, deve saber por onde começar a trabalhar.

  1. Trabalho

O primeiro passo é elaborar um bom CV, destacando os cursos superiores na área Tradução, Letras ou Comunicação Social e a experiência profissional relacionada, se houver.

Para encontrar o primeiro trabalho, há duas opções:

  • Contatar as agências de traduções, através de uma busca no Google (www.google.es).

Quase todos os sites de agências possuem e-mail, o que favorece muito na hora de enviar o CV. O novo tradutor deve enviar o material a todas as agências que conseguir localizar.

A maior parte destas agências está localizada em Madri ou Barcelona e, ocasionalmente, em outras cidades. Mas isto não é uma limitação para um tradutor, já que este profissional é independente e pode realizar seu trabalho comodamente desde sua própria casa. Então, o novo tradutor não deve poupar esforços. Deve enviar seu CV a todas elas.

  • Procurar projetos corporativos através de sites profissionais. O site mais utilizado e eficiente é o Infojobs Freelance (www.infojobs.net).

O novo tradutor deve criar um perfil no site (como freelancer) para poder receber avisos de projetos no seu e-mail. Uma vez tenha interesse em um determinado trabalho, deve enviar uma proposta à empresa por este mesmo canal. A comunicação entre tradutor e empresa por esta via é bastante simples e direta. Se o novo profissional estiver dentro do perfil solicitado, possivelmente o resultado será positivo.

Neste primeiro momento é muito importante ter disciplina (estar sempre procurando projetos) e persistência (estar sempre enviando CV e propostas). No começo, os trabalhos que surgirem serão pequenos e a curto prazo. Mas na medida em que o tempo for passando, surgirão outras oportunidades e projetos maiores. Desta maneira, o tradutor vai aumentando sua experiência, sua carteira de clientes e contatos.

No próximo post, falarei sobre as técnicas de tradução assistida e faturamento. Não percam!

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2 comentários

Bruno Santos de Oliveira Setembro 6, 2015 at 2:03 pm

Olá Fernanda
Muito prazer, sou Bruno, falo de Rio das Ostras- RJ, gostei da informação, sou aluno do curso de história, irei concluir no final de 2016, e quero fazer o mestrado na Espanha, mas minha intenção é ficar de vez nesse lindo país, sou casado, minha esposa é fisioterapeuta com pós graduação e temos um filho pequeno. Eu não conhecia essa sua profissão, aliás já tinha ouvido falar, mas eu pensava que era exclusiva de funcionários do governo, bem interessante.
Fernanda, sabe alguma coisa do ramo de docência na Espanha, oportunidades de quando conseguir iniciar o mestrado ai será possível dar aulas?
Sobre a tradução, no meu caso como estou ainda no Brasil eu vou requerer a homologação do diploma da minha esposa e o meu quando concluir no consulado do Rio de Janeiro.
Obrigado
Bruno

Resposta
Fernanda Medeiros Setembro 6, 2015 at 3:01 pm

Oi Bruno.

Obrigada pelo interesse no post.

Fazer um Mestrado aqui abre muitas portas. Com respeito a docência acadêmica, os processos são sempre através de concurso público.

Boa sorte aos dois!

Att,
Fernanda

Resposta

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